Inveja?

Não assisti, porque não pude, à sessão solene comemorativa do 189.º aniversário da elevação da Horta de vila a cidade e também não acompanhei, pelas mesmas razões, a respetiva transmissão direta e integral efetuada através do Facebook. No entanto, “en passant”, verifiquei a ausência, no lugar que lhes é devido, dos vereadores do Partido Socialista.

Está instalado na governação municipal, há muito tempo, o (mau) hábito da segregação dos partidos da oposição. Ainda me lembro de, após a revolução que devolveu a liberdade aos portugueses, persistirem tiques do Estado Novo. Na Câmara da Horta, esmagadoramente dominada pelo PSD, aos vereadores da oposição eram destinados os pelouros de importância julgada menor, numa atitude de ostensiva provocação e humilhação. Se não estou em erro, à D. Maria Zulmira (D. Zulmira do Cartório), era atribuído o pelouro dos cemitérios, o que não a impediu de realizar um trabalho meritório e digno, apesar da pretensa desconsideração.

Mais tarde, as maiorias absolutas abocanharam todos os pelouros e o PS fez gala de uma prática sobranceira em relação ao PSD, chegando, nalguns casos, à objetiva penalização do rival com atos administrativos discriminatórios (por exemplo: atrasar pagamentos de serviços a prestadores ligados aos sociais-democratas) Dir-me-ão: a política é assim! E eu responderei: a política não, (algumas) pessoas que fazem política!

Portanto, este clima crispado fez escola e mantém-se e só é amenizado quando as circunstâncias obrigam, como foi o caso da “maioria plural”, quando PS e CDU se entenderam para governar a Câmara, pois os socialistas não chegaram à maioria absoluta.

No dia-a-dia apenas excecionalmente vemos lado a lado, nos atos públicos, todos os vereadores dos partidos com assento na vereação. Quem está no poder agradece a falta de comparência da oposição, para não correr o risco de ser ofuscado e quem representa a oposição prima pela ausência para não valorizar o trabalho do executivo. E andamos nisto!

No dia-a-dia apenas excecionalmente vemos lado a lado, nos atos públicos, todos os vereadores dos partidos com assento na vereação. Quem está no poder agradece a falta de comparência da oposição, para não correr o risco de ser ofuscado e quem representa a oposição prima pela ausência para não valorizar o trabalho do executivo. E andamos nisto!

Como toda a regra tem exceção, o aniversário da cidade é um dos (poucos, senão único) momentos em que, engravatados (ou não), todos se predispõem a participar. É um bom exemplo, que deveria ser sempre seguido.

Acontece que este ano, conforme verifiquei, os vereadores do PS, nos quais se inclui o anterior presidente da Câmara, eclipsaram-se! Será que o fizeram por razões ponderosas, que eu e os faialenses desconhecem, ou será birra e inveja em face dos sinais de aceitação geral que a gestão do Município está a granjear, sobretudo nos últimos dias, por causa, principalmente, da Noite Branca e do programa Somos Portugal transmitido pela TVI? |X|

Os faialenses estão animados

A «Noite Branca – Horta White Experience: Veste de branco e sente a alma da maresia» confirmou-se como o grande evento das comemorações do 189.º aniversário da elevação da Horta de vila a cidade. À hora em que escrevo este texto (11 horas de domingo, 3 de julho) o programa celebrativo ainda não terminou, mas não acredito que o que falta cumprir venha a suplantar o sucesso da Noite Branca.

A adesão popular à festa não deixa margem para dúvidas sobre o acerto de trazer para o Faial uma iniciativa com um já longo historial noutras paragens e que no dealbar do século XXI ganhou incremento.

O intervalo de dois anos imposto pela pandemia ao convívio social predispôs as pessoas para, com renovado espírito festivo, se envolverem, redobrando energias, nas atividades de retoma da normalidade. E o que surge com cara de novo, ainda que copiado, beneficia da alta probabilidade de ter sucesso. Assim aconteceu com a Noite Branca.

