SATA ATERRA DEBAIXO DE MAU TEMPO

A transportadora aérea regional já realizou hoje as duas primeiras ligações que estavam previstas para o Aeroporto da Horta. As aeronaves aterraram às 9h18 e 10h28, provenientes de Ponta Delgada e da Terceira.

Ainda neste dia a pista de Castelo Branco deverá receber mais quatro voos oriundos das Flores (11h50), Ponta Delgada (11h50), Terceira (15h25) e Corvo (15h50).

Apesar do mau tempo, em certos momentos com um cariz de tempestade, o movimento no Aeroporto da Horta decorre dentro da normalidade. No entanto, o Dash 400 (o avião maior) da SATA Air Açores, que tocou a pista às 10h28 de hoje, procedente da ilha Terceira, descreveu uma linha de aproximação um pouco diferente do habitual, afastando-se consideravelmente para sudoeste do Faial para depois aterrar, no sentido Morro – Monte da Guia, sob chuva e vento muito fortes, do quadrante sueste (de acordo com a previsão do Windguru) ou sul (conforme observação no terreno feita pelo autor deste texto).

Terá sido uma aterragem com grande turbulência, que ocorreu sob condições de visibilidade extremamente reduzidas. Observada a cerca de meio quilómetro, de forma perpendicular, praticamente não era possível descortinar a pista, pois apenas se via, com dificuldade, as respetivas luzes acessas. |X|

FC FLAMENGOS GANHA E SOBE

À 5.ª jornada (em 18) o Futebol Clube dos Flamengos (FCF), a disputar o Campeonato de Futebol dos Açores (CFA), saboreou a primeira vitória

O triunfo teve um sabor especial pois foi obtido diante de um rival da ilha vizinha, que deu a este jogo um carácter de “derby”.

A equipa faialense impôs-se por um claro 3-1, no seu reduto. Marcaram pelos azuis João Gonçalves, que inaugurou e depois José Humberto (2-1) e Tiago Furtado, que fechou a conta. O veterano faialense que defende a camisola do Vitória do Pico conseguiu equilibrar o “placard” quando empatou a partida (1-1).

Paulatinamente o FC Flamengos vai subindo na classificação e é 7.º classificado neste momento, com menos um jogo, que não realizou ainda contra o SC Marítimo.

Com o resultado positivo obtido na tarde de hoje a equipa do vale dos Flamengos trocou de posição na tabela classificativa com o representante picoense no CFA, mantendo um despique interessante no que toca aos representantes da Associação de Futebol da Horta nesta competição. |X|

Inauguração do cinema no Sporting

MEMÓRIA DA IMPRENSA

CINEMA NO SPORTING | Notabilizou-se como Cine-Salão, a sala de cinema na sede do Sporting Clube da Horta, à Rua Eduardo Bulcão, (ou “Rua do Sporting”, como também é conhecida), na Matriz da Horta, rivalizando com o Teatro Faialense na exibição de filmes no Faial. Ainda sem esta denominação, ocorreu no primeiro dia de dezembro de 1938 a inauguração da projeção de películas por esta coletividade desportiva que também desenvolveu uma atividade recreativa e cultural de grande mérito nesta ilha. Com pouco mais de uma semana de antecedência o jornal Correio da Horta, a 21 de novembro, há 83 anos, anunciava o acontecimento. “É no próximo dia 1.º de Dezembro que o Sporting inaugura as suas sessões cinematográficas. Tratando-se de uma sessão inaugural e querendo o Sporting que a mesma deixe, ao publico a melhor das impressões, para ela escolheo dentre a vasta programação contratada, um filme de muita nomeada que alcançou grande êxito a quando da sua exibição no esplendido cinema Tivoli de Lisboa. O facto do filme escolhido ter sido passado na tela do Tivoli, um dos melhores, senão o melhor cinema da capital, que só exibe obras primas consagradas pela critica mundial, basta para fazer o reclame do mesmo filme. Mas a enaltecer mais ainda o valor desta super-produção, temos os nomes dos celebras artistas que nela actuam: Gary Cooper, um simpático actor já nosso conhecido que se impõe pela sua arte, e Anne Sien, uma grande “estrela” da constelação de Hollywood. Tanto um como o outro são dois grandes “azes” arrancados da galeria de honra dos estúdios pela sábia mão do consagrado cineasta King Vidor, realizador do filme, para tomarem parte no esplendido conflito que se narra em brilhantes páginas de cinema, na primorosa produção da United Artists a que deram o nome de “Noite de Pecado”. É pois este filme de fundo que o Sporting nos dará na sua sessão inaugural do 1 de Dezembro. |X|

NOTA: As citações respeitam a ortografia da época. Provavelmente por falta de tipo (caracteres) nas tipografias algumas palavras não eram devidamente acentuadas.

