O debate de Santa Maria

Oquarto debate da RTP-Açores sobre as eleições regionais foi o que mais se aproximou, quanto às candidaturas presentes, da igualdade de género.

O debate do Corvo foi cem por cento masculino, embora se apresente uma mulher como cabeça-de-lista por aquele círculo eleitoral, que, no entanto, não apareceu no programa televisivo.

Pelas Flores já surgiu uma mulher a debater, mas outras duas cabeças-de-lista não foram ao programa.

Brites Araújo, na Graciosa, vincou, precisamente, o facto de as mulheres primarem pela ausência, lamentando ser a única do seu género no debate, pois naquele círculo há mais uma cabeça-de-lista.

Em Santa Maria o MPT faltou pela segunda vez, depois da Graciosa e, para já, não entra nestas contas pois ainda não consegui saber quem são os candidatos deste partido.

No debate acerca da ilha mais meridional dos Açores as mulheres fizeram-se notar, reforçando a sua preponderância: três cabeças-de-lista presentes e, entre elas, duas que são deputadas (Bárbara Chaves, do PS, há 12 anos e Elisa Sousa, do PSD, há dois).

Curiosamente têm perfis completamente diferentes: Bárbara Chaves circunspeta; Elisa Sousa exuberante e Dulce Correia, da CDU, com um registo aparentemente apagado, mas que ganhou conteúdo ao longo da discussão sem ser necessário qualquer tipo de exibicionismo ou desperdício de palavras.

O homem da noite foi o jovem estudante Pedro Amaral, que com algum alarde e braços compridos despertou a atenção e mostrou-se como alguém cujo percurso deve ser seguido com atenção na cena política açoriana.

Teve o condão de aliar à capacidade de comunicação um conhecimento sólido sobre a realidade mariense. Percebe-se que, apesar da idade, anda atento e participativo há muito tempo.

O delegado de Saúde de Santa Maria, Carlos Pinto, deputado pelo PS entre 1988 e 1992, diz que a razão de ser do PPM na sua ilha é quebrar a hegemonia eleitoral dos socialistas e sociais-democratas.

Oposto a Pedro Amaral no que toca à fluência, ficaram, porém, claras nas suas palavras a denúncia de falta de transparência no processo do porto espacial e a grave acusação de que um secretário da Saúde achava que a deslocação de médicos do Hospital do Divino Espírito Santo a Santa Maria é um luxo!

Numa altura em que o tema da saúde põe os açorianos com o coração nas mãos, verberou o facto de 13 mil cirurgias continuarem a aguardar a sua realização após terem esgotado o tempo legal de espera.

Com uma postura semelhante à do delegado de Saúde e dando sequência à atitude do seu correligionário graciosense, inspirado, naturalmente, na cartilha partidária, João Martins do Chega atacou forte e feio recusando a colocação de dinheiro no “aspirador da SATA” e classificando os programas ocupacionais de promotores da pobreza.

João Martins, sobre o porto espacial, perguntou se criará emprego para técnicos que vêm de fora, ficando as tarefas de limpeza para as senhoras de Santa Maria.

Foi a deixa que faltava a Dulce Correia para contrapor o seu posicionamento ideológico, num estilo delicado embora cortante: “E os senhores também!”

A cabeça-de-lista da CDU do princípio ao fim do debate, aliás, defendeu a importância do envolvimento das pessoas e das comunidades na decisão política, mostrando ter ideias definidas e estruturadas. Um pouco mais de calor no discurso ter-lhe-ia dado outra projeção.

O CDS, tal como nas Flores e diferentemente do que ocorreu na Graciosa, apresentou um candidato com propostas a abranger vários campos sem, todavia, obter uma performance que saltasse à vista.

Bárbara Chaves, como é próprio dos candidatos da maioria, tentou desenvencilhar-se das questões que visaram a governação, não respondendo no mesmo grau a duas ou três investidas mais fortes. E confirmou que o manual de campanha do PS tem, a letras grandes, bem explicado quem é que há-de gabar a noiva.

A recente deputada Elisa Sousa (PSD), fã das coisas do espaço, tentou lá chegar, pois pareceu que queria sair da cadeira. Valeu-lhe a boa prestação política, a simpatia e o conhecimentos dos dossiês, revelando já alguma tarimba parlamentar. Do ponto de vista da boa defesa dos interesses de Santa Maria no palco político o que Pedro Amaral é como promessa Elisa Sousa equipara-se como certeza.

O desempenho do moderador está em crescendo, sobretudo na difícil tarefa de controlar os tempos.

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