Delinquência infantil na Horta

MEMÓRIA DA IMPRENSA

RAPAZIO | Na segunda-feira, 19 de novembro de 1962 (há 59 anos), o Correio da Horta, na sua rubrica diária, na página 2, denominada Dia a Dia, sob o título “Rapazio”, queixava-se de vandalismo na cidade da Horta, nos seguintes termos: “Anda por aí formando grupo, à escâncara, em pleno dia. Com o pretexto de esmolar, introduz-se nas propriedades (ou faz sua escalada organizada) e surripia quanto pode; doutras feitas sobe à Matriz, para surpreender e furtar os pombais. É gente de pouco mais de palmo e meio, mas que se reune já na sedução do vício e que reconhece um orientador ou chefe. Há que reprimir esta delinquência infantil, aplicando-lhe os meios de segurança prevista na Lei. É um mal que urge debelar, a fim de evitar consequências graves. Cure-se a ferida antes que transmude em chaga.”

FILHA DE ERMELINDO ÁVILA | Nestes tempos mais antigos os jornais locais mostravam preocupação, disso fazendo notícia, pela doença das pessoas, dando atenção, naturalmente, às que hoje se designariam como figuras públicas ou seus familiares. Foi o caso, há 59 anos, de uma filha do “sr. Ermelindo Machado Avila, funcionário administrativo do Município das Lajes do Pico”, que, nas Angústias, passava “incomodada de saúde” e se encontrava a frequentar o Magistério Primário. Tratava-se da “sr.ª D. Helena Maria Lopes Avila”.

ATROPELAMENTO | Relacionada com o Pico, este diário faialense publicava mais uma notícia, do atropelamento da “Sr.ª D. Maria da Piedade Simas, que deu entrada no Hospital da Santa Casa da Horta, em estado grave”, após ter sido colhida por uma camioneta no Arrife , concelho das Lajes do Pico, no dia anterior.

BACALHOEIROS | “A fim de reabastecerem de óleo e provisões, deram entrada no nosso porto os bacalhoeiros espanhois ‘Rio Narcea’ e ‘Rio Dobra’”, informava o Correio da Horta, a 19 de novembro de 1962. |X|

NOTA: As citações respeitam a ortografia da época. Provavelmente por falta de tipo (caracteres) nas tipografias algumas palavras não eram devidamente acentuadas.

Chega!

Assisti, com a máxima atenção, à conferência de imprensa do deputado regional José Pacheco, na manhã de hoje, pela televisão. Não tomei notas nem mais tarde revi a suas palavras, o que as novas tecnologias hoje permitiriam se fosse essa a minha predisposição. Apesar das dificuldades de memória que a idade já me impõe, ainda sou capaz, creio eu, de me recordar do essencial do que foi dito, até porque acho que o deputado se mostrou muito objetivo nas suas declarações.

Para ficar bem perante a maioria (relativa e pequena, com toda a certeza) das pessoas que possam ler este artigo teria que me insurgir contra José Pacheco. Fica bem zurzir no Chega e atribuir a este partido os maiores males de que a nossa democracia sofre e vai continuar a sofrer! Não vou fazer isso, porque nunca moldei a minha opinião às circunstâncias, embora corra o risco de ter que aturar um ou outro frequentador do Facebook armado em zelador de princípios ou a tentar “colar-me” a este partido, em relação ao qual sou um opositor sem concessões.

Outros, no lugar de José Pacheco, fariam a mesma coisa que ele está a fazer, isto é, aproveitar o capital político-eleitoral que o povo lhe deu. Olhem para Artur Lima e para Paulo Estêvão e comparem. E já nem falo do que está a ocorrer por trás da cortina, à margem do conhecimento dos açorianos.

O que José Pacheco disse – ele é que o afirmou e não qualquer comentador de meia-tigela interpretando as suas palavras, nem nenhum jornal à procura de uma manchete vendedora – foi que rasgou um acordo porque esse acordo não está a ser cumprido e tem que ser melhorado.

