O Faial não terá uma pista maior!

A naturalidade ou a ligação a uma determinada ilha dos titulares das Secretarias do Governo Regional foram, desde que me recordo, um assunto político relevante, sobretudo nas ilhas mais pequenas. Ter alguém da própria ilha ou a ela ligado com assento no Conselho do Governo era, argumentava-se, um fator de vantagem para a população dessa ilha, porque, assim, haveria uma voz a fazer-se ouvir no órgão onde boa parte do futuro da Região e de cada uma das suas parcelas é decidido.

Em campanhas eleitorais discutia-se o assunto. Quem obtinha essa vantagem fazia gala de tal conquista, quem não a obtinha desvalorizava a ausência. As coisas, entretanto, evoluíram, a mobilidade foi incrementada, as novas tecnologias facilitaram a comunicação e o tema já não tem a importância de outrora.

Já no início da década de 90 do século passado, Alberto Madruga da Costa, presidente da Assembleia Regional, dizia a Sidónio Bettencourt, na RDP-Açores (Antena 1 Açores), que um secretário regional não decide melhor ou pior por estar sentado numa ou noutra ilha e eu acrescento, por ser ou não ser desta ou daquela. Mesmo assim, albergar uma Secretaria Regional e o respetivo titular não deixou de ser matéria para debate político, pois ainda há relativamente pouco tempo a instalação de uma Secretaria Regional no Pico aquecia ânimos.

Neste aspecto e tendo em conta o que já possuiu, o Faial tem perdido muito. Levanto a questão porque, apesar de tudo, sempre fui de opinião, como continuo a ser, de que colocar um faialense no Governo não é despiciendo, como não o será para qualquer outro cidadão que habite uma das ilhas mais pequenas dos Açores, visto que São Miguel e Terceira, até por uma razão natural, têm lugares cativos no Governo Regional.

O aumento da pista do Aeroporto da Horta acaba de levar uma forte machadada por causa das declarações da secretária regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, pois Berta Cabral não foi ambígua ao priorizar a construção das zonas de segurança da pista, nem a secundarizar o respetivo aumento para o comprimento desejado pelos defensores da ampliação.

Vejamos este caso prático: o aumento da pista do Aeroporto da Horta acaba de levar uma forte machadada por causa das declarações da secretária regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, pois Berta Cabral não foi ambígua ao priorizar a construção das zonas de segurança da pista, nem a secundarizar o respetivo aumento para o comprimento desejado pelos defensores da ampliação. Para mim, a governante afirmou, sem o fazer, que o Faial não terá uma pista maior!

Se no Conselho do Governo estivesse um faialense (um faialense com peso político, capacidade de intervenção e desassombro) este assunto não passaria em claro com toda a certeza, nem provavelmente qualquer outro membro do executivo se pronunciaria publicamente sem medir as palavras que quisesse proferir. Além disto, acontece que no Conselho do Governo está sentado um picoense, que, obviamente, por mais imparcial que possa ser, não deixará de puxar a brasa à sua sardinha… |X|

Um Comentário

  1. existem sempre os deputados de ilha; e este comentário serve para os silêncios dos ditos nas anteriores legislaturas como o provável silêncio dos de agora.
    seja como for (e qual for) o resultado final, o teu artigo só mostra a falência do projecto autonómico, pois, ao que me parece,caminha-se de um centralismo para outro
    abraço

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