AVIÕES ATERRAM NORMALMENTE

Voo SP 570 da SATA Air Açores após a ligação Ponta Delgada – Horta neste domingo, 21 de novembro de 2021 | fotografia de Herberto Gomes

Apesar da chuva intensa, durante a madrugada e manhã e das nuvens muito baixas o movimento aeroportuário no Faial está a decorrer com normalidade. Durante a manhã de hoje aterraram no Aeroporto da Horta quatro aeronaves da SATA, provenientes de Ponta Delgada, de Lisboa, do Corvo e das Flores e ainda um avião da Força Aérea Portuguesa (FAP), da esquadra “Elefantes” (parecido com o “Aviocar”). Ainda está previsto mais um voo da SATA ao fim da tarde, com origem em Ponta Delgada.

O arquipélago dos Açores está sob aviso amarelo emitido pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) por causa de “precipitação por vezes forte, podendo ser acompanhada por trovoada”, vigorando, no Grupo Central, até às 20 horas de amanhã. |X|

Incêndios na igreja dos Cedros, na fábrica Primavera e morte de bombeiro

Completa-se hoje meio século sobre um dia em que o Faial sentiu na pele o amargo da desgraça

Há 50 anos, a 20 de novembro de 1971, os faialenses foram apanhados de surpresa por duas notícias dramáticas, no mesmo dia: a deflagração de incêndios na igreja dos Cedros, pela madrugada e na fábrica Primavera, no Pasteleiro, ao fim da tarde.

Antes de fechar a edição desse sábado fatídico o vespertino Correio da Horta ainda foi a tempo de noticiar que “o desaparecimento da Igreja dos Cedros emocionou a ilha inteira”.

Apesar desta irreparável perda, a que se juntaram os enormes prejuízos na fábrica Primavera, o acontecimento mais infausto foi a morte de um bombeiro do serviço de combate a incêndios do Aeroporto da Horta, num acidente de viação ocorrido durante a deslocação para auxílio dos bombeiros voluntários que combatiam as chamas do estabelecimento fabril.

O autor deste texto recorda-se da madrugada de 20 de novembro de 1971 por causa do aflitivo toque da sereia dos bombeiros e, pouco depois, da passagem em alvoroço pela Rua de São João das viaturas de combate a incêndios com destino ao norte da ilha.

De acordo com informação obtida da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários do Faial (AHBVF) “cerca das 3 horas da madrugada a cidade foi alvoroçada com o alarme de fogo”. A mesma fonte relata a “insistência da sirene dos Bombeiros”, o que “fazia prever que se tratava de uma ocorrência grande”.

O segundo alarme, para o incêndio da fábrica Primavera, foi dado por volta das 17 horas, consoante os dados recolhidos junto da AHBVF, quando as pessoas ainda não se tinham refeito da tragédia da madrugada desse dia.

Não é difícil imaginar o impacto destes dois sinistros no estado de alma da população faialense, como, aliás, referiu o Correio da Horta, atrás citado.

Mesmo sem dispor dos meios de comunicação que hoje estão ao alcance da generalidade das pessoas, os faialenses ter-se-ão apercebido rapidamente do sucedido e vivido momentos de profunda consternação.

Os próprios bombeiros, para além da excecionalidade e da exigência destas duas intervenções, enfrentaram a perda de um camarada e um inesperado contratempo, pois uma viatura TPP (Transporte de Pessoal Pesado), a ainda hoje existente, já sem funções operacionais, Chevrolet, popularmente conhecida como “carro da malta”, avariou nas curvas da Ribeirinha quando se dirigia aos Cedros.

