SOCIEDADE

Aeroporto da Horta. Comandante da SATA proporciona viagem tranquila em dia de mau tempo

Airbus da Azores Airlines estacionado no aeroporto da Horta durante uma escala em pleno verão de 2020 [fotografia de arquivo: Souto Gonçalves]

Tudo estava alinhado para uma ligação aérea desagradável entre Lisboa e a Horta com uma aterragem de pôr os nervos à flor da pele. Afinal, nada disto se confirmou

| TEXTO SOUTO GONÇALVES |

Vento, chuva, pouca visibilidade, isto é, um dia de inverno a valer nos Açores, nomeadamente no Faial e ilhas do Triângulo, não augurava nada de bom para uma viagem de avião entre os aeroportos de Lisboa e da Horta.

Uma aeronave da Azores Airlines da família A320 partiria, de acordo com o horário, ontem às 8 horas de Lisboa para chegar ao Faial às 9h45 (hora dos Açores). Descolou com 5 minutos de atraso e aterrou 32 minutos depois do previsto, concluindo um percurso realizado em 3h12, quando devia tê-lo feito em 2h45.

Ditas as coisas desta forma é fácil imaginar uma viagem turbulenta, com passageiros tensos, alguns copos de água em modo de pedido de socorro, senão rezas e, obrigatoriamente, cintos bem apertados!

O resultado — que, salvo raras exceções, tanta “tinta” normalmente faz correr nas redes sociais através do habitual chorrilho de postagens e comentários, com os pilotos-aviadores do Facebook a comandarem a turba e a explicarem como é que se faz — seria o regresso inglório à capital, ou a um aeroporto alternativo no arquipélago, como já aconteceu bastas vezes.

Como é costume e por causa da instabilidade meteorológica das ilhas açorianas, talvez não haja passageiro que se preze que, antes de entrar no autocarro que o leva ao avião, não ligue para casa: “Como é que as coisas estão por aí? Está nevoeiro? E o vento sopra da terra? Ainda não parou de chover?”

A faialense Márcia Medeiros telefonou ao marido e preparou-se para chegar ao Faial mesmo que fosse preciso invocar o Menino Jesus, pois ainda era tempo d’Ele.

Quem leu no Facebook os ponderados comentários de Martins Goulart e António Paulo Godinho, o primeiro um seguidor habitual destes assuntos e o segundo profissional da área da navegação aérea, terá suposto que o sucesso da aterragem de ontem do voo S4151 da Azores Airlines na pista de Castelo Branco, no aeroporto da Horta, foi o corolário de uma viagem para esquecer, ou, pelo menos, a sua última meia hora.

Martins Goulart, pouco depois da aterragem, escrevia, encomiasticamente, que “o comandante não desistiu e conseguiu aterrar”, enquanto António Paulo Godinho, algumas horas mais tarde, assegurava: “Por muito menos do que isto já vi (…) cancelamentos bem discutíveis”.

“Creio que hoje temos de elogiar o desempenho da tripulação do voo (…) não sacrificando aproximações desnecessárias”, congratulou-se António Paulo Godinho, atribuindo a decisão do comandante Pedro Cunha Pereira a um “serviço público ‘puro e duro’, nos verdadeiros pergaminhos da Sata”.

Imagem Flightadar

Conforme se pode ver na imagem a aeronave, algures sobre a ponta dos Rosais, da ilha de São Jorge, descreveu vários círculos achatados à medida que os diminuía no sentido inverso à formação de uma espiral, rumando depois à pista, pelo leste e pelo sul do Faial e entrando no sentido Morro de Castelo Branco — Monte da Guia.

Antes de empreender a fase final da aproximação à pista as manobras do Airbus a oeste de São Jorge ocorreram acima dos 6 mil metros.

Márcia Medeiros viajou ontem entre Lisboa e a Horta na Azores Airlines [fotografia: direitos reservados]

Ora, isto explica a satisfação e surpresa, em face das expectativas iniciais, da passageira Márcia Medeiros: “A viagem foi muito boa. Por cima de São Jorge o comandante disse que não tinha visibilidade para aterrar, que ia aguardar, mas que se tinha prevenido com combustível bastante”.

“Nem sequer reparei que andámos às voltas, estávamos por cima das nuvens”, explicou Márcia Medeiros, para depois contar que só viu o morro “já muito perto, coberto de nevoeiro”.

E a aterragem, perguntou Escrevi.blog? “Foi ótima!”

Num dia de tempo “porcalhoto”, no dizer de António Paulo Godinho, com cerca de seis dezenas de passageiros a bordo, vento rijo, mas enfiado pela pista, com tudo o mais que se conjugou, foi possível uma operação que, provavelmente, ninguém criticaria se tivesse abortado.

O já citado António Paulo Godinho escreveu também na sua postagem no Facebook que estão de parabéns “todos os que neste grupo [do Aeroporto da Horta] apontaram o ‘rumo’ para a implementação das aproximações RNP-AR” [ajudas à navegação]. |X|

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