COVID-19. Ilha do Faial entra em médio risco à meia-noite

Os números não mentem: o concelho da Horta, matematicamente, já se encontra no nível máximo de risco de contaminação pelo vírus SARS-CoV-2. Mas uma coisa é a teoria, outra a prática

Souto Gonçalves texto

Na proporção de 100 casos positivos ativos declarados em sete dias por 100 mil habitantes é declarado, nos termos da regulamentação do estado de emergência, o risco elevado de contaminação pelo novo coronavírus em determinado concelho.

Ora, no concelho da Horta, com 15.038 habitantes, foram detetados, entre 23 e 29 de janeiro, 17 casos positivos da COVID-19. Proporcionalmente, em face de 100.000 habitantes, o Faial já está com 10 casos acima da centena, que é o limiar do alto nível de risco epidemiológico.

ESCREVI.BLOG fez a seguinte conta: 17 casos a multiplicar por 100, dividindo por 15.038 habitantes (apurados nos Censos de 2011) dá a percentagem de 0,11 que, aplicada a 100.000, corresponde a 110.

Como se nota no gráfico partilhado abaixo o Faial ultrapassa, neste momento, a linha vermelha.

Acontece, porém, que, não havendo transmissão comunitária do vírus no concelho da Horta, mas cadeias de transmissão controlada, a Autoridade de Saúde Regional (ASR) classificou o caso faialense como sendo de nível médio.

MEDIDAS A APLICAR A PARTIR DAS 00H00 DE SÁBADO

O fim de semana começa com um “update” de restrições relativamente às que vigoraram até agora, a saber:

a) Limitação de ajuntamentos na via pública de um número máximo de seis pessoas, exceto se forem do mesmo agregado familiar;

b) Encerramento de todos os estabelecimentos de restauração, bebidas e similares às 20 horas, com ou sem espetáculo e com ou sem serviço de esplanada, incluindo espaços de realização de eventos, exceto para efeitos de take away ou entrega ao domicílio;

c) Limitação de um número máximo de seis pessoas por mesa nos restaurantes e cafés, salvo se do mesmo agregado familiar, e lotação máxima de 1/2 da respetiva capacidade;

d) Proibição da venda de bebidas alcoólicas após as 20:00 horas, exceto se em serviço de restaurante;

e) Proibição de visitas aos idosos e utentes residentes nas Estruturas Residenciais para Idosos, nas Unidades de Cuidados Continuados e nas Casas de Saúde, bem como aos utentes das Estruturas Residenciais para Pessoas com Deficiência;

f) Suspensão da abertura ao público em eventos e competições desportivas.

Existem ainda medidas respeitantes ao risco médio que não terão aplicação no concelho da Horta porque a ilha tem apenas um concelho, o que impede que haja um contexto de transmissão comunitária à sua volta, como acontece em São Miguel.

Essas medidas não aplicadas são o ensino à distância para os níveis correspondentes ao 3.º ciclo e ao ensino secundário e escolas de condução.

O ensino presencial para o pré-escolar e 1.º e 2.º ciclos está autorizado no nível de risco médio e esta medida não sofre alteração no Faial.

Ainda em relação ao Faial não é necessária a apresentação de testes antes do embarque para outras ilhas.

NÚMEROS ANUNCIADOS SEXTA-FEIRA, 29 DE JANEIRO

Foram diagnosticados no Faial mais dois novos casos de COVID-19, na freguesia da Matriz. Presentemente existem 17 casos positivos ativos nesta ilha, assim distribuídos: três nas Angústias; três em Castelo Branco; um na Conceição; um nos Flamengos; oito na Matriz e um na Praia do Almoxarife.

Também no Pico há dois casos detetados na última ronda de exames (um residente e um não residente cujo resultado positivo foi obtido no teste do 6.ª dia). Um novo caso pertence à fregueia da Madalena e o outro novo caso à freguesia de São Roque. As Lajes continua sem casos, enquanto o concelho da Madalena tem três (dois na freguesia da Madalena e um em São Caetano) e o de São Roque um, totalizando a ilha do Pico quatro casos positivos ativos.

O Faial, por seu lado, mantém duas cadeias de transmissão, uma local e outra partilhada com o Corvo.

Atualmente existem 511 casos positivos ativos no arquipélago: 433 em São Miguel, 55 na Terceira, 17 no Faial, quatro no Pico, um nas Flores e um no Corvo. Até ao momento nos Açores foram diagnosticados 3.588 casos de infeção pelo novo coronavírus, ocorreram 25 óbitos e 2.951 recuperações. |X|

O NÚMERO DO DIA: 6.988

O ano de 2020 terminou com 6.988 desempregados, de acordo com os registos das Agências para a Qualificação e Emprego dos Açores.

De acordo com uma nota informativa do gabinete de comunicação do Governo Regional dos Açores este valor, que diz respeito a dezembro de 2020, representa um aumento de 0,4% (+26 inscritos) em face do mês de novembro do mesmo ano e uma variação homóloga de (+) 0,1%, ou seja, comparando com dezembro de 2019. Esta diferença entre dezembro de 2020 e o mesmo mês de 2019 equivale a mais seis inscritos à procura de primeiro e novo emprego. |X|

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Emergência. Recém-nascido transportado para Lisboa

Na última quarta-feira dois aviões participaram numa missão para deslocar do Hospital da Horta três pacientes

Souto Gonçalves texto

Equipa médica a bordo fotografia da Força Aérea Portuguesa

Não será muito comum, no mesmo dia, ocorrerem três evacuações médicas no Faial. Mas aconteceu na última quarta-feira, quando foi necessário a Força Aérea Portuguesa (FAP) empenhar dois aviões para transportar três pacientes do Hospital da Horta, primeiro, para a Base Aérea N.º 4, nas Lajes, ilha Terceira e depois para Ponta Delgada e Lisboa.

Esta operação aérea e médica envolveu um recém-nascido e mais duas pessoas. O bebé e um dos outros doentes seguiram para Lisboa, enquanto o terceiro paciente foi encaminhado para Ponta Delgada.

Nas ligações interilhas a FAP utilizou uma aeronave EADS C-295M, do tipo do popular “Aviocar” e no percurso para Lisboa uma aeronave a jato “Falcon”, conhecida como o avião do presidente da República.

Na primeira parte da operação, da responsabilidade da esquadra “Elefantes”, os três doentes viajaram do Faial para a Terceira e na segunda parte da evacuação o bebé e um paciente tiveram como destino Lisboa, à conta da esquadra “Linces”, enquanto o outro doente foi transportado para Ponta Delgada, a bordo do EADS C-295M. |X|