Foi o espírito inQuieto de alguns arrojados faialenses, entre outros motivos, que levou à publicação, em 165 anos (a introdução da imprensa no Faial ocorreu 1857), de um número impressionante de jornais. Só na segunda metade do século XIX saíram do prelo, de um também numeroso conjunto de tipografias, cem e mais um periódicos, segundo o inventário do historiador Tiago Simões da Silva, que pode ser consultado no seu livro, lançado no corrente ano, «A imprensa faialense no século XIX», por iniciativa do Núcleo Cultural da Horta. Provavelmente hoje essa inquietação traduzir-se-ia em novas publicações se não fosse a crise que assola a imprensa, nomeadamente por causa da concorrência da Internet e das redes sociais, mas não só. Mesmo assim, o Faial mantém a publicação de um diário e de um semanário.

Eu próprio, José Manuel Souto Gonçalves, autor deste blog e deste jornal online [ver rodapé], me insiro, ainda que sem os méritos dos avoengos jornalistas faialenses, na inquietação que inspirou a escolha do título em epígrafe. Mal entrado no liceu fiz parte de um grupo que publicou um jornal de parede; depois, fundei, com colegas, “A Palavra”, jornal da Associação de Alunos da Secundária da Horta; participei numa equipa que dinamizou o Correio Desportivo, suplemento do Correio da Horta; fundei, também acompanhado, o semanário Incentivo e, mais, tarde, o diário com o mesmo nome e tornei-me, em sociedade, proprietário de O Telégrafo.

Passadas cinco décadas do tal jornal de parede não se me aquietou o desejo de fazer jornais! Pus-me a pensar e, rapidamente, concluí que publicar um jornal em papel seria praticamente impossível. Para além da capacidade de investimento, existem outros requisitos indispensáveis, por exemplo, no que toca à logística e aos recursos humanos. Além disso, o Faial não precisará de mais jornais. Não sei…

O “bichinho”, porém, foi-me roendo… A janela aberta pela Internet (fazer um site informativo) é aliciante. Mas os custos não são tão curtos como se poderá pensar, sobretudo se o propósito for realizar qualquer coisa com o mínimo de qualidade e as receitas são difíceis de obter. Então decidi-me pelo seguinte expediente: como já tenho este blog, utilizá-lo-ia para dar expressão ao meu espírito inQuieto e, com as devidas adaptações, fazer um jornal em versão online.

Trata-se de um modelo de jornal online muito rudimentar: magiquei, no entanto, uma forma de tornar este projeto o mais interessante e atrativo possível, pois fazer algo diferente ajuda uma ideia a vingar.

Como o inQuieto, graficamente, terá a aparência de uma simples página escrita (embora com a possibilidade de inserir fotografias), ou seja, visualmente pouco atrativa, ao contrário do que acontece com sites profissionais, lembrei-me logo dos jornais que existiam no passado, cujos modelos gráficos eram compostos, precisamente, por textos corridos, quase como as páginas de um livro.

Depois pensei: se o inQuieto tiver uma apresentação parecida com os jornais de antigamente, talvez o seu conteúdo, pelo menos no estilo, também deva ter alguma semelhança com o que se fazia por essa altura.

Em tempos, presenciei uma conversa em que interveio o Senhor Tomás Manuel Rocha, na qual, referindo-se a uma certa iniciativa, disse que tudo estava a ser preparado para acontecer “à antiga faialense”, lembrando a maneira como eram organizados, em anos passados, alguns acontecimentos, que deixaram boas recordações.

Esta frase ficou-me gravada. Aplico-a agora e aqui. O que será, então, fazer um jornal “à antiga faialense”? Penso que a melhor maneira de obter a resposta a esta pergunta é, doravante, ler o inQuieto. Para já, existe uma semelhança com O Pyrilampo — Folha séria e satyrica, destinada a combater a injustiça e a opressão, publicado no recuado ano de 1872, que, no seu primeiro número, explicava: «Esta folha não tem dias certos de ser publicada. Publica-se quando a redacção entender conveniente.» |X|

NOTAS SOBRE O SÃO JOÃO DA CALDEIRA

“Caldeira sem lapas é como São João sem bordão.”

