Fato de domingo

Nunca fui de me esmerar na vestimenta. Desde que andasse limpo, a etiqueta era secundária. Um dia, ao desvalorizar um conselho para me aperaltar, alguém me disse: em certas ocasiões, devemos vestir-nos bem, não por vaidade, mas por consideração para com o anfitrião. Gravei este ensinamento. E pensei, por exemplo, nos nossos avós, que usavam o “fato do domingo” em ocasiões especiais, por exemplo, para ir à missa, em sinal de respeito a Deus, em quem acreditavam. Hoje, só tenho um fato e gravata, reservados, precisamente, para quando surge um momento único.

Os leitores deste texto lembrar-se-ão de uma chegada do primeiro-ministro António Costa a Luanda, de calças de ganga. Agora, vejo no Twitter Marcelo Rebelo de Sousa e o ministro da Cultura português em calções numa avenida brasileira.

Como o comum dos cidadãos, ambos têm todo o direito de fazer uma vida normal, quando as circunstâncias são de normalidade. Não é o caso de uma visita de Estado. Mas toda a gente acha graça. Eu não! |X|

RUBRICA \ EM CIMA DO JOELHO – Reação, de forma repentina, a qualquer ocorrência digna de atenção.

EM CIMA DO JOELHO (*)

HUMILDADE DEMOCRÁTICA é o que falta a Vasco Cordeiro e a José Manuel Bolieiro. A ausência de ambos no debate da RTP-Açores com as candidaturas por São Miguel às eleições regionais do próximo dia 25 de outubro mostra um desrespeito tremendo pelo açorianos eleitores e pelos concorrentes e até pelo órgão de comunicação social que os convidou e do qual querem permanentemente atenção. Não há estratégia eleitoral que valha a esta atitude, demonstrativa, uma vez mais, do limbo autista em que lucubram aqueles que a todos nós devem prestar contas. Sem a presença dos cabeças-de-lista do PS e do PSD, os representantes dos outros 10 partidos deveriam ter abandonado o estúdio da televisão. É uma atitude condenável de quem pretende ser presidente do Governo Regional dos Açores. Ambos estiveram mal, mas o PS mandou para o debate o quinto da lista, o que representa um atestado de menoridade aos candidatos precedentes, que, como é “normal” nos partidos do poder, não tugem nem mugem perante as ordens do chefe!

[VER “INDIGNAÇÃO]

(*) “EM CIMA DO JOELHO” – Rubrica cujo objetivo é reagir, de forma repentina, a qualquer ocorrência digna de atenção.