IL

A Iniciativa Liberal (IL) realizou hoje o seu Plenário Regional do Núcleo Territorial dos Açores, reunião que, noutros partidos, tem a denominação, nomeadamente, de congresso, a que a comunicação social costuma chamar reunião magna, ou seja, é a reunião mais importante de um partido político.

Vi a reportagem do acontecimento na RTP-Açores. Fiquei a saber que a IL não tem ainda nenhum membro no Pico e no Corvo e que, à exceção da Terceira e de São Miguel, onde a militância está mais implantada, há pelo menos um militante liberal em cada uma das outras ilhas. Apreciei a franqueza com que a pequenez do partido foi exposta, pois, por norma, os aparelhos partidários tentam disfarçar a falta de adesão, procurando, sobretudo nestes encontros, criar momentos fictícios de mobilização.

É por isto que, ao contrário, achei despropositada a oratória enfatizada do líder regional reeleito da IL, em busca (certamente pensando na televisão) de um impacto que as palmas do reduzido auditório não confirmaram. Teria sido melhor, em nome da genuinidade, de que a atividade política muito carece, ter organizado aquele encontro à volta de uma mesa, num registo de trabalho, não comicieiro, pois as circunstâncias, pelo menos as presentes, assim o aconselhavam.

Mas estes são aspectos meramente formais, que, porém, dizem da atitude das pessoas envolvidas, o que, em política, conta muito.

Achei adequado o tempo e o destaque que o Telejornal deu a este Plenário, pois é hábito na nossa comunicação social “paginar” as reportagens em função da representatividade, no caso, das forças políticas e não do conteúdo das suas iniciativas. É o que eu chamo de jornalismo ao metro, forma errada, na minha opinião, de fazer a abordagem informativa dos eventos.

Talvez até se terá assistido – ao afirmar o que vem a seguir contradigo-me de certa maneira – a um excessivo tempo de antena, em função, precisamente, do conteúdo produzido pela IL no seu Plenário.

Estava à espera que, no Plenário de eleição (reeleição, no caso) do líder e, supostamente, de aprovação da orientação política para o próximo futuro, a IL nos apresentasse um programa mais substancial. Ficou-se, porém, pela recorrente ameaça de tirar o tapete ao Governo, feita num modo que fez lembrar o desacreditado Chega e o seu inefável Pacheco.

Nuno Barata possui cultura política e recursos oratórios mais que suficientes que lhe teriam permitido, já que quis compor o número, sair-se melhor, embora a frase segundo a qual o PSD esteja disposto a “deitar-se debaixo” do CDS e do PPM, para além do recorte algo brejeiro, retrate com perfeição aquilo a que assistimos todos os dias.

Tendo consciência que é difícil governar, sobretudo nas circunstâncias presentes e não menos exigente fazer oposição, principalmente no quadro político atual, acho que tem havido muita dificuldade em chegar-se à conclusão, do ponto de vista do eleitor, se existe uma linha, suficientemente explícita e coerente, que defina a estratégia liberal no panorama político regional.

Para além do combate primário ao socialismo, ao amiguismo e à cunha, à desestatização – que fazem lembrar, no estilo de comunicação, a “cassete” do PCP – ouvir o Telejornal e concluir que a IL só deixa passar os próximos Plano e Orçamento do Governo Regional se for aprovada, antes da discussão daqueles dois documentos, a Agriaçores, organismo que visa juntar o Instituto Regional de Ordenamento Agrário (IROA) e o Instituto de Alimentação e Mercados Agrícolas (IAMA) e, se tal não suceder, o partido queixar-se-á ao Presidente da República, sabe a pouco!

Bem sei que o trabalho desenvolvido pela IL nos últimos tempos é muito mais do que o que esta crítica reflete. Mas, tal como os açorianos, não posso ler, ver e ouvir tudo e o que fica, em última análise, é o que se vai “apanhando” nas notícias.

Por fim, uma nota sobre a “disseminação” da IL nos Açores. Penso que já passou tempo bastante para o partido generalizar a sua implantação nos Açores de modo a que ganhe dimensão regional. Isto faz-me lembrar uma associação que se criou aqui no Faial, na qual pontificava determinada pessoa, que muito teorizava sobre os benefícios de tal instituição. Quando questionado sobre como poderia ser feita a adesão, tal personalidade prometia a entrega da competente ficha de inscrição. Só que a ficha nunca aparecia… e o titular da presidência lá se mantinha, de pedra e cal! |X|

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