Faz hoje 51 anos…

… que ocorreu um dos maiores ajuntamentos na ilha do Faial

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O “Fourth July” era hoje…

Há um bom par de anos, neste dia 4 de julho, Dia da Independência dos Estado Unidos da América e feriado nacional naquele país, a «mais participada festa profana» da ilha do Faial atraía todas as atenções. Agora, só a nostalgia das gerações antigas celebra o acontecimento [fotografia com direitos reservados].

«O “4th of July” [ou “Fourth July”, segundo um anúncio da imprensa faialense] decaiu a partir do momento em que os luso-americanos começaram a preferir a Semana do Mar.» Esta frase, extraída de um comentário no Facebook de Alzira Luís, cidadã atenta ao desenrolar da nossa vida social e cultural e figura emblemática e histórica de uma das coletividades mais prestigiadas do Faial, o Clube Naval da Horta, interpreta o momento da queda, após a ascensão e consolidação da «mais participada festa profana» da nossa ilha, no dizer de José António Martins Goulart, antigo presidente do Sporting Clube da Horta (1981-83) e filho do popular médico António Sebastião Goulart, também ele figura máxima do Clube da Rua Eduardo Bulcão, a cuja direção presidiu por três vezes.

O “4th of July” / “Fourth July” não escapou à voragem de uma moda, justificando o seu percurso (entre 1939 e, provavelmente, a primeira metade da década de 90 do século passado) o emprego do título do célebre soneto do vate, Luís Vaz de Camões, «Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades», aliás de acordo com o que assinalou Alzira Luís.

O “Fourth July” permanece, no entanto, no imaginário das gerações com mais de meio século de vida e, ciclicamente, sobretudo agora que as redes sociais permitem a partilha de fotografias, surgem, por esta altura, saudosas referências às inesquecíveis noites passadas no polidesportivo sportinguista a abarrotar de gente, sob o lema fixado no cimo da bancada de cimento: Hoje e Sempre Sporting!

Martins Goulart recorda a Escrevi.blog que a meados da década de 80 do século passado, na vigência do seu mandato como presidente do Sporting da Horta, «o “4th of July” ainda era celebrado com lotação máxima na esplanada» do Clube e conta que «por doença dos “bilheteiros” habituais (os saudosos Sr. Vieira e o sr. Paulino)», teve que acudir ao “guichet” da venda das entradas, juntamente com a sua mulher: «Nesse ano, bateu-se o recorde de receitas que ultrapassou os 1.330 contos», qualquer coisa superior a 6.500 euros.

José Manuel Medina Garcia, reputado fotógrafo faialense que segue a senda familiar e se interessa pela investigação histórica, tendo já publicações em que as imagens predominam, diz a Escrevi.blog que «a primeira referência a este evento aparece no ano de 1939, possivelmente dedicada aos americanos trabalhadores da companhia Western Union». José Manuel Garcia assegura que «houve sempre festejos no Sporting a 4 de julho, mas só em 1947 aparece novamente a palavra “americanos”, para mais tarde, em 1952, na presidência de Manuel Lacerda, já se encontrar o anúncio [na imprensa faialense, na imagem] com referência “4th July”».

Por sua vez, Martins Goulart chama a atenção para o livro intitulado «Sporting Club da Horta – Subsídios para a Sua História», de Carlos Lobão, onde se lê que «foi a 4 de Julho de 1947 que se realizou a primeira “festa dedicada aos patrícios residentes nos E. Unidos da América do Norte e que se encontram de visita ao Distrito. Atuação da orquestra “Copacabana”». Este presidente “encarnado” lembra também que a fadista faialense, de Castelo Branco, hoje residente na Califórnia, Cidália Maria (a “Amália açoriana”), abrilhantou a festa no ano de 1957, pouco tempo antes de emigrar em consequência do Vulcão dos Capelinhos. «A partir desse ano, a mais participada festa profana do Faial enraizou-se, adquirindo o estatuto de relevante tradição sociocultural da cidade da Horta», sublinha este professor universitário em cujo mandato à frente do Sporting Simone de Oliveira foi estrela do “Fourth July”, no ano de 1982. A atuação da consagrada cantora teve apresentação de Renato Leal, bem como o restante programa, que depois emergiu como apresentador de sessões e espetáculos, circunstância que potenciou a sua popularidade, granjeada entre os estudantes enquanto professor do ensino secundário. Poucos anos depois (1989), foi eleito presidente da Câmara Municipal da Horta, o que não poderá ser dissociado da notoriedade alcançada como homem de palco, com um vozeirão inigualável.

Martins Goulart evoca a «festa maior do Sporting» e os sportinguistas que exerciam a presidência do Clube enquanto o acontecimento ocorreu: João Pinheiro da Silva (1947), Manuel Francisco da Silveira (1957-60), Manuel Lacerda Goulart da Silva (1961-63), Luís Pinheiro dos Santos (1964), Raimundo Rodrigues Garcia de Lemos (1965-67), José Victor Fraião Alves (1968), Gilberto Vieira da Silva (1969-70), Valdemar Dias Simões (1971), João Balixa Baptista (1972), António Augusto de Sousa Guimarães (1973), António Sebastião Goulart (1974), Comissão de Gestão constituída por António Sebastião Goulart, Leonel Silva, Milton Vaz, Hermínio Pinheiro, Hermínio Freitas, Luís Morais e Urbano Simas (1975-76), Cândido Gonçalves Capaz (1976-78), José Amorim Faria de Carvalho (1978-80), António Sebastião Goulart (1980-81), José António Martins Goulart (1981-83), Hélder Medina da Silva (1983-84), Mário Francisco Gregório (1984-85), Fernando Nóbrega (1985-87), Manuel Fernando Ramos de Vargas (1987-88), João Pedro Terra Garcia (1988-90), José Manuel Brum Fontes (1990-91), Hermínio Freitas (1991-92) e Raul Manuel Lima Dutra Goulart (1992-94). |X|