Paula Decq Mota relança PCP

Assembleia da organização do Faial não se reúne desde 2013

A nova líder do PCP no Faial fotografia com direitos reservados


A última coisa que se pode esperar do Partido Comunista Português (PCP) é que baixe os braços. Apesar do resultado desastroso nas últimas eleições regionais e de não terem confirmado as boas expectativas no círculo eleitoral do Faial, os comunistas voltam a arregaçar as mangas

SOUTO GONÇALVES TEXTO

Não se pode dizer que a Direção da Organização da Região Autónoma dos Açores (DORAA) do PCP andou a dormir na forma, pois em todas as eleições, através da Coligação Democrática Unitária (que junta PCP, Partido Ecologista Os Verdes e Intervenção Democrática, estes dois inexistentes no arquipélago), tem marcado presença e se feito ouvir de alguma maneira no panorama político regional.

Mas é notória a perca de fôlego nos últimos anos. Acontece com qualquer um, seja no plano regional, seja a um nível mais baixo. Os partidos, depois de grandes líderes, levam tempo a recompor-se.

José Decq Mota, pela longevidade, pela qualidade da sua ação política e até pela boa imprensa que conquistou, dificilmente poderia ver suceder-lhe uma figura igualmente carismática.

Aníbal Pires, mesmo assim, aguentou o balanço, mas as coisas nunca mais foram como dantes. O sindicalista Vítor Silva, senhor que se seguiu, foi sol de pouca dura à frente da DORAA e a passagem de João Paulo Corvelo pelo parlamento não conseguiu, antes pelo contrário, fazer esquecer os antecessores — o erudito Aníbal Pires, o trabalhador Paulo Valadão e o orador Decq Mota.

O funcionário Marco Varela dirige atualmente os comunistas no arquipélago, sem desmerecer o cargo, embora dificilmente possa ser encarado como uma solução prometedora. Aliás, as dificuldades para encontrar uma liderança forte têm mergulhado o PCP-Açores numa espécie de anemia. A assembleia da Organização da Região Autónoma dos Açores continua adiada.

No Faial, estabelecidas as diferenças, mobilização e resultados não são propriamente os termos indicados para caracterizar o estado do partido.

Institucionalmente os comunistas estão na Assembleia Municipal da Horta através da velha raposa José Decq Mota, mas a representação do partido já foi feita por dois deputados municipais. Também já lá vai o tempo em que participaram na vereação. Em Pedro Miguel e na Matriz deixaram de integrar as respetivas juntas de freguesia.

Enquanto isto, Paula Decq Mota concorreu à câmara em 2017, quando ainda pertencia à Junta de Freguesia da Matriz. Não surpreendeu. Apresentou-se, no entanto, nas últimas eleições regionais de 2020 pelo círculo eleitoral do Faial, conseguindo concitar na opinião pública um sentimento de adesão ao ponto de ter havido quem a colocasse, perante o seu desempenho na campanha eleitoral, ao nível dos candidatos que vieram a ser eleitos. As urnas não o confirmaram.

A última assembleia da organização do Faial remonta a 2013 e a que seria realizada em 2020, acabando com um longo hiato, foi cancelada por causa da pandemia.

Esta sucessão de dificuldades parece ter levado os comunistas do Faial a uma introspeção relativamente à sua vida interna.

Eis senão quando e depois de ter dado alguns sinais de que não baixaria os braços por causa da derrota de outubro passado, Paula Decq Mota surge de mangas arregaçadas.

Em ano de eleições autárquicas o PCP, mesmo sem a realização da assembleia, refrescou a Comissão de Ilha do Faial (CIF), pelo método estatutário da cooptação e elegeu a coqueluche comunista para ser a cara dos próximos combates.

Sob a coordenação de Paula Decq Mota foi criada uma comissão executiva, ficando, assim, lançados os dados para a batalha que se aproxima, não sendo difícil de adivinhar que esta professora de matemática, sindicalista ativa e cidadã cívica e politicamente interveniente acumule a direção partidária com a candidatura à Câmara Municipal da Horta como cabeça-de-lista.

A CIF já sob a coordenação de Paula Decq Mota deliberou criar uma comissão executiva, ficando, assim, lançados os dados para a batalha que se aproxima, não sendo difícil de adivinhar que esta professora de matemática, sindicalista ativa e cidadã cívica e politicamente interveniente acumule a direção partidária com a candidatura à Câmara Municipal da Horta como cabeça-de-lista.

Com as novas responsabilidades Paula Decq Mota não evitará, facilmente, que dela se fale como provável futura líder do partido nos Açores, até porque a organização do Faial sempre teve uma palavra a dizer na estrutura regional comunista.

AS CARAS DO PCP NO FAIAL

Quem acompanha, minimamente, a política local vinha se interrogando sobre o futuro do PCP nesta ilha. A sede iça a bandeira diariamente sem interrupções, mas o movimento que outrora ali existia não é o mesmo.

Toda a gente sabe que o partido gira em torno de um conjunto não muito alargado, mas indefetível, de militantes e com o passar do tempo a falta de renovação torna-se um problema, ainda por cima numa terra pequena, onde há pouca gente.

No entanto, nesse quadro limitado, o PCP conseguiu, agora, senão atrair novas caras em número significativo, pelo menos baralhar e dar de novo, o que, em política, pode ser suficiente para alcançar determinadas metas, visto que, mais importante do que o que se diz é aquilo de que se consegue convencer o eleitorado.

Mantendo, na generalidade, a sua composição, a CIF cooptou três elementos, que tinham “começado a realizar maior número de tarefas no partido, desempenhando assim um papel mais ativo”, segundo Paula Decq Mota. São eles Carlos Fraião — cujo estatura intelectual é indiscutível —, Manuela Flores e Joana Fernandes.

Os membros que se mantêm na CIF são: António Manuel Freitas, Bruno Escobar, Hélia Decq Motta, Isabel Silva, Joana Decq Motta, João Decq Motta, José Decq Mota, José Leitão, José Liduíno, Céu Decq Mota, Luís Decq Mota, Mário Serpa, Paula Decq Mota, Rui Rodrigues e Walter Lavrado. A comissão executiva, que emerge da CIF, é composta por Paula Decq Mota, Joana Fernandes, João Decq Motta e Manuela Flores.

João Decq Mota era o coordenador em funções que, em face das suas responsabilidades no movimento sindical, levou a CIF a analisar a situação e optar pela eleição de uma nova líder comunista local.

A próxima Assembleia da Organização do Faial do PCP será a décima segunda, sem data ainda marcada por causa da pandemia. |X|

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