O texto é grande, leiam se tiverem pachorra

Foram conhecidas agora publicamente duas importantes decisões da Câmara Municipal da Horta no domínio cultural, uma área de que, normalmente, os cidadãos se alheiam, pois há coisas que consideram mais importantes. Se se falar de falta de água ou de buracos na estrada ou até da Semana do Mar, no que toca à parte do divertimento, a tampa salta logo e o tráfego no ciberespaço, com o contributo das redes sociais, fica enxurrado (já que agora não se discute no café como antigamente). É claro que esses assuntos são importantíssimos, mas há outros também.

Mesmo assim, os faialenses (nos quais com honra e prazer me incluo), há dias apelidados no Facebook de “narizes empinados”, ainda mostram que têm apreço pelos seus valores tradicionais, como a Cultura e vemo-los, precisamente nas redes sociais, onde agora tudo acontece (também com o meu forte contributo), a dar opinião e procurando assumir a tão reclamada cidadania, que os poderes instituídos aplaudem quase sempre só quando ela não se cumpre.

Desviei-me do assunto que me sentou esta noite ao computador, mas ainda queria dizer que os faialenses evoluíram nos últimos tempos, pois ainda há escassos anos, recebia eu, nas Redações dos jornais onde trabalhei, muita gente de peito aberto com coisas para dizer, até ao momento em que se lhes explicava que era preciso pôr o nome por baixo!

Nas redes sociais, tirando os perfis falsos, todos assinam, mas o problema é que alguns perderam a vergonha e fazem de certos lugares da Internet um antro de coscuvilhice, tal a facilidade com que dizem mal uns dos outros.

Mas atenção: tal-qualmente como na vida, quem sabe escolher as companhias encontra por aqui muitas coisas boas e, se tiver disponibilidade de espírito, também aprende bastante, se não outra coisa, pelos menos a ficar calado.

É sobre falar, porém, que aqui estou… falando, naturalmente.

Segundo apurei, a Câmara da Horta vai classificar o Palacete do Pilar. O Governo não quis fazê-lo, mas a Câmara, no âmbito municipal, fá-lo-á. Gostei desta atitude. Tenho acompanhado, minimamente, este assunto e acho que é uma decisão necessária, a bem da conservação do nosso património, para além de, do ponto de vista político, representar um forte sinal de defesa do interesse dos faialenses, seja quem for que esteja no Governo. Quem me conhece sabe que sempre defendi isto! E até pratiquei, no plano partidário interno, razão pela qual gostaram bastante que me tivesse vindo embora. Por que será? (A pergunta não é para responder.)

No início falei de duas importantes decisões da Câmara Municipal da Horta. A segunda é a seguinte:

A Câmara resolveu dar ouvidos aos faialenses que ainda se preocupam com a sua terra (entre eles destaco o Paulo Gilberto Castro) e vai passar a olhar de outro modo para o que foi descoberto sobre a antiga muralha da Rua do Mar.

A decisão é boa, mas surge tarde, a reboque da opinião pública, numa altura em que já se destruiu parte significativa daquele património, já se entulhou muita coisa. A propósito de opinião pública: uma marca distintiva desta Câmara é querer agradar a todas as pessoas, acima de tudo, quando se sabe perfeitamente que agradar a todos, além de impossível, mais tarde ou mais cedo dá para o torto.

Em maio a Câmara informou o Governo do que se passava (muralha à mostra) e nos seguintes cinco meses o Governo ignorou o assunto e agora é que, por pressão da opinião pública, repito, o Senhor Presidente, aqui d’el Rei, vai ver o que é que pode fazer…

Chamo a atenção, porque o historiador Tiago Simões Silva, por sua vez, me chamou a atenção a mim, que o que está em causa não é a muralha propriamente dita, pois, pela sua extensão, há sempre possibilidade de deixar uma parte a modo de ser vista.

O Dr. Tiago explicou-me (e aqui cito a notícia que publiquei no meu blogue Faial Global): «Mais importante do que sabermos que a muralha está lá, é não sabermos o que ali pode esconder-se». Ou seja: quem é que nos diz que não se poderá encontrar, por exemplo, vestígios arqueológicos deixados pelo intensíssimo movimento marítimo da nossa baía; ou partes das passagens entre a Rua do Mar e o areal, criadas pela dinâmica do porto; se calhar algum velho canhão ou até pedras das paredes dos monumentos em que a Horta foi rica?

Pronto: era isto que eu queria dizer, escrevi de mais, mas só lê quem tiver pachorra e não paga nada!

Falta falar do entusiasmo da Dr.ª Manuela Bairos na defesa do passeio “modernista” da Avenida, mas isso fica para outra altura, pois falta-me ouvir a gravação da Assembleia Municipal em que o Senhor Presidente da Câmara falou do assunto. Já lhe perguntei a opinião, mas as perguntas que eu faço, na minha qualidade de jornalista “freelancer”, caem em saco roto! Pois paciência, diria a minha querida e saudosa mãe Maria Souto. |x

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