COVID-19. Risco de transmissão sobe no Faial

Casos ativos no Faial durante os últimos 10 meses Devin Gomes, infografia

“Em apenas três dias passamos de uma situação ‘totalmente’ controlada para um nível considerável de apreensão”, afirma Devin Gomes

Souto Gonçalves texto

O estado de emergência, que está regulamentado por decreto do Governo Regional dos Açores, estabelece que “são considerados de médio risco de transmissão os concelhos em que se verifiquem entre 50 e 100 novos casos por 100 mil habitantes nos últimos sete dias”.

Nestes termos, o concelho da Horta “está atualmente em médio risco”, escreveu hoje o internauta Devin Gomes. Com 14 casos nos últimos sete dias, numa população de 15.038 pessoas (Censos 2011), a Horta, feita a equivalência, atingiu 93 novos casos por 100 mil habitantes, no período correspondente a uma semana, explica Devin Gomes.

O último relatório semanal da Autoridade de Saúde Regional (ASR) sobre o grau de risco dos concelhos dos Açores foi publicado na sexta-feira, 22 de janeiro. A próxima edição deverá ser divulgada depois de amanhã, espera-se que com a alteração da situação epidemiológica do Faial.

A ilha azul hoje “atingiu o valor máximo de casos ativos desde o início da pandemia”, recorda Devin Gomes, acrescentando que “o anterior máximo” ocorreu “em dezembro com 10 casos ativos”.

Num exercício estatístico comparativo Devin Gomes diz que nesta ilha “o primeiro caso diagnosticado data de 19 março” e que “entre 30 março a 29 de setembro o Faial não teve nenhum caso registado”.

“Na chamada primeira onda” no Faial foi registado “um máximo de cinco casos ativos, valor esse só ultrapassado no mês de outubro”, lembra este cibernauta, que acompanha a evolução da pandemia de forma atenta.

DO CONTROLO À APREENSÃO

Devin Gomes salienta que “em apenas três dias passamos de uma situação ‘totalmente’ controlada para um nível considerável de apreensão, não só com o aumento de trabalho da unidade de saúde no contacto, teste e isolamento de centenas de pessoas, bem como com todo o aparato, ansiedade e incómodo social associado ao fecho de escolas”.

Numa análise à evolução da pandemia entre nós, publicada hoje no Facebook, Devin Gomes afirma que “se registou novo pico de casos ativos, associado ao período de regresso para as festas de Natal e agora, novamente, numa fase também associada ao regresso de estudantes, trabalhadores e familiares após o início do confinamento no Continente (fecho de escolhas e obrigação de teletrabalho) e o escalar galopante e sem precedentes da situação pandêmica no nosso país”.

“Se associarmos estas variáveis — prossegue — à sensação de segurança que se vivia na ilha entre residentes, estamos perante uma conjunção perfeita que favorece o proliferar de casos. Apesar de esperado, demonstra bem o quão rápido toda a situação se inverte e a importância de estar sempre alerta no cumprimento das medidas de prevenção, sobretudo com familiares, amigos e colegas de trabalho, evitando assim cadeias de transmissão local.”

RISCO MÉDIO: MEDIDAS

Às medidas em vigor nos concelhos de baixo risco de transmissão acrescem, para os casos de risco médio, as seguintes: a) Limitação de ajuntamentos na via pública de um número máximo de seis pessoas, exceto se forem do mesmo agregado familiar; b) Encerramento de todos os estabelecimentos de restauração, bebidas e similares às 20h00, exceto para efeitos de “take away” ou entrega ao domicílio; c) Limitação de um número máximo de seis pessoas por mesa nos restaurantes e cafés, salvo se do mesmo agregado familiar; d) Proibição da venda de bebidas alcoólicas após as 20h00, exceto se em serviço de restaurante; e) Proibição de visitas aos idosos e utentes residentes nas estruturas residenciais para idosos, nas unidades de cuidados continuados e nas casas de saúde, bem como aos utentes das estruturas residenciais para pessoas com deficiência; f) Suspensão da abertura ao público em eventos e competições desportivas. |X|

COVID-19. Faial com 14 casos positivos ativos

Apenas um dos novos casos está relacionado com a cadeia de transmissão local

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A ilha do Faial reagiu ao surto de coronavírus que se manifestou a partir do final da passada semana. Os restaurantes, que têm sido um barómetro desta pandemia, depois de terem funcionado como um escape para o desejo das pessoas de saírem de casa, numa terra, como o Faial, em que existem poucas alternativas para o efeito, começaram já a sentir um certo retraimento da clientela.

