INFORMAÇÃO, SOCIEDADE

RIBEIRAS CORREM FORTES

Por volta das três horas da tarde de hoje as Ribeiras da Feteira (que recebe os caudais das Ribeiras de São Pedro e Granja) e Grande (esta em Castelo Branco), na ilha do Faial, corriam com força, conforme se pode observar na fotografia e vídeos aqui publicados

Ribeira da Feteira | fotografia de Souto Gonçalves

Ribeira Grande (Castelo Branco) | fotografia de Souto Gonçalves

VÍDEO AQUI.

VÍDEO AQUI.

Estas “linhas de água” continuam a desempenhar um papel vital no panorama natural das nossas ilhas como canais de escoamento das por vezes fortíssimas chuvadas que se abatem pelo arquipélago, embora, no passado, a sua importância tenha sido, porventura, maior, tendo em conta a utilidade de que se revestiam, por exemplo, para a lavagem de roupa, à mão.

Também serviam para avaliar, empiricamente, a abundância das chuvadas, pois era frequente ouvir-se, no meio rural, a expressão “a ribeira veio”, assinalando as consequências da pluviosidade em determinado momento.

Hoje existem muitas preocupações relacionadas com a limpeza destas linhas de água, que, não raramente, por falta, precisamente, de cuidado na sua desobstrução e de consciência para não conspurcá-las, são responsáveis, devido ao transbordo, por inundações e desastres que destroem bens e causam vítimas. A comunicação social, frequentemente, dá notícia desses acontecimentos.

Também é uma questão preocupante na atualidade a eliminação, sobretudo das “grotas” (pequenas ribeiras) e outros canais formados naturalmente pela orografia dos terrenos, em resultado de arroteias ou outras movimentações de terras, realizadas para benefício da agropecuária.

Estas alterações ditam, muitas vezes, a reação violenta da natureza, que procura contornar os obstáculos que lhe puseram na frente.

UMA HISTÓRIA A PROPÓSITO DE RIBEIRAS

Uma avó do autor deste texto contava que ia lavar roupa para a ribeira, em conjunto com outras mulheres do lugar onde residia (Ribeira Grande, Castelo Branco), no início do século XX.

A tarefa era árdua, sobretudo quando o sol queimava a valer e morosa, por isso, o grupo de mulheres aproveitava a hora do almoço para, em vez de comer e descansar um pouco, continuar a sua labuta e se despacharem mais cedo.

Uma sobrinha desta avó ficava em casa a fazer a lida doméstica, preparando, nomeadamente, o “jantar” (naquele tempo almoço era de manhã, jantar ao meio-dia e ceia à noite). À hora combinada, arranjava uma cesta de vimes com o farnel e chamava o “Rover”.

“Vai levar à dona”: o corpulento e bem ensinado cão metia a asa do cesto entre as mandíbulas e seguia. Chegado à ribeira, pousava-o sobre uma pedra, sentava-se e aguardava. A dona, propositadamente, fazia-o despercebido e prosseguia na lavagem da roupa. Impaciente, mas senhor da tarefa que lhe incumbia, o “Rover” levantava-se e, com a pata, batia no ombro da dona chamando-lhe a atenção.

Para se divertir com as amigas e vizinhas e pôr à prova a obediência do seu cão, a mulher deixava cair o sabão e ordenava ao “Rover” que o devolvesse às suas mãos. Após alguma insistência e não sem uma visível contrariedade, lá ia ele buscar o sabão, pegando-lhe com a boca só na ponta dos dentes, o que deixava as assistentes sempre estupefactas com tanta disciplina. |X|

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