FOGO POSTO

João Luís de Oliveira Pereira, 79 anos de idade, um dos poucos “soldados da paz” desse tempo e que aderira aos bombeiros precisamente em 1971, recorda a grandiosidade do fogo, em cujo combate participou e a impotência para evitar as consequências da voracidade das chamas, que apenas pouparam as duas sacristias do templo e a torre sineira.

Este antigo bombeiro, que considera o incêndio da igreja dos Cedros como um dos maiores que enfrentou, explica que, dada a distância do quartel e o local do sinistro, as possibilidades de obter êxito no salvamento de alguns bens eram muito reduzidas.

O carismático e experientíssimo ajudante de comando dos bombeiros faialenses, João Porto, já falecido, lembrava que o alarme de um incêndio dado de madrugada significava, à partida, que poucas hipóteses existiriam de combater as chamas com sucesso. Durante a noite, com as pessoas a dormir, é natural que se apercebam tardiamente do fogo, sobretudo em locais ou edifícios não frequentados em período noturno.

Incêndios em igrejas terão muitas vezes na sua origem descuidos relacionados com velas acesas deixadas sem vigilância. O autor do texto, que foi acólito na paróquia da Matriz da Horta, lembra-se das chamadas de atenção do pároco, José de Freitas Fortuna, quando se tratava dos procedimentos próprios do final das cerimónias religiosas, recomendando, sempre, que houvesse certeza absoluta de que não subsistiam sinais de lume nos círios apagados.

Cristina Silveira, autora do livro, em dois volumes, “Cedros: do Povoamento à Actualidade” (2017), dedica um capítulo ao incêndio da igreja de Santa Bárbara, deixando no ar a interrogação “tragédia ou vingança?”

Esta jornalista cedrense, que foi redatora de O Telégrafo e tem várias obras publicadas, ouviu testemunhos de paroquianos sobre o incêndio para o livro “Cedros: do Povoamento à Actualidade” e aponta fogo posto como a hipótese mais plausível na destruição do templo, que terá sido “regado” com “gasolina ou gasóleo”, por um indivíduo a quem o pároco alegadamente recusou o batismo de um familiar, desvalorizando a possibilidade de a causa ser uma vela acesa cuja chama alastrasse, em abono do que apresenta uma interpretação para se afastar desse caminho, relacionada com observações no local realizadas após o sucedido.

UM CIGARRO

O antigo bombeiro João Luís não esqueceu o dia 20 de novembro de 1971, em que, após a extinção de um incêndio muito trabalhoso, teve que acudir a outro não menos perigoso, na fábrica Primavera, conhecida pela apreciada “laranjada do Raimundo Lemos”.

Ao contrário do caso da igreja dos Cedros, neste, as circunstâncias do acidente que conduziu à destruição pelo fogo da fábrica situada no Pasteleiro (nas proximidades da antiga fábrica do peixe) são conhecidas.

A firma Raimundo Lemos, Lda, dona da Primavera, tinha como sócios Raimundo Rodrigues Garcia de Lemos (fundador), José Moniz Bettencourt e João Borges.

É precisamente João Pereira Borges, empresário responsável por importante atividade comercial e industrial na ilha do Faial, que explica, com “profunda mágoa”, o sucedido.

“O incêndio foi despoletado numa das secções de fabrico de licores, então em laboração e onde um dos operários de serviço, que havia acabado de entornar uma embalagem de álcool no piso, vê entrar outro colega que, não se tendo apercebido que o piso estava molhado, resolve acender um cigarro para o que acionou o seu isqueiro e logo a sua chama provocou uma explosão e consequentemente deflagrou o incêndio”, descreve João Pereira Borges, revelando apurada memória.

“Porque se tratava de uma situação de elevado risco, dada a proximidade de outras dependências com matérias-primas altamente combustíveis, nomeadamente alguns bidons de álcool, garrafas de gás carbónico, para os refrigerantes, etc, do que demos conhecimento aos bombeiros, estes pediram ajuda aos bombeiros do aeroporto”, conta este empresário.

ACIDENTE MORTAL

No combate a este incêndio, para além dos bombeiros voluntários, encontrava-se presente o chefe José Chaves Baptista, dos bombeiros do aeroporto, segundo os dados que nos foram fornecidos pela AHBVF.

Terá sido por seu intermédio que foi solicitada a presença de um reforço de pessoal e equipamento do serviço de combate a incêndios do Aeroporto da Horta.

