Costa Pereira é o novo diretor do Tribuna das Ilhas

“Ajudar no desenvolvimento e promoção desta terra” com “ideias diferentes” é o propósito anunciado do substituto de João Paulo Pereira

Souto Gonçalves texto

Passadas cinco semanas sobre o anúncio da saída, divulgada pelo próprio, do diretor do Tribuna das Ilhas João Paulo Pereira, ficar-se-á a conhecer, na edição de amanhã, o novo responsável editorial do semanário faialense.

Costa Pereira foi o escolhido pelo conselho de administração da cooperativa Informação, Animação e Intercâmbio Cultural (IAIC), proprietária do jornal.

O novo diretor faz-se acompanhar pela jornalista Marla Pinheiro, apresentada como editora de cultura e continua a contar com a jornalista Susana Garcia, membro da redação e Eduardo Ortega, jornalista estagiário.

O conselho de administração, numa nota sobre a mudança na direção do jornal, diz que é “uma equipa de colaboradores com reconhecida experiência jornalística, resultante da sua anterior colaboração com a imprensa local”.

Costa Pereira, por seu turno, escreve que pretende, com os que estão com ele, “ajudar no desenvolvimento e promoção desta terra”, acrescentando que “uma nova equipa significa, naturalmente, ideias diferentes”.

Costa Pereira, uma referência cultural e política do Faial fotografia de arquivo com direitos reservados

Ainda no tempo de estudante Costa Pereira já tinha o seu nome ligado ao jornalismo, nomeadamente através do extinto jornal Correio da Horta, onde colaborou.

Senhor de uma escrita escorreita, professor do ensino secundário, historiador local e colunista do próprio jornal, o recém-diretor é uma personalidade reputada no meio faialense.

Dirigiu a Casa de Cultura da Horta, já extinta e mantém uma ligação forte ao Núcleo Cultural da Horta. Foi presidente do órgão executivo da Escola Secundária Manuel de Arriaga, onde é professor efetivo.

Católico e social-democrata, tornou-se uma figura referencial nos campos religioso e político, principalmente neste, tendo sido presidente da Assembleia Municipal da Horta, vereador e deputado do círculo eleitoral do Faial durante 16 anos.

Marla Pinheiro, afastada há algum tempo, é um nome de peso do jornalismo faialense fotografia de arquivo com direitos reservados

Marla Pinheiro regressa ao Tribuna das Ilhas como editora de cultura, depois de ter sido redatora do jornal, cuja ficha técnica agora lhe dá um lugar de destaque.

Foi uma promessa e hoje é uma certeza do jornalismo, não obstante o abandono da atividade para se encarregar da comunicação da Atlânticoline, empresa por quem tem dado a cara nalgumas ocasiões.

A sua recuperação para a atividade jornalística é uma grande notícia para a imprensa faialense. Redige superiormente, analisa com acutilância, quer sejam assuntos locais, quer a atualidade de outro âmbito e movimenta-se de forma equidistante perante os poderes que espreitam, famintos, a comunicação social.

Embora não seja novidade neste quadro de recentes alterações, por fazer parte da redação do “Tribuna” há largos anos, a sua longevidade na função e consequente experiência tornam a jornalista Susana Garcia num verdadeiro sustentáculo deste semanário.

REAÇÃO E CONTRARREAÇÃO

Sonhado por um grupo de faialenses, que esteve ligado a uma efémera associação que dava pelo nome de “amigos do Faial”, do Tribuna das Ilhas não se pode dissociar o nome de Mário Frayão, seu primeiro diretor e inspirador de um projeto jornalístico do Faial e das ilhas, a que o cabeçalho do jornal faz jus.

Em quase duas décadas de publicação e depois da sucessão de diretores editoriais, o semanário faialense conseguiu manter uma folha limpa, coisa que não é propriamente fácil, nem habitual, numa terra pequena, em que os interesses, conveniências e poderes, desde o político ao religioso, passando pelo económico e desportivo e até social, exercem uma influência demasiado próxima, senão sufocante.

Não é preciso recuar muitos anos para entender bem o contexto em que a atividade jornalística, grandemente assente na opinião, relegando para segundo plano a notícia, era exercida na Horta.

No tempo de uma ou duas gerações as coisas mudaram e hoje a tomada de partido, felizmente, tornou-se quase tão inaceitável como antes o era não fazê-lo. O jornalismo tem vindo, assim, a cumprir-se.

Porém, o consulado de João Paulo Pereira à frente do Tribuna das Ilhas, ao arrepio dos seus antecessores, despertou velhos fantasmas, provocando, como reação, o apetite pelo controlo da comunicação social faialense.