Isto acontece na altura do debate do plano e do orçamento do governo que é o momento certo para fazê-lo, pois será nesses documentos que terão que ser acolhidas as propostas que visam o seu aperfeiçoamento.

Redução do endividamento da região; decisão sobre o futuro da SATA; criação de um organismo que combata a corrupção; efetiva fiscalização da aplicação do Rendimento Social de Inserção (RSI); “emagrecimento” do governo, que eu entendo como a necessidade de dar mais competência e eficácia ao executivo. Ora, alguma destas questões, cuja solução o deputado José Pacheco quer calendarizar, vai contra o interesse regional?

Estou completamente de acordo que estas coisas sejam devidamente planeadas, calendarizadas, senão chegaremos ao fim do mandato e José Manuel Bolieiro, com a sua cansativa bonomia, dirá que não se pode fazer tudo de uma vez.

Além disto, o Chega vai propor um apoio para estimular a natalidade. Não comento o valor, porque não tenho dados suficientes para isso, mas lembro-me de, em plena campanha eleitoral, todos os partidos e todos os candidatos levaram as mãos à cabeça e, aqui-d’el rei, as nossas freguesias, as nossas ilhas, o nosso arquipélago, estão a despovoar-se! E também me lembro que o vice-presidente do governo já anunciou uma medida de apoio direto com vista ao auxílio dos idosos nas suas próprias casas, medida que reputo da maior importância e com grande alcance social, sob diversos aspectos. Haverá razões para aprovar este e rejeitar aquele apoio?

Portanto, vendo bem, o que o Chega e o deputado José Pacheco estão a fazer não é nada de extraordinário e não é nada que qualquer outro partido não fizesse.

No xadrez parlamentar regional, não o esqueçamos, existem várias combinações que permitem evitar uma crise política, isto é, que haja eleições pouco mais do que um ano depois das últimas.

Um exemplo simples: para evitar a crise política nacional que ocorre neste momento e que toda a gente disse que não deveria ter acontecido, teria bastado o PSD abster-se na votação do Orçamento do Estado.

Concluindo: o ónus da crise não pode nem deve ser atribuído aos partidos mais pequenos, que (quase) toda a gente quer diabolizar. Os maiores estão dispensados da sua quota parte para garantir a estabilidade que tanto pedem aos cidadãos aquando das eleições?

Qual a responsabilidade do PS perante uma crise açoriana?

O que acabo de dizer sobre o Chega, digo-o sobre a Iniciativa Liberal (IL). Quando Nuno Barata, o deputado IL dos Açores, pôs em causa o apoio ao plano e orçamento se a questão da SATA não fosse resolvida, ou, no mínimo, esclarecida, vi nessa atitude, não só coragem, como oportunidade política e sentido de Estado, pois os açorianos não podem continuar na ignorância sobre a forma como o seu dinheiro está a ser usado e, sobretudo, não podem ver o futuro dos seus filhos completamente posto em causa, que é o que vai acontecer enquanto a nossa companhia a aérea continuar a lançar dinheiro como se para um esgoto se tratasse. |X|

Mau tempo no fim de semana

Chuva e vento no sábado e domingo próximos, 20 e 21 de novembro, é a previsão do tempo para o Grupo Central do arquipélago de acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), que emitiu um aviso amarelo, em vigor entre as 11 horas de amanhã e as 23 horas do dia seguinte, por causa de “precipitação por vezes forte, podendo ser acompanhada por trovoada”.

PREVISÃO DO IPMA PARA O GRUPO CENTRAL

Sábado: Céu geralmente muito nublado; períodos de chuva e aguaceiros, por vezes fortes a partir da tarde; condições favoráveis à ocorrência de trovoada; vento sueste moderado a fresco (20/40 km/h) com rajadas até 60 km/h. Domingo: Céu geralmente muito nublado; períodos de chuva e aguaceiros; possibilidade de trovoada; vento leste fresco (30/40 km/h), tornando-se muito fresco a forte (40/65 km/h) com rajadas até 80 km/h, rodando para sul para a noite.

Na segunda-feira verificar-se-á uma melhoria do estado do tempo. |X|