“Os bombeiros rapidamente entraram em ação, o fogo parecia estar vivo e perto dele espreita o grande perigo, havia um bidão de álcool que rebenta, outros três mil litros de álcool permanecem bem perto e o incêndio alastra”, segundo os documentos da AHBVF.

Infelizmente, o socorro do aeroporto não se verificou, os bombeiros voluntários tiveram que resolver o problema sozinhos, mas, pior do que isso, foi a viatura que partira de Castelo Branco para a cidade não ter chegado ao destino porque a meio caminho, na zona das Eiras, onde existiu um silo da firma Martins & Rebelo, descontrolou-se ao descrever uma curva e contracurva, ficando voltada e imobilizada.

O carro de combate transportava quatro bombeiros, um dos quais faleceu, enquanto os outros foram assistidos no hospital. Tratava-se de elementos do Aeroporto de Santa Maria a prestar serviço na Horta.

O jornal O Telégrafo, no relato do acidente, falou da eventualidade do rebentamento de um pneu dianteiro da viatura, mas a voz popular também diz que o tanque de água deste pronto-socorro não estaria atestado, o que terá provocado desequilíbrio.

Várias pessoas acudiram ao local e, de acordo com o Correio da Horta, “seis homens apenas” endireitaram a enorme viatura “com a sua força e a força da aflição”, socorrendo os ocupantes.

O desastre aconteceu a quatro dias da passagem do terceiro mês sobre a inauguração do Aeroporto da Horta (24 de agosto de 1971), quando ainda fumegavam os restos da igreja de Santa Bárbara, que o padre Júlio da Rosa encontrou, conforme escreveu n’ O Telégrafo, com “as paredes de chagas abertas, as colunas lívidas a esbracejar para o céu num grito de angústia”. A igreja foi reconstruída, não sem que o modelo escolhido ficasse isento de polémica, como assinala Cristina Silveira no livro já citado. A fábrica, por sua vez, ainda sobreviveu mais 25 primaveras, com atividades envolvendo massas alimentícias; torrefação de cafés, cevada e chicória; confeitos, amêndoas e marmelada; licores e fabrico de vassouras, entre outros produtos, de que se destaca, afirma João Pereira Borges, “a água tónica, que contribuiu para celebrizar o gin tónico do Peter”. |X|

Delinquência infantil na Horta

MEMÓRIA DA IMPRENSA

RAPAZIO | Na segunda-feira, 19 de novembro de 1962 (há 59 anos), o Correio da Horta, na sua rubrica diária, na página 2, denominada Dia a Dia, sob o título “Rapazio”, queixava-se de vandalismo na cidade da Horta, nos seguintes termos: “Anda por aí formando grupo, à escâncara, em pleno dia. Com o pretexto de esmolar, introduz-se nas propriedades (ou faz sua escalada organizada) e surripia quanto pode; doutras feitas sobe à Matriz, para surpreender e furtar os pombais. É gente de pouco mais de palmo e meio, mas que se reune já na sedução do vício e que reconhece um orientador ou chefe. Há que reprimir esta delinquência infantil, aplicando-lhe os meios de segurança prevista na Lei. É um mal que urge debelar, a fim de evitar consequências graves. Cure-se a ferida antes que transmude em chaga.”

FILHA DE ERMELINDO ÁVILA | Nestes tempos mais antigos os jornais locais mostravam preocupação, disso fazendo notícia, pela doença das pessoas, dando atenção, naturalmente, às que hoje se designariam como figuras públicas ou seus familiares. Foi o caso, há 59 anos, de uma filha do “sr. Ermelindo Machado Avila, funcionário administrativo do Município das Lajes do Pico”, que, nas Angústias, passava “incomodada de saúde” e se encontrava a frequentar o Magistério Primário. Tratava-se da “sr.ª D. Helena Maria Lopes Avila”.

ATROPELAMENTO | Relacionada com o Pico, este diário faialense publicava mais uma notícia, do atropelamento da “Sr.ª D. Maria da Piedade Simas, que deu entrada no Hospital da Santa Casa da Horta, em estado grave”, após ter sido colhida por uma camioneta no Arrife , concelho das Lajes do Pico, no dia anterior.

