FAIAL TODOS OS DIAS

Porto do Pico

MEMÓRIA DA IMPRENSA

Os jornais locais, volta e meia, trazem as questões das acessibilidades para as suas páginas e não é de agora que o fazem. Nada de admirar, porque, vivendo numa ilha, a nossa necessidade de ligação ao exterior, pelas mais diversas razões, é permanente. O Correio da Horta, neste dia 13 de novembro, mas em 1968 (há 53 anos), punha o problema do porto do Pico, dizendo, em título, no melhor espaço da primeira página, que a sua construção era “imperiosa e urgente”.

“Muitos são os factos que dia a dia avolumam a necessidade imperiosa da construção do porto do Pico”, começa por escrever o autor do artigo que o jornal destacou. Trata-se do professor Ruben Rodrigues, que mais tarde dirigiu o próprio Correio da Horta e, antes deste, O Telégrafo, mas que em 1968 estaria pela Madalena, onde trabalhou na biblioteca itinerante da Fundação Calouste Gulbenkian e foi vereador da câmara municipal, entre outras atividades.

O texto destinava-se a publicação no Correio da Horta, Bom Combate (Madalena) e Açores (Ponta Delgada) e emissão no Rádio Clube de Angra. Ao lê-lo fica-se a saber que o Pico, “portuguesíssimo rincão açoriano”, nessa altura tinha 21 mil habitantes.

Ruben Rodrigues expôs um “facto que, só por si, bastaria para justificar a urgente resolução de dotar-se o Pico de um porto capaz”, ironizando: “Pseudo [portos] temos muitos”. E passou à descrição do motivo que, na sua opinião, justificava a reivindicação: “O ‘Terceirense’, desde ontem, navega em viagem turística – pobres turistas! – ao redor do Pico à procura de local onde possa embarcar cerca de duas centenas de bovinos a exportar para Lisboa, tendo no seu bojo trezentas e tantas cabeças do Faial e 130 do Concelho da Madalena exportadas através dos portos da Madalena e Areia Larga.”

Segundo a crónica enviada à rádio e aos jornais o navio encontrava-se num “vaivém” das Lajes para o Cais e “vice-versa”, os “únicos portos onde os barcos da Insulana” faziam serviço. A situação agravava a economia da ilha já afetada por “um tempo que teima em ser agreste”, depois “de um verão que foi paupérrimo em pescado”.

AEROPORTO DO FAIAL | Apesar de estar no Pico, como atrás se supôs e se deduz do emprego da primeira pessoa do plural a dado passo do texto que a seguir se volta a citar, Ruben Rodrigues não nega a sua condição de faialense. Aproveitou o ensejo para introduzir o tópico do transporte aéreo, mas fê-lo como nenhum picoense o faria, o que mostra que esta é uma querela com profundas raízes num passado não tão recente como possa parecer em face da atualidade do tema, discutido quase diariamente, boa parte das vezes envolto em polémica, agora que as redes sociais o favorecem.

“Esperamos, que depois de discutidas as comunicações aéreas inter-ilhas que no caso particular do Pico não são de modo algum, no momento, aspecto fundamental para o seu progresso – não temos nem luz, nem água, nem caminhos vicinais e nem o nosso movimento de mercadorias e nem a maioria esmagadora da população viajará utilizando esse necessário mas não, no caso presente, urgente meio – em construção um aeroporto no Faial como é sabido – esperamos, repetimos, que as altas esferas se debrucem sobre o problema do Porto do Pico”. |X|

Standard

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s