ARTIGO

O debate do Corvo

ARTP-Açores iniciou ontem uma série de debates sobre as eleições legislativas regionais marcadas para 25 de outubro próximo.

Coube ao círculo eleitoral do Corvo, que elege dois deputados, inaugurar este ritual quadrienal a que a estação pública de televisão nos habituou.

Embora o subdiretor de informação da TV regional, Rui Goulart, tenha enfatizado, no Telejornal, o facto de os debates se realizarem no “Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas”, a concretização da ideia não me parece muito feliz, pois os planos gerais que as câmaras captam dão a impressão que os participantes estão num armazém, ainda por cima encavalitados nuns bancos esguios. Mas como em gostos não se discute fico-me por esta mera opinião, admitindo que o meu sentido estético é que deixa a desejar!

A diversidade da prestação dos quatro candidatos a deputado e a discussão de problemas concretos que afetam a ilha do Corvo, o mais pequeno círculo eleitoral da Região e do país, deixaram claro quão importante é o período de pré-campanha e campanha eleitoriais, mal-grado a demagogia a que está associado.

Acredito que não é fácil, num universo de 337 eleitores, encontrar cidadãos disponíveis para se envolverem no combate político, pois cada lista concorrente terá que apresentar entre quatro a dez candidatos, embora o fator residência não seja imperativo.

O debate foi interessante sobretudo porque se centrou, de uma forma bem evidente, nos problemas concretos do Corvo – como já referi -, dando-lhe uma dimensão útil e até agradável de seguir.

O perfil de cada protagonista é muito diverso e por isso rico, o que torna problemático o habitual exercício de encontrar um vencedor.

Mas se quiséssemos ir por esse caminho Paulo Estêvão (PPM/CDS) entraria no jogo como favorito e vencedor antecipado, enquanto figura parlamentar de topo, com três mandatos cumpridos e toda a experiência que daí advém, aliada ao seu apurado sentido político.

Iasalde Nunes (PS), também experiente (dois mandatos), não tem a sagacidade do seu opositor monárquico. Sereno, o seu papel de defensor do Governo, com a incumbência de lembrar os milhões investidos na mais pequena ilha do arquipélago, entraria em campo, como diz o selecionador nacional de futebol Fernando Santos, candidato mas não favorito.

Marco Varela (CDU), coordenador da Direção da Organização da Região Autónoma (DORAA) do PCP e funcionário do partido, cumprindo a difícil missão de impedir que os comunistas sofram uma erosão perigosa para as suas aspirações, não tem comprometido. O que poderia parecer um jogador colocado fora da sua posição natural dentro das quatro linhas, no final do embate de ontem teria saído com o estatuto de titular.

Por fim, o jovem Luís Pimentel (PSD) ficaria no banco dos suplentes, embora o treinador encontre motivos para continuar a convocá-lo, como executante de um jogo direto, sem dribles, tendo que exercitar melhor a sua progressão no terreno. Mas a tática está assimilada.

Maria Pereira (BE) não compareceu à chamada.

Ao árbitro, Herberto Gomes, não se lhe poderia dar nota alta, embora não tenha influenciado o resultado. Faltou sentido de oportunidade para enriquecer o desafio, apitando ou deixando jogar. A repetição, sempre pela mesma ordem, da volta pelos intervenientes, matou um jogo do qual o espetáculo não era o que mais dele se esperava. (X)

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