BACALHOEIROS | “A fim de reabastecerem de óleo e provisões, deram entrada no nosso porto os bacalhoeiros espanhois ‘Rio Narcea’ e ‘Rio Dobra’”, informava o Correio da Horta, a 19 de novembro de 1962. |X|

NOTA: As citações respeitam a ortografia da época. Provavelmente por falta de tipo (caracteres) nas tipografias algumas palavras não eram devidamente acentuadas.

Chega!

Assisti, com a máxima atenção, à conferência de imprensa do deputado regional José Pacheco, na manhã de hoje, pela televisão. Não tomei notas nem mais tarde revi a suas palavras, o que as novas tecnologias hoje permitiriam se fosse essa a minha predisposição. Apesar das dificuldades de memória que a idade já me impõe, ainda sou capaz, creio eu, de me recordar do essencial do que foi dito, até porque acho que o deputado se mostrou muito objetivo nas suas declarações.

Para ficar bem perante a maioria (relativa e pequena, com toda a certeza) das pessoas que possam ler este artigo teria que me insurgir contra José Pacheco. Fica bem zurzir no Chega e atribuir a este partido os maiores males de que a nossa democracia sofre e vai continuar a sofrer! Não vou fazer isso, porque nunca moldei a minha opinião às circunstâncias, embora corra o risco de ter que aturar um ou outro frequentador do Facebook armado em zelador de princípios ou a tentar “colar-me” a este partido, em relação ao qual sou um opositor sem concessões.

Outros, no lugar de José Pacheco, fariam a mesma coisa que ele está a fazer, isto é, aproveitar o capital político-eleitoral que o povo lhe deu. Olhem para Artur Lima e para Paulo Estêvão e comparem. E já nem falo do que está a ocorrer por trás da cortina, à margem do conhecimento dos açorianos.

O que José Pacheco disse – ele é que o afirmou e não qualquer comentador de meia-tigela interpretando as suas palavras, nem nenhum jornal à procura de uma manchete vendedora – foi que rasgou um acordo porque esse acordo não está a ser cumprido e tem que ser melhorado.

Isto acontece na altura do debate do plano e do orçamento do governo que é o momento certo para fazê-lo, pois será nesses documentos que terão que ser acolhidas as propostas que visam o seu aperfeiçoamento.

Redução do endividamento da região; decisão sobre o futuro da SATA; criação de um organismo que combata a corrupção; efetiva fiscalização da aplicação do Rendimento Social de Inserção (RSI); “emagrecimento” do governo, que eu entendo como a necessidade de dar mais competência e eficácia ao executivo. Ora, alguma destas questões, cuja solução o deputado José Pacheco quer calendarizar, vai contra o interesse regional?

Estou completamente de acordo que estas coisas sejam devidamente planeadas, calendarizadas, senão chegaremos ao fim do mandato e José Manuel Bolieiro, com a sua cansativa bonomia, dirá que não se pode fazer tudo de uma vez.

Além disto, o Chega vai propor um apoio para estimular a natalidade. Não comento o valor, porque não tenho dados suficientes para isso, mas lembro-me de, em plena campanha eleitoral, todos os partidos e todos os candidatos levaram as mãos à cabeça e, aqui-d’el rei, as nossas freguesias, as nossas ilhas, o nosso arquipélago, estão a despovoar-se! E também me lembro que o vice-presidente do governo já anunciou uma medida de apoio direto com vista ao auxílio dos idosos nas suas próprias casas, medida que reputo da maior importância e com grande alcance social, sob diversos aspectos. Haverá razões para aprovar este e rejeitar aquele apoio?

Portanto, vendo bem, o que o Chega e o deputado José Pacheco estão a fazer não é nada de extraordinário e não é nada que qualquer outro partido não fizesse.

No xadrez parlamentar regional, não o esqueçamos, existem várias combinações que permitem evitar uma crise política, isto é, que haja eleições pouco mais do que um ano depois das últimas.

Um exemplo simples: para evitar a crise política nacional que ocorre neste momento e que toda a gente disse que não deveria ter acontecido, teria bastado o PSD abster-se na votação do Orçamento do Estado.

Concluindo: o ónus da crise não pode nem deve ser atribuído aos partidos mais pequenos, que (quase) toda a gente quer diabolizar. Os maiores estão dispensados da sua quota parte para garantir a estabilidade que tanto pedem aos cidadãos aquando das eleições?

