À SOCAPA

Estamos muito contentes com a excelente época turística em curso, mas pouco preocupados em garantir um serviço de excelência a quem nos visita, compatível com a magnificência da singular oferta que apresentamos: as nossas belezas naturais.

Ontem pronunciei-me aqui no Facebook sobre a minha ida ao Pico. Escrevi com conhecimento de causa. Hoje vou falar pela boca de outros, correndo, portanto, o risco de não poder assegurar, com os pés juntos, que as coisas realmente aconteceram como descritas a seguir. Por essa razão não irei identificar os casos que me relataram. No entanto, acho importante fazer esta reflexão porque penso que estamos muito contentes com a excelente época turística em curso, mas pouco preocupados em garantir um serviço de excelência a quem nos visita, compatível com a magnificência da singular oferta que apresentamos: as nossas belezas naturais.

A avó Luísa [nome fictício], já com um pouco mais de 70 anos bem viajados e a neta Marília [nome fictício], com a argúcia dos seus 15 anos bem formados, aproveitaram os últimos dias das férias escolares da pequena para virem aos Açores e escolheram o Faial. Porto Pim tem-nas feito provar as delícias do nosso mar temperado e tranquilo; a Caldeira expôs-se e ofereceu-lhes a sensação do verdadeiro deslumbramento, que não foi menos apoteótico do que a descoberta do outro mundo: os Capelinhos.

Têm saboreado gelados quase todos os dias no Largo do Infante à noitinha. Já experimentaram vários restaurantes. Evitam a cidade à hora do calor, mas a avó tem de olho uma coroa do Senhor Espírito Santo na montra de uma ourivesaria. É muito religiosa! A neta, com um telemóvel mesmo bom, consegue fotografias inenarráveis das paisagens faialenses.

Foram à missa de Nossa Senhora de Lourdes na Feteira e incorporaram-se na procissão. A Marília, que faz parte de uma banda musical no naipe dos clarinetes, percebeu o que viu e ouviu e diz: as filarmónicas tocaram bem, mas faltam alguns instrumentos nalgumas… Não passou, assim, despercebida a crise que sofrem estes agrupamentos musicais entre nós, presentemente.

As duas vieram para conhecer a ilha e a moça mostra um interesse inusitado por aquilo que está para além do mero passeio turístico. Visitaram exposições, museus, centros de interpretação, etc.

Causou-lhes estranheza a “confiança” (ou a negligência) dos “guichés”: São daqui? Bastou um aceno negativo e pronto. E se tivessem dito que sim? O preço seria outro. Pediriam, nesse caso, o Cartão de Cidadão para comprovar a resposta? É que se assim acontece transmite-se a ideia e a imagem de desconfiança, atitude diametralmente oposta à “inocente” pergunta inicial. Portanto, o correto é pedir de início a identificação e eliminam-se quaisquer dúvidas. Falta profissionalismo neste aspecto. Por exemplo, na Atlânticoline, por cuja experiência passei ontem, o procedimento é correto e o utente sente-se bem tratado.

Também foi com perplexidade que visitaram um lugar, depois de previamente se terem informado do horário, mas tiveram que se sentar no degrau da porta à espera que a “menina” as viesse atender. Viram tudo sozinhas e não trouxeram várias lembranças à socapa, facilmente, porque não quiseram.

Estas situações, se corrigidas, ajudariam muito a melhorar a impressão com que os turistas ficam da nossa terra. O desenvolvimento turístico também se obtém desta forma e não apenas com grandes teorias e debates que, na maior parte das vezes, a nada levam. |X|

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