Transportes. Operação marítima sazonal em causa

Governo renova por um ano contrato com a Atlânticoline

Secretário Regional dos Transportes, Turismo e Energia (SRTTE) diz que “provavelmente” as ligações da linha amarela não serão realizadas

Souto Gonçalves texto

Lançado a 7 de julho de 1987 — 34 anos depois o Cruzeiro continua a servir o Canal que lhe deu o nome fotografia de Souto Gonçalves, 2012

Quando, em vez de uma estrada, é o mar que serve de via de comunicação, sabe-se, à partida, que os problemas vão existir. Basta que o vento se levante e tudo fica dependente da vontade da natureza.

Para não recuar muito no tempo, nem recordar a longa lista de barcos que têm servido as ilhas do arquipélago, se se quiser confirmar que assim é, basta evocar a “urbana” dos Açores e as viagens inolvidáveis que muitos açorianos realizaram naquela casca de noz.

Certo é que, com a ida para o estaleiro do “Ponta Delgada”, os viajantes das ilhas ficaram órfãos e talvez tenha sido por isso que receberam de braços abertos a decisão política de voltar a ligar as parcelas da região por via marítima no que toca ao transporte de passageiros e viaturas.

Todos se recordam da festa que foi passar a ir às festas de verão embarcados em navios cujos nomes — Gofinho Azul, Lady of Maan, Express Santorini, etc. — entraram no vocabulário comum quando chegava a altura de programar férias, ainda por cima com a possibilidade de levar o carro!

Porém, como se dizia ao princípio, quando temos o mar como meio de comunicação, os imponderáveis são muitos e, também, mas não só, por isso aquela que veio a ser conhecida como operação marítima sazonal entre as ilhas dos Açores (salvo o Corvo) não tem estado isenta de problemas, para além dos que resultam da natureza deste tipo de transporte: atrasos, poluição, diminuição da procura, custo do aluguer dos navios… e como se já não fosse bastante, agora, a pandemia!

CANCELAMENTO DA OPERAÇÃO SAZONAL INTERILHAS

A 18 de março de 2020 o governo regional, que é quem paga à Atlânticoline (empresa de transporte marítimo dos Açores) para cumprir as obrigações de serviço público (OSP), decidiu cancelar todas as ligações com passageiros e viaturas para ajudar estancar a propagação da COVID-19, com a chegada da pandemia à região.

Poucos dias depois, no início de abril, o executivo chefiado por Vasco Cordeiro tratou de anular o concurso para a construção de um navio que custaria mais de 48 milhões de euros (ME) com o objetivo de canalizar investimento para a saúde, emprego e economia.

Ninguém protestou, pois o novo coronavírus impunha um combate sem tréguas, mas da memória não se apagou o dramático processo pôr a navegar, feitos de novo, dois navios para sulcarem as águas do arquipélago — Atlântida e Anticiclone — que os açorianos só viram em fotografia, o primeiro e o segundo nem isso, pois ficou-se pelo desenho.

Com o SARS-CoV-2 à perna passou o verão, veio o inverno e estes assuntos ficaram relegados para planos mais do que secundários.

O governo do Partido Socialista, em fim de mandato, não deu andamento à revisão das OSP e a 10 dias (21 de dezembro do ano findo) do termo do prazo o gabinete de José Manuel Bolieiro aprovou uma resolução abrindo um período transitório que durará todo o ano de 2021.

O governo da coligação que reúne PSD, CDS e PPM, entende que as circunstâncias determinadas pela pandemia justificam a medida.

Não haverá concurso para a aquisição do serviço de transporte marítimo de passageiros e viaturas nas ilhas, o que será feito por ajuste direto à Atlânticoline por 4,9 ME.

O anexo da resolução especifica os termos concretos das OSP, omitindo o itinerário correspondente à linha amarela, que englobava anteriormente oito das nove ilhas (o Corvo não faz parte) e se estendia desde as festas em honra do Senhor Santo Cristo dos Milagres e o final do mês de setembro.

Percebe-se que não haverá a chamada operação sazonal com a sua habitual dimensão, até porque também não se ouve falar do aluguer de barcos de maior dimensão, cujo processo de contratação já deveria estar em curso. Em 2019 o negócio atingiu 6 ME.

Em declarações à Antena 1 Açores prestadas hoje o SRTTE, Mário Mota Borges, admitiu que “provavelmente” a operação não será realizada porque tem um custo “extremamente elevado e os recursos são parcos para as muitas solicitações que existem”.

Isto significa que as viagens no arquipélago irão prosseguir, mas apenas no Triângulo, na ligação deste à Graciosa e à Terceira e entre as Flores e o Corvo, com os navios Gilberto Mariano, Mestre Jaime Feijó, Cruzeiro das Ilhas, Cruzeiro do Canal e Ariel. |X|

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