Qual a responsabilidade do PS perante uma crise açoriana?

O que acabo de dizer sobre o Chega, digo-o sobre a Iniciativa Liberal (IL). Quando Nuno Barata, o deputado IL dos Açores, pôs em causa o apoio ao plano e orçamento se a questão da SATA não fosse resolvida, ou, no mínimo, esclarecida, vi nessa atitude, não só coragem, como oportunidade política e sentido de Estado, pois os açorianos não podem continuar na ignorância sobre a forma como o seu dinheiro está a ser usado e, sobretudo, não podem ver o futuro dos seus filhos completamente posto em causa, que é o que vai acontecer enquanto a nossa companhia a aérea continuar a lançar dinheiro como se para um esgoto se tratasse. |X|

Mau tempo no fim de semana

Chuva e vento no sábado e domingo próximos, 20 e 21 de novembro, é a previsão do tempo para o Grupo Central do arquipélago de acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), que emitiu um aviso amarelo, em vigor entre as 11 horas de amanhã e as 23 horas do dia seguinte, por causa de “precipitação por vezes forte, podendo ser acompanhada por trovoada”.

PREVISÃO DO IPMA PARA O GRUPO CENTRAL

Sábado: Céu geralmente muito nublado; períodos de chuva e aguaceiros, por vezes fortes a partir da tarde; condições favoráveis à ocorrência de trovoada; vento sueste moderado a fresco (20/40 km/h) com rajadas até 60 km/h. Domingo: Céu geralmente muito nublado; períodos de chuva e aguaceiros; possibilidade de trovoada; vento leste fresco (30/40 km/h), tornando-se muito fresco a forte (40/65 km/h) com rajadas até 80 km/h, rodando para sul para a noite.

Na segunda-feira verificar-se-á uma melhoria do estado do tempo. |X|

Estudantes “apanhados” pelo vulcão

MEMÓRIA DA IMPRENSA

VULCÃO DOS CAPELINHOS | Na segunda-feira, 18 de novembro de 1957, há 64 anos, o Correio da Horta dava conta, ao alto da primeira página, da atividade do Vulcão dos Capelinhos. “A ‘ilhota’ atinge cerca de 70 metros de altura”, escrevia o jornal, para acrescentar que “centenas de pessoas têm atravessado o areal que liga a ‘ilhota’, aproximando-se da sua vertente”. No dia anterior “caíram cinzas, principalmente no Capelo e na Praia do Norte”, referia este diário faialense, falando das explosões da erupção que atingiram centenas de metros. As cinzas chegaram à cidade, notou o redator da notícia.

VICTOR HUGO FORJAZ | Também foi notícia de capa a passagem pelo Faial, integrado numa excursão de alunos do liceu de Ponta Delgada, o “prestante colaborador” do Correio da Horta Victor Hugo Lecoq Lacerda Forjaz, figura que hoje dispensa apresentações. A visita aconteceu “durante a demora do ‘Arnel’”. O jornal referiu-se detalhadamente ao programa da excursão e contou, com algum detalhe, a deslocação dos estudantes ao Vulcão dos Capelinhos. “O vulcão na sua frente mostrava-se com toda a sua grandeza bela e horrenda. Alguns não contiveram a sua curiosidade e lançaram-se na aventura de atravessarem o istmo da nova península e atingirem o bordo da cratera. Porém esta não foi escalada porque umas explosões mais fortes, acompanhadas de abundante queda de cinza e escórias incandescentes, puzeram termo à sua temerária ousadia. Os que ficaram plácidamente junto do Farol dos Capelinhos chegaram a recear a sorte dos seus colegas que haviam desaparecido sob uma nuvem negra. Foram protagonistas da aventura os micaelenses Alvaro França, Duval Gomes, Eduardo Cabido e Carlos Sebastião e os faialenses Henrique Barreiros, César Alberto Morais e Manuel Simas.” Também mereceu referência nesta notícia, por ter ido “ao sopé da montanha vulcânica”, a estudante faialense Aida Maria Lima, acompanhada da micaelense Isabel Conde Pinto Miranda. “Entretanto, o sr. Eng. Frederico Machado – lê-se ainda no texto –, junto ao Farol, elucidava alguns estudantes que não se cansavam de o interrogar sobre as diversas fases eruptivas do vulcão”.