Claramente alinhado com o PSD e, de modo especial, com a sua atual liderança local, o comportamento do ex-diretor do “Tribuna” acendeu no partido arquirrival o desejo de alterar o rumo dos acontecimentos, ao ponto de, à boca pequena, se falar num plano de açambarcamento dos média locais, incluindo a Antena Nove.

Neste quadro, o convite a Costa Pereira parece não estar desligado da contrarreação, eliminando ímpetos hegemónicos.

Resta agora saber se o novo diretor do Tribuna das Ilhas, próximo de uma corrente que, do ponto de vista editorial, não escondia, no passado, o lado a que atribuía as suas preferências, optará pela linha dura da isenção, confirmando o que as novas gerações de jornalistas faialenses trouxeram às páginas dos jornais, ou se, sobretudo politicamente, preferirá assumir a sua faceta de combatente pelos interesses do Faial e dos Açores, é certo, sempre assumida, no entanto, como indiscutível soldado de um lado da barricada. |X|

VER: Imprensa. Novo diretor do Tribuna das Ilhas será conhecido em breve

Meteorologia. Tempestade à porta

É costume dizer-se que depois do mau tempo vem o bom. Hoje foi ao contrário: após uma manhã soalheira a situação meteorológica vai piorar

Souto Gonçalves texto

Depressão Justine afetará o arquipélago a partir da tarde desta quinta-feira imagem captada às 16 horas dos Açores

Conforme se vê na imagem uma mancha de grande instabilidade meteorológica está a invadir os Açores e a sua passagem pelo arquipélago terá consequências nas próximas horas, depois de na manhã desta quinta-feira, 28 de janeiro, o sol ter dado um ar da sua graça.

Quando uma pessoa está muito doente há quem diga que, antes de morrer, a saúde faz-lhe uma visita, pois não é raro notarem-se sinais de melhoria do paciente antes do desfecho fatal acontecer.

Parece que foi isto que se passou com o tempo que se mostrou razoavelmente agradável na manhã de hoje.

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) já lançou avisos meteorológicos, o mais grave dos quais, vermelho, abrange as Flores e no Corvo a partir das 21 horas de hoje, por causa do vento, cujas rajadas poderão atingir 140 km/h.

Foram também emitidos avisos laranja e amarelo referentes a vento, precipitação e agitação marítima em todo o arquipélago.

No Grupo Central espera-se vento dos quadrantes sul e oeste com rajadas de 120 Km/h a partir das 21 horas, acompanhado de agitação marítima com ondas de sudoeste e oeste de 6 a 8 metros e precipitação forte a partir da meia-noite. |X|

COVID-19. Mais um caso positivo no Faial

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A Autoridade de Saúde Regional (ASR) informou hoje, ao princípio da tarde, que foi diagnosticado um novo caso positivo de COVID-19 na ilha do Faial, respeitante à freguesia das Angústias.

O comunicado da ASR acrescenta que “um caso positivo no Faial, reportado ontem, está relacionado com o caso positivo no Corvo, daqui
resultando uma nova cadeia de transmissão local partilhada”.

Há atualmente nos Açores 483 casos positivos ativos: 418 em São Miguel, 46 na Terceira, 15 no Faial, dois no Pico, um nas Flores e um no Corvo.

No Faial, por freguesias, os casos ativos estão assim distribuídos: Angústias, 3; Castelo Branco, 3; Conceição, 1; Flamengos, 1; Matriz, 6 e Praia do Almoxarife, 1.

Foram detetados até hoje no arquipélago 3.526 casos de infecção pelo novo coronavírus. Já ocorreram 25 óbitos e 2.917 recuperações. |X|

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COVID-19. Testagem prossegue na Horta

O laboratório que realiza testes à COVID-19 no Faial está a funcionar nas proximidades do Hospital da Horta José Lemos fotografia

O trabalho do laboratório que realiza testes na Horta à COVID-19, supervisionado pelo faialense, investigador científico e especialista em imunologia, Raul Bettencourt, instalado no parque de estacionamento em frente ao Hospital da Horta, prosseguia hoje a sua atividade com uma significativa afluência de utentes, que chegaram a formar, a meio da manhã, uma fila de espera.

Por volta das 11 horas cerca de quatro dezenas de pessoas encontravam-se a aguardar pela sua vez para se submeterem ao exame de despiste do novo coronavírus.

As colheitas são realizadas dentro das instalações, mas, nos casos considerados de alto risco, a recolha é feita com o utente dentro da viatura que o transporta, sob um alpendre ligado ao edifício pré-fabricado do laboratório. |X|

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