PARA SÃO MIGUEL VOA-SE À GRANDE

Poucos dias após a entrada em vigor das Obrigações de Serviço Público (OSP) para o transporte aéreo interilhas, antigo quadro da SATA e ex-diretor regional de Turismo critica o facto de se viajar da Horta “quase nada”

Entrou em vigor, na passada segunda-feira, 1 de novembro, o novo contrato de Concessão do Serviço de Transporte Aéreo Regular no interior da Região Autónoma dos Açores para o período de 2021-2026, que foi assinado pelo secretário regional dos Transportes, Turismo e Energia e por um representante da SATA Air Açores.

A esse propósito, o secretário regional Mota Borges explicou que o contrato em causa representa um “reforço do compromisso com a coesão territorial entre as nove ilhas e da mobilidade entre elas”.

De acordo com uma nota distribuída pelo gabinete de comunicação do governo regional, “estas novas Obrigações de Serviço Público incluem um aumento das frequências mínimas para todas as ilhas do arquipélago, acrescentando rotas entre Ponta Delgada e Graciosa e Ponta Delgada e o Corvo, bem como o acréscimo de uma frequência semanal, no domingo, entre a Horta e o Corvo”.

A mesma nota realça “a reintrodução de um segundo voo à quarta-feira entre Ponta Delgada e Santa Maria, bem como o incremento da capacidade de carga das aeronaves, para além do ajustamento horário com o objetivo de permitir aos passageiros com destino ao exterior da Região reduzir o tempo de conexão com outras companhias áreas nos aeroportos com ‘gateway'”.

“ENRIÇADA REDE DE ROTAS”

Madruga da Costa: dedo apontado ao governo e à SATA | fotografia: direitos reservados

Na sua página do Facebook, Ricardo Manuel Madruga da Costa, que chefiou os serviços da SATA no Faial e profundo conhecedor do sector dos transportes aéreos, escreveu hoje que a nova malha de ligações interilhas é uma “enriçada rede de rotas”.

“Numa rápida observação da dita rede, conclui-se que para S. Miguel voa-se à grande e à francesa de todas as tais ilhas que habitualmente pedem esmola; da Terceira menos uma coisinha e da Horta um quase nada”. E acrescenta: “Para rotas entre as ilhas povoadas pelos pedintes, fica uma boa probabilidade de andarem aos saltinhos de ilha em ilha”.

Faialense, hoje residente em Angra do Heroísmo; doutorado em História, ex-diretor regional de Turismo, Ricardo Costa, que foi candidato a presidente da Câmara Municipal da Horta, tem intervindo na rede social Facebook com frequência, deixando vincada uma presença singular, na qual alia os seus conhecimentos e convicções sobre temas variados a uma escrita caracterizada pelo humor.

“Para abreviar horas de voo, mais uns quantos desagradáveis trânsitos, (e não vou falar dos dias de chuva ou de ventania) acho que saltar de pára-quedas à boleia de um voo dos opulentos, é uma opção a ter em conta”, sugere Ricardo Costa, confirmando a sua apetência para a ironia, um velho método de crítica que o articulista em causa usa habilmente. |X|

CHUVA A POTES!

As previsões meteorológicas acertaram e o aviso amarelo do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), que se estende até à manhã de amanhã, justificou-se: “precipitação por vezes forte, podendo ser acompanhada de trovoada”. As imagens que se seguem, da autoria de Carlos Rodrigues, foram publicadas no Facebook e captadas na tarde de hoje no Capelo (estrada da Ribeira do Cabo – Largo Jaime Melo). |X|

RIBEIRAS CORREM FORTES

Por volta das três horas da tarde de hoje as Ribeiras da Feteira (que recebe os caudais das Ribeiras de São Pedro e Granja) e Grande (esta em Castelo Branco), na ilha do Faial, corriam com força, conforme se pode observar na fotografia e vídeos aqui publicados

Ribeira da Feteira | fotografia de Souto Gonçalves

Ribeira Grande (Castelo Branco) | fotografia de Souto Gonçalves

VÍDEO AQUI.

VÍDEO AQUI.

Estas “linhas de água” continuam a desempenhar um papel vital no panorama natural das nossas ilhas como canais de escoamento das por vezes fortíssimas chuvadas que se abatem pelo arquipélago, embora, no passado, a sua importância tenha sido, porventura, maior, tendo em conta a utilidade de que se revestiam, por exemplo, para a lavagem de roupa, à mão.

Também serviam para avaliar, empiricamente, a abundância das chuvadas, pois era frequente ouvir-se, no meio rural, a expressão “a ribeira veio”, assinalando as consequências da pluviosidade em determinado momento.

