O BRASÃO OU UM REBUÇADO

Sim. Gostava do brasão. Confesso, porém, que não me lembro do que é que estava lá desenhado. Mas o trabalho que deu, a ideia que tiveram, o impacto que causava, não me deixavam indiferente. O mesmo acontece com o que está feito no adro da igreja das Angústias. Acho, no entanto, que o que havia antes era mais bonito. E também gosto dos navios (o Funchal?) e dos faróis no passeio da Avenida ou do “Clipper” (será?) no Triângulo ao fim da Travessa do Monturo, ou ainda dos barquinhos (e outras figuras) desenhados pelo Dr. Madruga​ para os ladrilhos no interior da cidade e, finalmente, dos mais recentes e modernos modelos que a sua filha, a arquiteta Margarida, elaborou para a calçada que contorna o edifício das Finanças. Ah! E aquelas longas linhas pela Avenida abaixo ou o mar largo desaparecido do Largo do Infante. São quase 60 anos a pisar este empedrado, que me tem segurado nesta ilha de onde não quero sair.

A questão tem andado à flor da pele dos faialenses nos últimos tempos. A pedra serrada não recolhe o apoio da maioria (pelo menos fica-se com essa impressão). Contudo, as autoridades organizaram o processo com todos os “érres” e “ésses”, expondo o assunto à discussão, não tendo havido grande contestação e agora é difícil voltar atrás. Até porque está muito dinheiro em jogo e uma parte dele vem da União Europeia e terá que ser devolvido se não for aplicado no fim para o qual o respetivo apoio foi concedido.

Ontem, iniciaram-se as obras que conduzirão à colocação de mais pedra serrada em frente à “Estalagem”. Entretanto – recorde-se – o Senhor Presidente da Câmara já deu a entender, publicamente, que o que está previsto para a Praça do Mar será realizado, não salvaguardando o passeio da Avenida naquela zona.

Por isso, eu pergunto? Que sentido tem colocar o brasão em frente ao Forte de Santa Cruz? No meio da pedra serrada? Não parecerá uma coisa a mais? Não ficará a emenda pior do que o soneto?

Dá-me a impressão que se trata, agora, de um “rebuçado” que nos está a ser dado. Ou será que é para honrar um compromisso eleitoral (o que na maior parte das vezes não acontece) para depois se poder dizer que a palavra foi cumprida e amealhar mais uns votos por causa de uma questão (o brasão, em concreto) que, convenhamos, não é de vida ou de morte? |x

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