BICADAS # 1

Fotografia: Câmara Municipal da Horta


O presidente da Câmara Municipal da Horta recebeu, em audiência de cumprimentos, representantes da direção recém-eleita do Lar das Criancinhas / O Castelinho, a nossa antiga creche, assim conhecida no tempo em que ainda não se tinha inventado os jardins de infância.

Respeitabilíssima instituição, o Lar das Criancinhas — esta denominação é feliz e faz jus à história —, que tem um “quadro” de colaboradores que atinge a meia centena de profissionais e perto de 300 utentes, é hoje uma referência da nossa terra no campo social.

Por ali têm passado dirigentes com grande disponibilidade, empenho e capacidade de ação e não há notícia de que vão fugindo com o rabo à seringa na hora de encontrar quem dê a cara — pelos nossos filhos tudo se faz!

Com instalações modernizadas, o “Lar” é uma mais-valia do Faial, no campo educativo e como resposta social às necessidades dos jovens pais, que ali encontram um auxílio seguro para encaminhar na vida os seus descendentes nos primeiros anos de existência.

Portanto, ao olhar para a fotografia vê-se tudo isto. Quem quiser ver, evidentemente. E também se observa uma coisa que às vezes não é possível encontrar com facilidade no Faial: pessoas de partidos diferentes a colaborarem para a mesma causa.

Ainda bem que o “Lar” não está contaminado por aquela ideia perniciosa que os partidos têm de controlar tudo, arranjando caciques para dirigirem associações e clubes e tentar, por essa via, obter ganhos políticos.

Mais uma vez a fotografia é elucidativa. A imagem tem, aqui, honras de destaque também por outra razão.

Nela pode observar-se um triângulo curioso: José Leonardo, presidente da câmara, recebe o seu homólogo presidente do Lar das Criancinhas, que, por sua vez, é membro da vereação que o próprio Leonardo encabeça. Filipe Menezes, assim, só precisou de abrir a porta de um gabinete e entrar noutro para esta audiência. Faz-se acompanhar do seu tesoureiro, que tem sido a trave-mestra daquela instituição como secretário-geral e de quem se diz ser o mais provável candidato do PSD ao lugar do atual presidente da edilidade, que, consta também com alta probabilidade de ser verdade, se recandidatará ao cargo que hoje ocupa.

Tais afinidades, coincidências e ironias só são possíveis numa terra pequena como a nossa, onde o ditado “hoje meu, amanhã teu” adquire todo o sentido. |X|

SOUTO GONÇALVES TEXTO

BICADAS é um espaço de opinião crítica, “politicamente (in)correta”, sobre a atualidade do meio local.

600 animais deram à costa

Baleia arrojada na Madalena foi retirada para “dissecação, amostragem biológica e remoção de ossadas” fotografia da DRAM


São às dezenas os arrojamentos de animais marinhos nas ilhas dos Açores em cada ano

SOUTO GONÇALVES TEXTO

Em 1999 foi lançada no arquipélago a Rede de Arrojamentos de Cetáceos dos Açores (RACA), que, até hoje, “registou quase seis centenas de arrojamentos, envolvendo animais marinhos de grande, médio e pequeno porte”, entre cetáceos, focas, tartarugas-marinhas, aves, cefalópodes, peixes e outras espécies, lê-se numa nota informativa publicada na página do Facebook da Direção Regional dos Assuntos do Mar (DRAM).

Esta rede foi criada pelo governo regional e o seu objetivo é “minimizar as possíveis ameaças dos arrojamentos para a segurança e saúde humanas, minimizar a dor e o sofrimento de animais arrojados vivos e obter, a partir destes eventos, o máximo benefício científico e educacional”.

A coordenação da RACA é assegurada pela DRAM que conta, para a operacionalização da rede, com os Parques Naturais de Ilha e a colaboração de vários parceiros e autoridades, supervisinados cientificamente por investigadores da Universidade dos Açores.

ARROJAMENTO NO PICO

O último arrojamento em que interveio a RACA deu-se na Madalena do Pico, na passada terça-feira, envolvendo dois cetáceos. A progenitora não resistiu ao incidente, tendo sido encontrada no calhau, junto à oiscina muicipal da Madalena, na Areia Larga. A respetiva cria foi salva e encaminhada para o mar.

“O animal mais pequeno (3,40 m de comprimento) foi prontamente resgatado e libertado no porto da Madalena, com a ajuda de uma embarcação da empresa marítimo-turística CW Azores”, explicou a DRAM na nota de imprensa já referida.