Numa altura em que as atividades promovidas pelo Município da Horta começavam a cansar e, principalmente, a desiludir, pois não eram mais do que a continuação do que vinha de trás, apenas com a mudança da denominação, não se concretizando a tão propalada mudança, a romaria do São João da Caldeira, com novos atrativos e a Noite Branca foram duas autênticas pedradas no charco.

Numa altura em que as atividades promovidas pelo Município da Horta começavam a cansar e, principalmente, a desiludir, pois não eram mais do que a continuação do que vinha de trás, apenas com a mudança da denominação, não se concretizando a tão propalada mudança, a romaria do São João da Caldeira, com novos atrativos e a Noite Branca foram duas autênticas pedradas no charco.

Com a Semana do Mar à vista, deslocalizada para espaços que, com inteligência e inovação, poderão dar-lhe alguma frescura (estou a pensar, por exemplo, no desafogo da zona dos restaurantes e no aproveitamento do belíssimo Parque Vitorino Nemésio, ou Parque da Alagoa, ou, ainda, na implantação do palco principal com um enquadramento adequado), é caso para dizer que vamos ter um “verão quente” – afinal, o que todos nós desejamos, pois em período de canícula outra coisa não é de esperar!

Penso, todavia, que se poderia ter apostado de outra maneira na Noite Branca, embora saiba que a cópia “tout court” é o caminho mais fácil e, por vezes, o único a seguir, sob pena de nada se fazer. Sem deixar de lado o conceito da Noite Branca, poder-se-ia ter procurado introduzir alterações que fossem ao encontro da idiossincrasia faialense e tornassem a nossa noite distinta de outras do mesmo género. Mas como? Não sei… só agora estou a pensar nisso, deixando o mote para reflexão no ano que nos separa da próxima Noite.

Estender a Noite Branca entre o Mercado e o Cais de Santa Cruz foi, por outro lado, uma boa opção. Por uma razão simples: permitiu criar duas alternativas, isto é, uma zona de grande pressão com a concentração de pessoas, potenciando a festa e outra zona em que foi possível desfrutar de um ambiente mais sereno. Como há gostos para tudo, foi possível escolher.

O que venho dizendo leva-me a outra reflexão sobre um assunto que não é novo e eu próprio o tenho levantado nos meus escritos e em intervenções políticas que tive oportunidade de fazer em várias situações.

A organização da Semana do Mar e, agora, a organização da Noite Branca e outros eventos, deveria estar à responsabilidade de um faialense convidado para o efeito pela Câmara Municipal da Horta, em mandatos que não fossem coincidentes com o mandato autárquico. Isto significa que esta figura (que escolheria a sua equipa) exerceria o cargo independentemente dos interesses partidários de quem dirige a Câmara, pois a mudança de cor política da vereação não implicaria a sua substituição imediata, ou seja, o seu mandato terminaria, por exemplo, a meio do mandato autárquico, podendo, naturalmente, ser, ou não, renovado. Tal personalidade poderia delinear o seu plano com um horizonte de quatro anos sem necessidade de, embora articulando-se com o executivo camarário, como é óbvio, se tornar dependente de certos interesses, alguns até pessoais. Quero dizer com isto que o presidente da comissão de festas poderia trabalhar independentemente do calendário eleitoral e do termo do mandato camarário.

Todos nos lembramos da aposta da Câmara do PS na Semana do Mar do ano de eleições e agora assistimos com a Câmara do PSD à transformação do presidente num género de apresentador de televisão. Era desnecessária esta vulgarização do cargo. A Câmara convidou a jornalista Marla Pinheiro para moderadora da conversa entre Jaime Gama e Mota Amaral e o resultado não poderia ter sido melhor. Portanto, fica provado que o recurso a cidadãos competentes é uma mais-valia para as atividades que o Município pretenda organizar e, além disso, deixaríamos de “levar” com ações de propaganda inadequadas. Basta a campanha eleitoral!

