Clima. Desde 1931 que não havia uma década tão quente como a de 2011-2020

Manhenha, ilha do Pico, 2012. Em novembro de 2020 choveu menos nos Açores em comparação com o período de referência anterior apresentado pelo IPMA [fotografia de arquivo: Tiago Gonçalves]

A versão preliminar do Boletim Climatológico — Ano 2020, divulgada a 23 de dezembro último pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), refere que “a década 2011-2020 será a mais quente desde 1931 em Portugal continental”

| TEXTO SOUTO GONÇALVES |

Em nove dezenas de anos, desde o princípio da década de 30 do século passado, o último período de 10 anos foi o mais quente em Portugal, excluindo os arquipélagos dos Açores e Madeira, cujos dados não entram nesta avaliação.

“O valor médio da temperatura média do ar deverá ser ligeiramente superior a 16 °C com um desvio em relação à normal de cerca +1 °C”, lê-se no relatório preliminar do IPMA do Boletim Climatológico — Ano 2020. O texto diz também que “os maiores desvios verificaram-se nos anos de 1997 (+1.3 °C) e 2017 (+1.1 °C)”.

“Em Portugal continental e durante o ano de 2020 foram poucos os meses com anomalias negativas”, de acordo com o IPMA. Apenas junho (temperatura mínima do ar) e outubro (temperatura mínima e máxima do ar) se inscreveram dentro desses parâmetros. “Destacam-se por outro lado as anomalias positivas da temperatura máxima do ar em fevereiro (+3.5 °C), maio (+4.4 °C) e julho (+4.6 °C)”, especifica o Boletim Climatológico.

TEMPERATURA DO GLOBO

Numa altura em que o aquecimento global está na ordem do dia estes dados confirmam que as preocupações associadas à subida das temperaturas na Terra não são infundadas.

O documento citado acrescenta que “a nível global e de acordo com Organização Meteorológica Mundial  o ano de 2020 deverá ser um dos 3 anos mais quentes alguma vez registados (podendo ainda igualar ou superar o ano de 2016, o mais quente)”.

Segundo o boletim do IPMA, disponível na internet, “a anomalia de temperatura média do ar global deverá ser cerca de 1.2 °C em relação aos valores pré-industriais (1850-1900)”. A década 2011-2020 será a mais quente, com os 6 anos mais quentes a ocorrerem desde 2015.

2020 SECO

“Em relação à precipitação o ano deverá classificar-se como seco com um valor médio no continente inferior ao normal”, analisa o IPMA, explicando que “ao longo de 2020, apenas os meses de abril, maio e outubro registaram valores de precipitação superiores ao normal”.

“As anomalias negativas dos meses de janeiro e fevereiro” são responsáveis por “um inverno de 2019/2020 mais seco que o normal”.

“O mês de dezembro (apuramento até dia 15) regista também um valor de precipitação muito inferior à média”, conclui o IPMA.

Açores: menos chuva e temperatura mais baixa

Quanto ao arquipélago dos Açores a informação disponível mais recente no sítio da internet do IPMA está contida no Boletim Climatológico — Novembro 2020, onde se lê que “os desvios da quantidade mensal da precipitação na região foram negativos relativamente ao período de referência” [1961-1990].

“A temperatura média mensal do ar à superfície na região dos Açores apresentou desvios significativamente negativos”, sublinha o mesmo documento. |X|

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