Hoje existem muitas preocupações relacionadas com a limpeza destas linhas de água, que, não raramente, por falta, precisamente, de cuidado na sua desobstrução e de consciência para não conspurcá-las, são responsáveis, devido ao transbordo, por inundações e desastres que destroem bens e causam vítimas. A comunicação social, frequentemente, dá notícia desses acontecimentos.

Também é uma questão preocupante na atualidade a eliminação, sobretudo das “grotas” (pequenas ribeiras) e outros canais formados naturalmente pela orografia dos terrenos, em resultado de arroteias ou outras movimentações de terras, realizadas para benefício da agropecuária.

Estas alterações ditam, muitas vezes, a reação violenta da natureza, que procura contornar os obstáculos que lhe puseram na frente.

UMA HISTÓRIA A PROPÓSITO DE RIBEIRAS

Uma avó do autor deste texto contava que ia lavar roupa para a ribeira, em conjunto com outras mulheres do lugar onde residia (Ribeira Grande, Castelo Branco), no início do século XX.

A tarefa era árdua, sobretudo quando o sol queimava a valer e morosa, por isso, o grupo de mulheres aproveitava a hora do almoço para, em vez de comer e descansar um pouco, continuar a sua labuta e se despacharem mais cedo.

Uma sobrinha desta avó ficava em casa a fazer a lida doméstica, preparando, nomeadamente, o “jantar” (naquele tempo almoço era de manhã, jantar ao meio-dia e ceia à noite). À hora combinada, arranjava uma cesta de vimes com o farnel e chamava o “Rover”.

“Vai levar à dona”: o corpulento e bem ensinado cão metia a asa do cesto entre as mandíbulas e seguia. Chegado à ribeira, pousava-o sobre uma pedra, sentava-se e aguardava. A dona, propositadamente, fazia-o despercebido e prosseguia na lavagem da roupa. Impaciente, mas senhor da tarefa que lhe incumbia, o “Rover” levantava-se e, com a pata, batia no ombro da dona chamando-lhe a atenção.

Para se divertir com as amigas e vizinhas e pôr à prova a obediência do seu cão, a mulher deixava cair o sabão e ordenava ao “Rover” que o devolvesse às suas mãos. Após alguma insistência e não sem uma visível contrariedade, lá ia ele buscar o sabão, pegando-lhe com a boca só na ponta dos dentes, o que deixava as assistentes sempre estupefactas com tanta disciplina. |X|

LIGAÇÕES AÉREAS AFETADAS

Condições meteorológicas estão a condicionar as operações no Aeroporto da Horta

Instabilidade atmosférica atrasou ligação aérea entre as Flores e o Faial

Às 12h10 de hoje uma aeronave Dash 400 da SATA Air Açores aterrou no Aeroporto da Horta proveniente da ilha das Flores, apesar do mau tempo que se faz sentir, com céu encoberto, nuvens baixas e vento a soprar com alguma intensidade.

Esta ligação aérea entre as Flores e o Faial merece notícia porque aconteceu depois de duas tentativas frustradas para aterrar na pista do Faial durante a manhã de hoje. O voo da Azores Airlines procedente de Lisboa ainda fez a aproximação ao destino, mas divergiu para a ilha Terceira, o mesmo acontecendo, poucos minutos depois, com um voo da SATA Air Açores, que vinha de Ponta Delgada.

Estado do tempo não permitiu aterragem no Aeroporto da Horta de voos provenientes de Lisboa e Ponta Delgada

Melhor desfecho, conforme referido, teve a ligação entre as Flores e a Horta. No entanto, antes de aterrar, o avião deu várias voltas (seguramente mais de um quarto de hora), a uma razoável distância do Faial, para depois se encaminhar para a pista. Entretanto, às 12h46 partiu para Ponta Delgada.

O Aeroporto da Horta prevê receber, ainda hoje, mais três voos da SATA Air Açores, um deles do Corvo e os outros dois da ilha Terceira. Enquanto isto, o avião da Azores Airlines que não conseguiu aterrar na Horta encontrava-se, ao princípio da tarde, no Aeroporto das Lajes a aguardar a possibilidade de completar a viagem inicialmente prevista.

“A montanha do Pico constitui um gerador de turbulência que restringe drasticamente a operacionalidade do Aeroporto da Horta quando o vento sopra muito fresco, do quadrante Leste, neste caso SE/ESE, 45 km/h e rajada máxima de 65 km/h”, escreveu, a este propósito, no Facebook, Martins Goulart, que se mantém atento às questões relacionadas com o transporte aéreo, particularmente nas ilhas do Faial e Pico.

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) emitiu um aviso amarelo para o Grupo Central do arquipélago dos Açores em vigor até ao início da manhã de amanhã por causa de chuva forte e trovoada. |X|