“O animal maior [na fotografia da DRAM], com 6,36 m e peso superior a 2,5 toneladas, foi transportado com meios disponibilizados pela da Câmara Municipal da Madalena, para um local apropriado para dissecação, amostragem biológica e remoção de ossadas, tarefa essa realizada sob coordenação de investigadores da Universidade dos Açores. Este animal encontrava-se fresco e não apresentava ferimentos exteriores que pudessem indicar as causas da sua morte”, especifica a mesma nota. |X|

Faial e Pico sem novos casos

Fotografia de Esmeralda Rosa


Na ilha de Santa Maria foi detetado, nas últimas 24 horas, um caso positivo do SARS-CoV-2, o sexto naquela ilha desde o início da pandemia. A infecção é resultado de uma viagem interilhas.

A última notícia de um caso ativo na “ilha do Sol”, antes do que foi anunciado hoje, remonta a 24 de novembro do ano passado, há quase três meses e o primeiro caso ali diagnosticado ocorreu a 24 de setembro de 2020.

O boletim diário da Autoridade de Saúde Regional (ASR) hoje divulgado informa que nos Açores foram diagnosticadas 10 novas infecções, das quais nove em São Miguel e uma em Santa Maria, conforme atrás referido.

A ilha do Pico, sem novos casos e uma cadeia de transmissão local com cinco elementos, mantém seis ativos.

No Faial também não se registaram alterações recentes, continuando o concelho da Horta com um caso ativo.

Presentemente no arquipélago há 91 casos positivos ativos, dos quais 76 em São Miguel, sete na Terceira, seis no Pico, um no Faial e um em Santa Maria.

Até agora, nos Açores, foram identificadas 3.809 infecções da COVID-19, ocorreram 29 óbitos e recuperaram da doença 3.585 pessoas. |X|

SOUTO GONÇALVES TEXTO

Ribeiro na Unidade de Saúde

O diário Incentivo, que se publica na Horta, avança hoje, em primeira mão, que Teresa Ribeiro será a próxima presidente do conselho de administração da Unidade de Saúde da Ilha do Faial (USIF).

O jornal também adianta que “continua a pairar a possibilidade de substituição de João Morais”, presidente do conselho de administração do Hospital da Horta.

Teresa Ribeiro, jurista, formadora da Escola Profissional da Horta, é um quadro do PSD local, preside à Assembleia Municipal da Horta e chegou a ser apontada à administração do Hospital em consequência da mudança de governo nos Açores.

O Incentivo escreve que “este processo esteve envolvido em alguma confusão porque foi falado outro nome para o mesmo lugar”. Segundo o jornal “era o de Cristina Abrantes, enfermeira e provedora da Santa Casa da Misericórdia da Horta, que acabou por ser preterida, em resultado do veto do CDS”.

Nos últimos dias era voz corrente entre os funcionários da USIF que esta enfermeira, que é vice-presidente da Comissão Política Regional do PSD-Açores e membro da Comissão Política de Ilha do PSD-Faial, aguardava apenas a data da tomada de posse.

O jornal também diz que a nova presidente da USIF, avalizada pelo segundo maior partido da coligação que sustenta o governo regional, assumiu o compromisso de integrar na sua equipa uma enfermeira que tenha o beneplácito “centrista”.

O convite para presidir à USIF — revela o diário faialense — já foi formalizado pelo secretário regional da Saúde e Desporto e aceite por Teresa Ribeiro, precisamente duas semanas depois de Clélio Meneses ter “pedido” 15 dias ao atual conselho de administração para resolver o assunto, conforme, na altura, ESCREVI.BLOG noticiou.

A USIF é dirigida desde 2015 por Helena Reis cujo trabalho tem merecido reconhecimento geral.

JOÃO MORAIS: “NIM”

Resolvida a questão da USIF, sobra, no plano das instituições de saúde do Faial, o Hospital da Horta.

O presidente do respetivo conselho de administração ainda tem dois anos de mandato, mas há quem queira que não os cumpra. A resistência tem origem, de acordo com o Incentivo, no PSD do Faial, que chegou a pedir a sua demissão. Todavia existe quem, conclui o jornal, prefere não pagar uma indemnização a João Morais, que seria a consequência do seu afastamento do cargo. |X|

SOUTO GONÇALVES TEXTO