BICADAS # 2

Alexandra Manes, do Bloco de Esquerda, nesta tarde, no plenário parlamentar fotografia: portal da ALRAA

SOUTO GONÇALVES TEXTO

Enquanto granizava lá fora, digo, em Castelo Branco, onde tenho montada a minha redação — perdoem-me esta ideia de grandeza, mas talvez uma redação, ainda que formada por apenas um elemento, não deixa de ser redação, enquanto espaço onde se escreve um jornal, neste caso um blogue —, mantinha-me atento à transmissão “online” dos debates do plenário parlamentar em curso.

Espantei-me a dado passo com o que ouvi! “A senhora deputada não é mais animalista do que eu!” (as palavras exatas poderão não ter sido estas, pois não anotei), atirou o… bom, aqui surge uma dificuldade: há socilalistas, sociais-democratas, centristas, monárquicos, bloquistas, liberais, mas faltam adjetivos para os militantes do Chega e do PAN. Para quem escreve isto é um problema.

Estava eu a dizer: atirou o… deputado do PAN, dirigindo-se à bloquista Alexandra Manes. Fiquei estupefacto, porém, sem motivo para tanto.

Considerar alguém animalista, para mim, era a mesma coisa do que chamar animal a essa pessoa. Ora, por maior consideração que os animais me mereçam — e merecem, sim — não me cabia na cabeça que este fosse um tratamento admissível.

Molhei a ponta do dedo grande na língua (fi-lo inconscientemente, pois a pandemia não o aconselha), folheei o dicionário e cheguei à conclusão que o qualificativo está empregue com a maior propriedade.

É caso para dizer: vivendo e aprendendo.

Um dos dicionários que compulsei diz que animalismo é, no campo político, uma “corrente ou posição de quem procura agir em defesa dos animais, advogando medidas de salvaguarda do seu bem-estar e liberdade e opondo-se a atividades que envolvam algum tipo de sofrimento ou exploração”. No campo filosófico, “corrente ou posição de quem renega a excecionalidade da condição humana, advogando a atribuição de igual importância às formas de vida animal e humana”.

No que toca à corrente política estou perfeitamente à vontade para apoiar qualquer partido que defenda os princípios atrás referidos. No que diz respeito à abordagem filosófica do animalismo tenho muitas reservas em aceitar o que o dicionário propõe, apesar dos meus cães, que seguem atentos o som do teclado enquanto rabisco estas divagações.

Daquele naco de disputa parlamentar retive a interessante corrida entre o PAN e o BE para ver quem é mais animalista. A causa é nobre! |X|


BICADAS é um espaço de opinião crítica, “politicamente (in)correta”, sobre a atualidade do meio local.

“AVENTUREIROS”

Fotografia de José Macedo


“AVENTUREIROS” é uma rubrica de registo da chegada de iates ao porto da Horta a partir das publicações do fotógrafo José Macedo, que, através do Facebook, faz um acompanhamento diário do movimento de “aventureiros” (designação pela qual, no passado, este tipo de embarcação era conhecido na Horta).

Recuperação da COVID-19 no Pico

Fotografia de Esmeralda Rosa


Foi registada nas últimas 24 horas uma recuperação da COVID-19 no Pico, na freguesia das Bandeiras, diminuindo para sete o número de casos ativos naquela ilha, que mantém ativa uma cadeia de transmissão local da doença.

No Faial não há notícia de alterações, continuando a existir um caso positivo ativo, atribuído, na comunicção da Autoridade de Saúde Regional, à freguesia dos Cedros. Porém e na sequência de várias reações, tornadas públicas, que têm afirmado não haver naquela freguesia qualquer caso positivo do novo coronavírus, ESCREVI.BLOG tentou apurar, através de fonte oficial, a verdadeira proveniência da infecção atualmente ativa no Faial. Até agora não obteve resposta.

Entretanto, contactado por este blogue, o presidente da junta dos Cedros garantiu que não há COVID-19 naquela freguesia, ou que, pelo menos, o indivíduo com infecção pelo novo coronavírus a ela atribuído não é natural nem residente na localidade nortenha.

Vítor Vargas assegura que já verificou a documentação relacionada com o cartão de cidadão nos serviços da junta de freguesia e que o nome em causa não figura na lista de residentes, para além de ter feito uma observação no terreno, chegando à mesma conclusão.

O autarca estabeleceu, inclusivamente, contactos oficiais com diversas entidades locais e nenhuma delas confirmou qualquer caso positivo nos Cedros.

Deste modo fica no ar a pergunta: afinal onde reside o indivíduo em causa?

Presentemente, na região, existem 63 casos positivos ativos: 51 em São Miguel, sete no Pico, três na Terceira, um no Faial e um em Santa Maria. Desde o início da pandemia foram diagnosticados 3.834 casos, recuperaram da doença 3.637 doentes, faleceram 29, saíram da Região 67, enquanto 38 comprovaram cura de anterior infecção. |X|

SOUTO GONÇALVES TEXTO