INFORMAÇÃO, SOCIEDADE

“No futuro teremos o fundo da Caldeira com uma grande lagoa”

Geólogo faialense Carlos Faria explica os fenómenos que ocorrem na Caldeira do Faial a propósito do aumento da quantidade de água que presentemente se verifica no fundo desta antiga cratera

“Se não houver grandes sismos, nem erupções na Caldeira e suas proximidades, no futuro teremos o seu fundo com uma grande lagoa”, segundo Carlos Faria, em declarações prestadas a ESCREVI.BLOG.

Fotografia de Carlos Pinheiro, obtida na segunda-feira, 8 de novembro

Fotografia de Helder Borges, terça-feira, 9 de novembro

A razão imediata para a Caldeira ter retido água como, provavelmente, nunca mais se viu depois da erupção do vulcão dos Capelinhos, a não ser já nesta semana, relaciona-se com as chuvadas que se abateram sobre o Faial nos últimos dias e, eventualmente, deve-se “à subida da água subterrânea nalgum aquífero subjacente pouco profundo”, adianta o geólogo.

Carlos Faria diz que estamos perante “uma evolução normal”. E explica: “Quando há uma erupção, a cratera de um vulcão ou a sua caldeira têm os fundos extremamente permeáveis, pois as explosões emitiram piroclastos que, se são ácidos designamos pedra-pomes, se são básicos são bagacinas, que são rochas granulosas que não retêm a água e muitas rochas anteriores sofrem fissuração deixando de ser impermeáveis.”

Entretanto, “com o passar do tempo tanto os piroclastos como as rochas fissuradas vão sofrendo alterações químicas e a circulação da água deposita sais que cimentam as primeiras e colmatam as fissuras e vão se tornando cada vez mais impermeáveis”, continua o geólogo.

Assim, “os fundos das crateras e caldeiras tendem a ter uma lagoa”. Como a Caldeira do Faial “é muito recente, tinha ainda poucas impermeabilizações e por isso só nalguns locais já havia condições para armazenar água à superfície”.

Carlos Faria recorda que “a última explosão foi na noite de 13 de maio de 1958, abrindo novas fissuras e reduzindo as lagoas, mas, com os anos, as fissuras vão sendo colmatadas e as lagoas tenderão a crescer”.

Enquanto isto, a abundância de água no fundo da Caldeira, documentada pelas fotografias de Carlos Pinheiro, captada a 8 de novembro e de Helder Borges, 9 de novembro, fez lembrar velhas estórias, quando o “peixinho da Caldeira” ali era apanhado e depois vendido pelas localidades da ilha.

Existem relatos que referem que um homem, salvo erro residente na freguesia dos Flamengos, se notabilizou na respetiva apanha, tendo ficado conhecido pela alcunha de “peixinho da Caldeira”. |X|

Standard

2 thoughts on ““No futuro teremos o fundo da Caldeira com uma grande lagoa”

  1. Comentário de José Jorge Garcia, no Facebook: “António Fialho, era o seu nome e foi nascido e criado junto às Bicas dos Flamengos. ao Lado da sede da Filarmónica, o homem que além do peixinho da Caldeira também percorria a cidade com o seu carro de gelados, que curava todas as doenças!!!!!!”

    Gostar

  2. Pingback: “No futuro teremos o fundo da Caldeira com uma grande lagoa”faial | O que escrevi, escrevi | Chrys Chrystello,Jornalista, tradutor

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s