De qualquer forma, os faialenses, em geral, estão animados e isso é muito importante para a nossa autoestima enquanto comunidade. Precisamos desse tónico para continuarmos a dar o nosso contributo a esta terra, com o propósito que ela seja melhor para todos, sem esquecer, no entanto, que a crítica é fundamental para que haja progresso. Pelo menos eu penso assim. |X|

«Obviamente demito-o!»

A frase em título é do general Humberto Delgado, que foi candidato à Presidência da República, em 1958, em pleno Estado Novo (ditadura de Salazar), contra Américo Thomaz, o natural vencedor antecipado.

Numa conferência de imprensa, em Lisboa, perante a mudez dos jornalistas dos órgãos de informação portugueses, o correspondente da agência de notícias francesa AFP (France Press) ousou questionar o candidato sobre o que faria ao presidente do Conselho (primeiro-ministro), António de Oliveira Salazar, se ganhasse a eleição.

Embora existam várias versões, que apenas divergem no pormenor, mantendo a substância («Demito-o, é óbvio!»; «Demito-o, obviamente!»), a mais citada é «Obviamente demito-o!»

Lembrei-me disto por causa das declarações do ministro da Administração Interna que numa entrevista ao jornal Público ameaça demitir os responsáveis do SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras) se se repetirem problemas no Aeroporto de Lisboa, curiosamente denominado Aeroporto Humberto Delgado.

Só li o título da entrevista porque não sou assinante da edição online do Público, cujo acesso é reservado a subscritores. No entanto, a declaração de José Luís Carneiro não deixou de me impressionar negativamente.

Se há culpas a imputar, evidentemente que os responsáveis terão que arcar com as consequências, mas não me parece curial esta admoestação pública por parte de quem ocupa o topo da hierarquia e, em última análise, deve assumir a responsabilidades pelo desempenho dos serviços que tutela. Uma atitude de tal tipo perturba, com toda a certeza, o clima de confiança que tem que existir na cadeia de dependências num ministério e num serviço tão importantes como a Administração Interna e os Estrangeiros e Fronteiras.

Estou convencido que este puxão de orelhas público só fragiliza quem o deu e é um sinal de falta de autoridade. Uma demissão não se anuncia, ao contrário do que fez Humberto Delgado.

A atitude de Carneiro contrasta com a do “seu” chefe de Governo. Ainda agora António Costa riu nas televisões à pergunta se ia demitir, ou manter a confiança na ministra da Saúde, que está debaixo de fogo, como sabemos. Muitos de nós facilmente se lembrarão de Eduardo Cabrita, que Costa segurou no cargo contra tudo e contra todos.

As declarações do ministro da Administração Interna mostram que a classe política permanece imune à asneira, isto é, os políticos podem fazer o que fizerem porque nunca são responsabilizados; já os que se encontram sob a sua responsabilidade levam com a tábua no rabo quando é conveniente para salvar a pele de quem está por cima.

Em plena campanha eleitoral, Humberto Delgado tomou uma posição clara, firme e decidida, apontando o caminho alternativo que queria seguir, perante o seu principal adversário político, o que, em tudo, difere de José Luís Carneiro, que falou dos seus próprios subordinados.

Se António Costa tivesse a estaleca de Delgado poderia muito bem dizer: Está demitido, senhor ministro! |X|

VIVA SÃO JOÃO!

Ainda bem novo comecei a ouvir falar da romaria do São João da Caldeira. Mas como os meus pais não eram muito de ir a festas só já na idade do liceu é que fui pela primeira vez à mais famosa romaria do Faial.

Um grupo de amigos resolveu acampar nas matas circundantes do Largo Jaime Melo, estávamos perto do final da década de 70 do século passado.

Nessa altura o FAOJ (Fundo de Apoio aos Organismos Juvenis), que funcionava nas instalações que hoje pertencem ao Serviço de Desporto do Faial, na Rua Consul Dabney, emprestava tendas de campismo, de grande qualidade, diga-se de passagem.

