UMA FESTA

Assisti ao Encontro de Ranchos de Natal, na noite de ontem, no Teatro Faialense.

Cumpriu-se a tradição, mas apenas com quatro “ranchinhos”, para usar o termo com que antigamente se designava estes grupos. Talvez por serem poucos os participantes, embora composta, a casa não encheu como dantes. O número de Ranchos no Encontro e a diminuição de espetadores não são surpresa. É preciso, portanto, parar para pensar: importa manter a tradição? Se sim, não fiquemos pelas lamúrias e encontremos forma de recuperar esta manifestação de cultura popular. Uma sugestão: organize-se, anualmente, uma volta à ilha, levando os Ranchos pelas freguesias, onde, sucessivamente, parem a tocar. Crie-se um calendário com hora e local de atuação para cada um e promova-se, nos locais indicados, um ambiente de festa e convívio que atraia as pessoas.

Sei que é mais fácil propor do que fazer, mas não podemos ficar pelo “subsídio”, que até já não parece ser atraente. Para os elementos dos “ranchinhos”, o melhor prémio é a estima do público e não uns trocos dados pelas entidades oficiais.

Ontem à noite, três dos quatro Ranchos (Capelinhos, Conceição, Ilha Azul) fizeram reviver a tradição no Teatro, cumprindo as “regras” do antigamente, tocando as “peças” obrigatórias: passos dobrados, valsas, saudações de Boas Festas e despedida. As “cordas”, também segundo a tradição, estavam lá: bandolins, violões e “rebecas” (violinos), com o bombo, a pandeireta e os ferrinhos menos presentes, no entanto.

Qualquer um dos grupos era numeroso e tinha elementos de várias gerações, o que é encorajador. E fiquei a pensar que aquelas pessoas merecem uma saudação muito sentida, pois para trás ficaram longas horas de preparação e ensaios e, por isso, de dedicação à comunidade.

Não se tratou de um concurso, como sabemos, mas eu vou destacar uma atuação, vinda do grupo de idosos dos Cedros.

Apresentou-se com uma simplicidade desarmante; até encararam com descontração e humor um pequeno engano; optaram por inovar nas músicas escolhidas; fizeram uma letra a exaltar o orgulho cedrense e a sua condição de pessoas mais velhas e “puxaram” pelo público, que acompanhou o refrão de alguns números com palmas compassadas. Uma festa! |x

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