Duas verdades

Opartido Iniciativa Liberal (IL) anunciou ontem nas redes sociais que o seu líder, Cotrim de Figueiredo, iria à SIC Notícias (SICN) debater com o eurodeputado do Bloco de Esquerda (BE) José Gusmão uma proposta sobre fiscalidade.

O anúncio despertou-me interesse, não apenas por se tratar de um tema importante – já que “toca” no bolso -, mas também porque, embora não percebendo nada de finanças, fiquei impressionado com a (aparente) bondade da ideia avançada pelo IL.

Não vou entrar em pormenores dada a confissão que já fiz da minha ignorância no assunto. Correria o risco de não me saber explicar ou de cometer algum erro.

O IL tinha acusado o antigo líder do Bloco, Francisco Louçã, de interpretar mal, apesar de ser economista, a proposta liberal, durante o seu espaço de opinião na SICN, intitulado “Tabu” e até foi mais além dizendo que o poderia ter feito de má-fé. Em qualquer caso uma atitude condenável, esta eticamente e aquela por se tratar de alguém que teria a obrigação de saber da poda.

A SICN pegou na polémica e levou-a para a estreia do seu espaço informativo “22 01” (a dar, visivelmente, os primeiros passos, com a pivot titubeante) do domingo (ontem) à noite.

Lá estava eu, de sofá, para ser esclarecido. Em vão!

Tanto Figueiredo como Gusmão, entrincheirados nos seus clichês e a jornalista Rosa de Oliveira Pinto preocupada em assegurar o pingue-pongue do debate, não ajudaram a que se atingisse, afinal, o propósito primeiro daquele momento televisivo: informar as pessoas.

Figueiredo reafirmou as acusações já feitas pelo seu partido e Gusmão classificou a proposta do IL de “borla fiscal aos mais ricos”.

Pelo meio várias argumentações, umas simplistas, outras incompletas, que não ajudaram nada “aqueles que estão em casa”, conforme várias vezes referido pelos interlocutores, a perceberem quem é que tem razão.

Isto não é surpresa nenhuma porque as televisões, nos dias de hoje, trabalham para o espetáculo e os partidos também, ficando prejudicada a essência dos problemas.

A piorar de tudo isto, na ronda que habitualmente faço na Internet procurando pôr-me a par do mundo, reparo que, quer o IL, quer o BE, trataram de imediato de lançar nos “mass media” a presunção (para eles convicção) de que o assunto ficou esclarecido, a seu favor!

Em rodapé anoto a tensão inicial dos contendores. Gusmão falou primeiro e ganhou embalagem. Figueiredo, a reagir, mostrou-se mais inseguro. Talvez a diferença radique na tarimba que o BE já adquiriu e que o IL, imberbe, ainda não possui. |X|

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