Além disso, para aferir da nova atitude dos faialenses, basta travar conversa com as pessoas para perceber que existe uma preocupação generalizada com a possibilidade de a COVID-19 se alastrar no Faial.

Depois de um período em que uma sensação de segurança tomou conta da população desta ilha, resultante de o Faial se ter ido aproximado de zero casos ativos do novo coronavírus, agora parece que o rifão “casa roubada, trancas à porta” se está a cumprir.

NÚMEROS NO FAIAL E NOS AÇORES

O Faial atingiu hoje o 14.º caso positivo ativo de COVID-19, após o diagnóstico, durante o dia de ontem, de quatro novas infecções.

Um caso está relacionado com a cadeia de transmissão local que se encontra ativa nesta ilha e reporta-se a uma funcionária da Escola Secundária Manuel de Arriaga. Este estabelecimento de ensino já promoveu o confinamento de oito pessoas.

Outro caso resultou da deteção do vírus após análise realizada ao 6.º dia e diz respeito ao deputado do Corvo e proprietário do restaurante faialense Avózinha, que publicamente assumiu a sua situação, após ter viajado para a Horta desde Ponta Delgada. Iasalde Nunes explicou no Facebook que fez “dois testes no Corvo” e que “ambos deram resultado negativo”, acrescentando que foi “autorizado pelas autoridades de saúde a viajar”, tendo-o feito “num lugar ao fundo da cabine do avião onde não tinha nenhum passageiro”.

Um terceiro caso reporta-se a um indivíduo residente com histórico de viagem.

O último caso refere-se a um cidadão proveniente de Lisboa, residente na freguesia dos Flamengos, cuja análise positiva, posteriormente confirmada, deu azo a uma participação ao Ministério Público.

Atualmente a Região Autónoma dos Açores conta 501 casos positivos ativos, dos quais 438 em São Miguel, 44 na Terceira, 14 no Faial, dois no Pico, um em S. Jorge, um nas Flores e um no Corvo.

No Faial, os 14 casos ativos distribuem-se do seguinte modo: Angústias, 2; Castelo Branco, 3; Conceição, 1; Flamengos, 1; Matriz, 6 e Praia do Almoxarife, 1.

Até hoje, foram detetados no arquipélago 3.486 casos de COVID-19, que provocaram 25 óbitos e de que resultaram 2.860 recuperações.

Em Portugal continental, nas últimas 24 horas, ocorreram 293 óbitos, o que constitui um novo máximo diário e 15.073 infecções. O governo da República determinou a suspensão das ligações aéreas com o Brasil a partir de sexta-feira. |X|

COVID-19. Deputado corvino testa positivo no Faial


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O proprietário do restaurante Avózinha, que funciona na freguesia dos Flamengos, ilha do Faial, está infectado pelo novo coronavírus.

Iasalde Nunes, residente no Corvo e deputado regional por aquela ilha, escreveu na noite de ontem no Facebook que realizou um teste positivo à COVID-19.

Considerando “a honestidade e a sinceridade” como “valores inestimáveis” declarou-se contaminado e informou ter viajado para o Faial, onde, durante o dia de ontem e a partir da casa em que reside nesta ilha, participou no plenário online da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores.

O restaurante Avózinha foi encerrado por iniciativa própria apesar de Iasalde Nunes declarar que não frequentou o estabelecimento durante o dia de ontem, tendo apenas contactado com um funcionário à hora do encerramento. O referido trabalhador, bem como o proprietário deste estabelecimento de restauração, Iasalde Nunes, estão em isolamento profilático.

A última ligação aérea do deputado corvino com o Faial, na manhã de ontem, teve origem em São Miguel, conforme se pode ler numa resposta do restaurante a uma questão lançada na rede social Facebook.

Já na manhã de hoje a Autoridade de Saúde Regional (ASR) publicou um comunicado recomendando o “confinamento de toda a população da ilha do Corvo enquanto decorrer a testagem aos contactos próximos deste caso positivo e até serem conhecidos os resultados”.

CORONAVÍRUS CHEGA À ESCOLA MANUEL DE ARRIAGA

Entretanto ontem foi diagnosticado um caso positivo de COVID-19 na Escola Secundária Manuel de Arriaga, na Horta, atribuído a um indivíduo da classe não docente daquele estabelecimento de ensino, o que já deu lugar ao confinamento de alguns colegas de trabalho.

Existe a dúvida sobre se este novo caso se inscreve na cadeia de transmissão local ativa no Faial, que deverá ficar esclarecida no comunicado da ASR do dia de hoje. |X|

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