A MINHA OPINIÃO

VIVA SÃO JOÃO!

Ainda bem novo comecei a ouvir falar da romaria do São João da Caldeira. Mas como os meus pais não eram muito de ir a festas só já na idade do liceu é que fui pela primeira vez à mais famosa romaria do Faial.

Um grupo de amigos resolveu acampar nas matas circundantes do Largo Jaime Melo, estávamos perto do final da década de 70 do século passado.

Nessa altura o FAOJ (Fundo de Apoio aos Organismos Juvenis), que funcionava nas instalações que hoje pertencem ao Serviço de Desporto do Faial, na Rua Consul Dabney, emprestava tendas de campismo, de grande qualidade, diga-se de passagem.

O grupo precisava de várias tendas, mas, como eram muito procuradas, não davam para todos.

Este acampamento vinha sendo combinado no liceu há longo tempo e o entusiasmo foi crescendo, pois o São João da Caldeira naquela altura ainda atraía muita gente, oriunda de todo o Faial. Era a verdadeira festa popular. Acontecia no meio da natureza e isso despertava nos citadinos sensações diferentes daquelas que faziam parte do seu dia-a-dia, enquanto aos campesinos proporcionava-lhes vivências com as quais se identificavam.

Eu e o meu amigo José Lemos encontrámos uma maneira original de resolver o problema da falta de tenda, tal era a vontade de ir à festa.

Fomos falar com o Senhor João Neves Porto, que tinha uma mercearia na Rua Serpa Pinto, mesmo em frente à porta do lado nascente do mercado e pedimos-lhe para nos guardar as sacas de açúcar (de 50 kg) que fosse esvaziando.

Com recurso a uma máquina de coser de minha avó fizemos uma tenda, ou melhor, uma barraca, unindo as sacas. Tivemos que comprar algumas agulhas para que minha avó não desse por falta das que se partiram. Os prumos eram tubos de água usados.

O planeamento não obedeceu a grande rigor e no dia 23 de junho a porta da barraca estava por fazer. A solução foi levar dois panos e alguns botões e cosê-los e pregá-los já no acampamento.

Escusado será dizer que trememos como varas verdes durante a madrugada, pois as sacas de açúcar foram incapazes de nos proteger daquela humidade gelada que corre entre as matas de criptoméria.

Não foi, porém, esse o único contratempo. Parte do grupo montou rapidamente as tendas do FAOJ e seguiu para a festa, penetrando na multidão que enchia o Largo Jaime Melo.

Eu e o Lemos tivemos grandes dificuldades em aguentar a barraca de pé e já nem sequer cosemos a porta e muitos menos pregámos os botões para fechá-la.

Embrenhados na montagem, para não ficarmos mal e quando já estávamos a finalizar a operação, deparámos com o nossos amigos de regresso ao acampamento. Ou seja, a festa já tinha acabado!

Portanto, a minha primeira noite de São João ficou adiada. Ainda desci ao Largo com o Lemos, mas já nem tascas abertas havia.

Este foi o primeiro de vários acampamentos que fizemos na romaria de São João da Caldeira, que vieram a correr lindamente, pois entretanto alguns de nós comprámos as nossas próprias tendas de campismo.

Fiquei a gostar da festa e frequentei-a muitas vezes, até a cavalo, como era tradição.

Foi, por isso, com alguma tristeza e até revolta que assisti a alguns “ataques” ao São João da Caldeira, primeiro fazendo-lhe concorrência com a organização de festas, pela mesma altura, no campo de futebol do Capelo. Depois, “desviando” o programa da romaria para o Parque de Exposições do Faial, na Quinta de São Lourenço. Felizmente que uma ideia peregrina de realizar as festas de São João no Largo do Relógio morreu na casca.

Hoje tomei conhecimento do programa que a Câmara Municipal da Horta delineou para o São João da Caldeira, que inclui uma romaria propriamente dita. Há inovação e a tradição mantém-se. Penso que, conforme tinha ouvido da boca do vice-presidente da Câmara, a festa se vai revitalizar.

Se tivesse pensado com mais antecedência até ia acampar nas matas do Largo Jaime Melo outra vez! |X|

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