VELHINHOS DO ASILO | Como é natural, nesta altura, o vulcão era um ponto de atração, por isso, o Correio da Horta noticiou que “foi proporcionado um passeio aos velhinhos do Asilo de Mendicidade à freguesia do Capelo”, precisamente para presenciarem aquele invulgar fenómeno.

VOLTA À ILHA EM BICICELTA | No dia 18 de novembro de 1957 o jornal reservou um espaço com destaque para noticiar a 2.ª Volta do Faial em Bicicleta que foi ganha em toda a linha por João de Freitas. O ciclista do Lusitânia arrecadou o 1.º lugar da classificação geral individual, foi o melhor trepador e fez parte, na classificação por equipas, do conjunto vencedor. Na “geral” o melhor faialense, Manuel Rodrigues (Fayal Sport), ficou em 2.º lugar, a 2 minutos e 56 segundos do ciclista ganhador, que tinha feito o percurso em 2 horas, 18 minutos e 35 segundos. Nos 2.º e 3.º postos das equipas ficaram o Fayal Sport Club e o Centro de Recreio Popular dos Flamengos.

NOTA: As citações respeitam a ortografia da época. Provavelmente por falta de tipo (caracteres) nas tipografias algumas palavras não eram devidamente acentuadas.

Mulher “piza-se” na venda de galinhas

MEMÓRIA DA IMPRENSA

MAU TEMPO NO CANAL | “Da ilha do Pico só passaram hoje duas embarcações”, escreveu O Telegrapho na segunda-feira, 17 de novembro de 1902, há 119 anos, em rodapé, na primeira página, deduzindo-se que, em pleno outono, o tempo não estivesse de feição. Esta notícia era acompanhada por outra, mais desenvolvida e curiosa, também sobre o Canal. “Deu-se ha dias no canal o seguinte facto: vinham para a Horta dois barcos, um dos quaes era governado por pessoa inexperiente, que teimou em adiantar esse barco ao outro, que seguia no mesmo rumo e a pequenissima distancia, a ponto de metter á orça sobre o outro, no intuito de lhe diminuir a marcha para ser o primeiro em alcançar o porto. O outro barco cedeu prudentemente. Vá este facto com vista ao sr. Capitão do porto.”

TRABALHADOR CYPRIANO PIZADO | Todos sabemos que a vida da Horta sempre girou em torno do seu porto, mas há um século a azáfama gerada nos cais da baía desta cidade tinha outro cariz, próprio da época, que, visto agora, a tanta distância, dá azo a um olhar romanesco. O seguinte episódio ilustra bem esse tempo muito diferente do atual: “Pizou-se hoje a bordo do vapor inglez que se encontra na doca descarregando carvão, o trabalhador Cypriano Gonçalves Ligeiro, devido a uma explosão n’um deposito de carvão. Abrindo a escotilha, desceu ao deposito, incendiando-se immediatamente o combustivel. Ligeiro ficou muito pizado e queimado, indo receber curativo ao hospital.”

DABNEY | O Século dos Dabney foi o de oitocentos, mas no início do seguinte esta famosa família norte-americana, que marcou a história faialense, continuava a ser notícia: “As duas pessoas da familia Dabney passarão por esta cidade no paquete inglez Vancouver.”

MOVIMENTO PORTUÁRIO | Como já se disse, o movimento do porto era constante. O Telegrapho noticiava, na edição de 17 de novembro de 1902, que “para a Hollanda saiu sabbado do nosso porto depois de receber 60 toneladas de carvão da casa Bensaude, o vapor inglez ‘CarlslrooK’ de 1350 ton. procedente de Mobille com carga de madeira”.

VENDENDO GALINHAS | Mas, nem só de mar vivia a cidade e a ilha. Este dia 17 de novembro, em 1902, não foi de sorte para o Cypriano Ligeiro, nem para uma senhora que apenas pretendia fazer pela vida, na sua modesta condição. O Telegrapho informou que “cahiu pela escada da residencia dos empregados alemães do Cabo, uma pobre mulher do monte que andava vendendo galinhas. Soffreu algumas contusões”. |X|

NOTA: As citações respeitam a ortografia da época. Provavelmente por falta de tipo (caracteres) nas tipografias algumas palavras não eram devidamente acentuadas.