Faz hoje 51 anos…

… que ocorreu um dos maiores ajuntamentos na ilha do Faial

NÃO SOU VERSADO EM HISTÓRIA e não fiz nenhuma pesquisa sobre o assunto, mas, socorrendo-me da vaga perceção que a memória me faculta, a inauguração do Aeroporto da Horta, a 24 de agosto de 1971, terça-feira, rivaliza, em número de pessoas, com acontecimentos tão importantes do passado da ilha do Faial como a visita do rei D. Carlos e da rainha D. Amélia, no início do século passado; as visitas da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima, a meados e na década de oitenta, respetivamente, do mesmo século e a manifestação do “Verão quente” de 1975.

Foram milhares os faialenses que quiseram assistir à inauguração do Aeroporto, num diz cinzento, de céu encoberto, se bem me recordo, embora sem apresentar problemas de maior, do ponto de vista meteorológico, para a aproximação e aterragem das aeronaves presentes, em que se destacou um avião Boeing da TAP, no qual viajou o Presidente da República Portuguesa, Américo Thomaz.

A moldura humana que assistiu à cerimónia pode ser assim classificada em sentido figurado e literal: o povo acomodou-se em torno da aerogare e da placa de estacionamento do Aeroporto, ocupando as suas margens e até terrenos fora do perímetro daquelas infraestruturas, mas que tinham linha de vista com o centro dos atos oficiais que decorreram, exceto a cerimónia de inauguração propriamente dita, que se desenvolveu nas garagens dos carros de bombeiros no rés-do-chão do edifício.

Lembro-me de, já na fase de rescaldo da festa, ter descido pela mão de minha mãe (tinha 9 anos) ao centro dos acontecimento e aí ter reparado na mesa de honra, onde ainda se via pequenos cartões com os nomes das entidades.

Foi um dos maiores acontecimento que o Faial viveu e seria interessante perceber o fenómeno que permitiu, num dia de semana e de trabalho, a notável adesão popular que se verificou. Também seria curioso estudar a forma como as pessoas se deslocaram até Castelo Branco, numa altura em que não havia um tão elevado número de carros como agora: certamente que o fizeram através das “camionetas” dos “Farias (bege e vermelhas), pelo lado sul da ilha e dos “Cedros” (bege e cor-de-rosa), pelo lado norte. Mas muita gente o terá feito também a pé.

Ao longo do dia assisti, curioso e emocionado, ao desfile das pessoas que iam chegando para assistirem à inauguração. O ambiente era extraordinário: de convívio, de alegria, de festa. A mesma sensação repetiu-se, em finais da década de 1980, com a chegada da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima.

A casa dos meus avós maternos (onde hoje moro) ficava paredes meias com o Aeroporto. Ao longo do dia assisti, curioso e emocionado, ao desfile das pessoas que iam chegando para assistirem à inauguração. O ambiente era extraordinário: de convívio, de alegria, de festa. A mesma sensação repetiu-se, em finais da década de 1980, com a chegada da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima.

São muito escassas as recordações que preservo do tempo em que não havia Aeroporto. A melhor época da minha vida foi passada em casa dos meus avós, nas férias grandes da escola. Com precisão matemática, no dia a seguir à escola fechar, Castelo Branco era o destino! Ir à cidade nos meses de verão, ou seja, vestir roupa boa e andar direitinho, tronava-se um sacrifício, grande. Já para não falar da dramática primeira semana de outubro, altura em que ficavam para trás os companheiros das aventuras de criança; as vacas e as cabras; o burro do Senhor Manuel da Atafona e os seus contos ao fim da tarde, escutados com talhadas de melancia nas mãos; os canários apanhados na “stil”; as fundas sem mira e o gorjeio dos melros a rirem-se por nos terem desfeiteado; ou um “galo” na testa de algum de nós que se atravessava na frente em plena “caçada”. E havia ainda a bicicleta “Órbita”, verde e branca, em que todos andavam um bocadinho, no caminho, às largas, pois os carros só passavam de vez em quando.

Juntamente com tudo isto assisti ao nascimento do aeroporto: ao fogo para rebentar rochas; terraplanagens com máquinas de lagartas; ao som característico que os ferreiros produziam nas bigornas da oficina da TECNIL.

Quando os aviões começaram a aterrar, ainda antes da inauguração, corria para o canto da nossa quinta, a escassas centenas de metros do Aeroporto e as manobras dos aviões eram como um filme, nas tardes sem televisão ainda.

Do lado de baixo do caminho, aproveitando a casa ali existente, foi construída a torre de controle e instalados os serviços técnicos do Aeroporto. O pacato lugar do Jogo animou-se e o Aeroporto passou a ser o foco das atenções, da curiosidade e até se tornou uma companhia. Começava um novo tempo. |X|

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