Mulher “piza-se” na venda de galinhas

MEMÓRIA DA IMPRENSA

MAU TEMPO NO CANAL | “Da ilha do Pico só passaram hoje duas embarcações”, escreveu O Telegrapho na segunda-feira, 17 de novembro de 1902, há 119 anos, em rodapé, na primeira página, deduzindo-se que, em pleno outono, o tempo não estivesse de feição. Esta notícia era acompanhada por outra, mais desenvolvida e curiosa, também sobre o Canal. “Deu-se ha dias no canal o seguinte facto: vinham para a Horta dois barcos, um dos quaes era governado por pessoa inexperiente, que teimou em adiantar esse barco ao outro, que seguia no mesmo rumo e a pequenissima distancia, a ponto de metter á orça sobre o outro, no intuito de lhe diminuir a marcha para ser o primeiro em alcançar o porto. O outro barco cedeu prudentemente. Vá este facto com vista ao sr. Capitão do porto.”

TRABALHADOR CYPRIANO PIZADO | Todos sabemos que a vida da Horta sempre girou em torno do seu porto, mas há um século a azáfama gerada nos cais da baía desta cidade tinha outro cariz, próprio da época, que, visto agora, a tanta distância, dá azo a um olhar romanesco. O seguinte episódio ilustra bem esse tempo muito diferente do atual: “Pizou-se hoje a bordo do vapor inglez que se encontra na doca descarregando carvão, o trabalhador Cypriano Gonçalves Ligeiro, devido a uma explosão n’um deposito de carvão. Abrindo a escotilha, desceu ao deposito, incendiando-se immediatamente o combustivel. Ligeiro ficou muito pizado e queimado, indo receber curativo ao hospital.”

DABNEY | O Século dos Dabney foi o de oitocentos, mas no início do seguinte esta famosa família norte-americana, que marcou a história faialense, continuava a ser notícia: “As duas pessoas da familia Dabney passarão por esta cidade no paquete inglez Vancouver.”

MOVIMENTO PORTUÁRIO | Como já se disse, o movimento do porto era constante. O Telegrapho noticiava, na edição de 17 de novembro de 1902, que “para a Hollanda saiu sabbado do nosso porto depois de receber 60 toneladas de carvão da casa Bensaude, o vapor inglez ‘CarlslrooK’ de 1350 ton. procedente de Mobille com carga de madeira”.

VENDENDO GALINHAS | Mas, nem só de mar vivia a cidade e a ilha. Este dia 17 de novembro, em 1902, não foi de sorte para o Cypriano Ligeiro, nem para uma senhora que apenas pretendia fazer pela vida, na sua modesta condição. O Telegrapho informou que “cahiu pela escada da residencia dos empregados alemães do Cabo, uma pobre mulher do monte que andava vendendo galinhas. Soffreu algumas contusões”. |X|

NOTA: As citações respeitam a ortografia da época. Provavelmente por falta de tipo (caracteres) nas tipografias algumas palavras não eram devidamente acentuadas.