A «Noite Branca – Horta White Experience: Veste de branco e sente a alma da maresia» confirmou-se como o grande evento das comemorações do 189.º aniversário da elevação da Horta de vila a cidade. À hora em que escrevo este texto (11 horas de domingo, 3 de julho) o programa celebrativo ainda não terminou, mas não acredito que o que falta cumprir venha a suplantar o sucesso da Noite Branca.

A adesão popular à festa não deixa margem para dúvidas sobre o acerto de trazer para o Faial uma iniciativa com um já longo historial noutras paragens e que no dealbar do século XXI ganhou incremento.

O intervalo de dois anos imposto pela pandemia ao convívio social predispôs as pessoas para, com renovado espírito festivo, se envolverem, redobrando energias, nas atividades de retoma da normalidade. E o que surge com cara de novo, ainda que copiado, beneficia da alta probabilidade de ter sucesso. Assim aconteceu com a Noite Branca.

Numa altura em que as atividades promovidas pelo Município da Horta começavam a cansar e, principalmente, a desiludir, pois não eram mais do que a continuação do que vinha de trás, apenas com a mudança da denominação, não se concretizando a tão propalada mudança, a romaria do São João da Caldeira, com novos atrativos e a Noite Branca foram duas autênticas pedradas no charco.

Numa altura em que as atividades promovidas pelo Município da Horta começavam a cansar e, principalmente, a desiludir, pois não eram mais do que a continuação do que vinha de trás, apenas com a mudança da denominação, não se concretizando a tão propalada mudança, a romaria do São João da Caldeira, com novos atrativos e a Noite Branca foram duas autênticas pedradas no charco.

Com a Semana do Mar à vista, deslocalizada para espaços que, com inteligência e inovação, poderão dar-lhe alguma frescura (estou a pensar, por exemplo, no desafogo da zona dos restaurantes e no aproveitamento do belíssimo Parque Vitorino Nemésio, ou Parque da Alagoa, ou, ainda, na implantação do palco principal com um enquadramento adequado), é caso para dizer que vamos ter um “verão quente” – afinal, o que todos nós desejamos, pois em período de canícula outra coisa não é de esperar!

Penso, todavia, que se poderia ter apostado de outra maneira na Noite Branca, embora saiba que a cópia “tout court” é o caminho mais fácil e, por vezes, o único a seguir, sob pena de nada se fazer. Sem deixar de lado o conceito da Noite Branca, poder-se-ia ter procurado introduzir alterações que fossem ao encontro da idiossincrasia faialense e tornassem a nossa noite distinta de outras do mesmo género. Mas como? Não sei… só agora estou a pensar nisso, deixando o mote para reflexão no ano que nos separa da próxima Noite.

Estender a Noite Branca entre o Mercado e o Cais de Santa Cruz foi, por outro lado, uma boa opção. Por uma razão simples: permitiu criar duas alternativas, isto é, uma zona de grande pressão com a concentração de pessoas, potenciando a festa e outra zona em que foi possível desfrutar de um ambiente mais sereno. Como há gostos para tudo, foi possível escolher.

O que venho dizendo leva-me a outra reflexão sobre um assunto que não é novo e eu próprio o tenho levantado nos meus escritos e em intervenções políticas que tive oportunidade de fazer em várias situações.

A organização da Semana do Mar e, agora, a organização da Noite Branca e outros eventos, deveria estar à responsabilidade de um faialense convidado para o efeito pela Câmara Municipal da Horta, em mandatos que não fossem coincidentes com o mandato autárquico. Isto significa que esta figura (que escolheria a sua equipa) exerceria o cargo independentemente dos interesses partidários de quem dirige a Câmara, pois a mudança de cor política da vereação não implicaria a sua substituição imediata, ou seja, o seu mandato terminaria, por exemplo, a meio do mandato autárquico, podendo, naturalmente, ser, ou não, renovado. Tal personalidade poderia delinear o seu plano com um horizonte de quatro anos sem necessidade de, embora articulando-se com o executivo camarário, como é óbvio, se tornar dependente de certos interesses, alguns até pessoais. Quero dizer com isto que o presidente da comissão de festas poderia trabalhar independentemente do calendário eleitoral e do termo do mandato camarário.

Todos nos lembramos da aposta da Câmara do PS na Semana do Mar do ano de eleições e agora assistimos com a Câmara do PSD à transformação do presidente num género de apresentador de televisão. Era desnecessária esta vulgarização do cargo. A Câmara convidou a jornalista Marla Pinheiro para moderadora da conversa entre Jaime Gama e Mota Amaral e o resultado não poderia ter sido melhor. Portanto, fica provado que o recurso a cidadãos competentes é uma mais-valia para as atividades que o Município pretenda organizar e, além disso, deixaríamos de “levar” com ações de propaganda inadequadas. Basta a campanha eleitoral!

De qualquer forma, os faialenses, em geral, estão animados e isso é muito importante para a nossa autoestima enquanto comunidade. Precisamos desse tónico para continuarmos a dar o nosso contributo a esta terra, com o propósito que ela seja melhor para todos, sem esquecer, no entanto, que a crítica é fundamental para que haja progresso. Pelo menos eu penso assim. |X|

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