Ditado popular extraído do perfil do Facebook de José António Martins Goulart. |X|

Presidente da Câmara anuncia escolas de chamarritas

Numa entrevista à Rádio Azores High o presidente da Câmara Municipal da Horta, Carlos Ferreira, afirmou que será incentivada a criação de escolas de chamarritas nas freguesias do Faial. Na fotografia em baixo, publicada pelo Município da Horta, pode-se ver um momento do baile da chamarrita em frente à ermida de São João, na Caldeira. Esta tradição fez parte do programa da romaria. |X|

São Pedro colabora com São João

O Sol não se fez rogado e brilhou na tarde do Dia de São João para aclamar os inúmeros faialenses e muitos turistas que encontraram no Largo Jaime Melo uma tarde esplêndida para celebrar o regresso da única romaria digna desse nome na ilha do Faial. Como hoje toda a gente tem carro e até há festas em que há mais carros do que gente, a romaria já não é como antigamente, quando era feita a pé e em grupos. No entanto, a recuperação da carreira com um veículo de transportes coletivos, ligando a cidade à Estrada da Caldeira, fez reviver costumes de antanho, quando as camionetes dos Farias ou dos Cedros acarretavam gente para São João.

A pedido de o inQuieto, José Jorge Garcia, um flamenguense já reformado, lembra-nos que «as freguesias rurais rumavam em grupos» até ao Largo Jaime Melo e «pelo caminho já iam cantando ao desafio». No próprio dia de São João muitas pessoas «desciam ao fundo da Caldeira de manhã e então à tarde era o arraial com a mata do Brum, que andava sempre muito bem tratada, cheia de grupinhos, família e amigos». José Jorge Garcia diz que «depois de bem comidos e bebidos começava a festa», mas «não havia artistas, nem outros grupos, o que era sempre certo era a missa ao meio-dia».

O dia de São João tinha também uma particularidade: «Era escolhido para se descobrir namorada. Na véspera as raparigas punham a fava de molho. Nunca soube o motivo, mas era tradição.» E de outras “tradições” também se compunha o Dia de São João: «Aqui e ali umas cenas de sopapos», com a Polícia sempre presente, pois até na hora da retirada era preciso ordem para se entrar nos transportes, recorda o nosso interlocutor.

«O acesso à Caldeira era feito por um atalho a partir da casa do Estado. Só depois de 1950, mais ou menos, é que foi construída a estrada. Mesmo assim julgo que, no domingo seguinte ou muito perto, havia, na borda da Caldeira, a festa de São João Pequenino. Já não tenho a certeza se coincidia com o dia em que eram recolhidas as ovelhas que durante o ano pastavam dentro da cratera. Esta recolha devia estar relacionada com a tosquia. Era engraçado aqueles pastores chamarem pelas ovelhas. Também se aproveitava esses dias para apanhar, “marcela”, douradinha, para fazer chá para as dores de barriga no inverno e também peixinhos para ter em casa. Duravam pouco tempo, porque eram alimentados a pão de milho», descreve José Jorge Garcia, com um sentimento de saudade e nostalgia na ponta da caneta.

Na tarde deste dia de São João, Maria Antónia Dutra, vereadora da Câmara Municipal da Horta, entidade que merece um rasgado aplauso pela revitalização da romaria, disse, entrevistada pelo repórter da Antena Nove António Furtado, uma frase engraçada, convidando os faialenses para a festa: «Espero que São Pedro continue a colaborar com São João!» E nós acrescentamos: oxalá que São Pedro, contrariando o rifão de que santos de casa não fazem milagres, não se esqueça que o seu dia é já para a semana e não abra a torneira! |X|

Polémica sobre aeroportos

Um artigo de opinião do jornalista Osvaldo Cabral, que dirige o Diário dos Açores, sobre o desempenho economicamente deficitário do transporte aéreo nas “gateways” (portas de entrada) subordinadas ao regime de Obrigações de Serviço Público (OSP), trouxe, de novo, para a ribalta a permanente querela entre os apologistas dos Aeroportos do Faial e do Pico. O Aeroporto de Santa Maria também é abrangido pelo mesmo regime, mas o fogo cruzado ocorre entre as duas ilhas mais próximas. Imprensa, blogues e Facebook são, para já, os campos de batalha. Um assunto do qual falaremos em próxima edição, se tivermos tempo para preparar uma abordagem. |X|

FAIAL TODOS OS DIAS

Quem quiser saber, resumidamente, o que vai acontecendo no Faial pode clicar AQUI.

EDIÇÃO NÚMERO 1 | inQuieto FAZ PARTE DO BLOG escrevi.blog. É UM JORNAL, EM VERSÃO ONLINE, COM EDIÇÕES NUMERADAS, DE UMA SÓ PÁGINA. A SUA PERIODICIDADE É VARIÁVEL. TRATA DE ASSUNTOS RELACIONADOS, PRINCIPALMENTE, COM A ILHA DO FAIAL, PODENDO ALARGAR ESTE ÂMBITO. O ANTETÍTULO À ANTIGA FAIALENSE, EXPLICADO AQUI, SINTETIZA A FORMA DE ABORDAGEM DOS TEMAS E O ESTILO DE ESCRITA ADOTADO NESTE ESPAÇO JORNALÍSTICO. |X|

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