O grupo precisava de várias tendas, mas, como eram muito procuradas, não davam para todos.

Este acampamento vinha sendo combinado no liceu há longo tempo e o entusiasmo foi crescendo, pois o São João da Caldeira naquela altura ainda atraía muita gente, oriunda de todo o Faial. Era a verdadeira festa popular. Acontecia no meio da natureza e isso despertava nos citadinos sensações diferentes daquelas que faziam parte do seu dia-a-dia, enquanto aos campesinos proporcionava-lhes vivências com as quais se identificavam.

Eu e o meu amigo José Lemos encontrámos uma maneira original de resolver o problema da falta de tenda, tal era a vontade de ir à festa.

Fomos falar com o Senhor João Neves Porto, que tinha uma mercearia na Rua Serpa Pinto, mesmo em frente à porta do lado nascente do mercado e pedimos-lhe para nos guardar as sacas de açúcar (de 50 kg) que fosse esvaziando.

Com recurso a uma máquina de coser de minha avó fizemos uma tenda, ou melhor, uma barraca, unindo as sacas. Tivemos que comprar algumas agulhas para que minha avó não desse por falta das que se partiram. Os prumos eram tubos de água usados.

O planeamento não obedeceu a grande rigor e no dia 23 de junho a porta da barraca estava por fazer. A solução foi levar dois panos e alguns botões e cosê-los e pregá-los já no acampamento.

Escusado será dizer que trememos como varas verdes durante a madrugada, pois as sacas de açúcar foram incapazes de nos proteger daquela humidade gelada que corre entre as matas de criptoméria.

Não foi, porém, esse o único contratempo. Parte do grupo montou rapidamente as tendas do FAOJ e seguiu para a festa, penetrando na multidão que enchia o Largo Jaime Melo.

Eu e o Lemos tivemos grandes dificuldades em aguentar a barraca de pé e já nem sequer cosemos a porta e muitos menos pregámos os botões para fechá-la.

Embrenhados na montagem, para não ficarmos mal e quando já estávamos a finalizar a operação, deparámos com o nossos amigos de regresso ao acampamento. Ou seja, a festa já tinha acabado!

Portanto, a minha primeira noite de São João ficou adiada. Ainda desci ao Largo com o Lemos, mas já nem tascas abertas havia.

Este foi o primeiro de vários acampamentos que fizemos na romaria de São João da Caldeira, que vieram a correr lindamente, pois entretanto alguns de nós comprámos as nossas próprias tendas de campismo.

Fiquei a gostar da festa e frequentei-a muitas vezes, até a cavalo, como era tradição.

Foi, por isso, com alguma tristeza e até revolta que assisti a alguns “ataques” ao São João da Caldeira, primeiro fazendo-lhe concorrência com a organização de festas, pela mesma altura, no campo de futebol do Capelo. Depois, “desviando” o programa da romaria para o Parque de Exposições do Faial, na Quinta de São Lourenço. Felizmente que uma ideia peregrina de realizar as festas de São João no Largo do Relógio morreu na casca.

Hoje tomei conhecimento do programa que a Câmara Municipal da Horta delineou para o São João da Caldeira, que inclui uma romaria propriamente dita. Há inovação e a tradição mantém-se. Penso que, conforme tinha ouvido da boca do vice-presidente da Câmara, a festa se vai revitalizar.

Se tivesse pensado com mais antecedência até ia acampar nas matas do Largo Jaime Melo outra vez! |X|

CAPELO | Enxurrada no Varadouro

Uma forte chuvada que ocorreu à hora de almoço provocou uma enxurrada no ramal do Varadouro, freguesia do Capelo, concelho da Horta, na ilha do Faial + AQUI.

FLAMENGOS | Troncos retirados da ribeira

A Junta de Freguesia procedeu a uma ação de desobstrução de uma das maiores linhas de água da ilha do Faial, a ribeira que atravessa o vale dos Flamengos + AQUI.