Inovação e polémica na Atlantis Cup

Presidente da Assembleia Legislativa quer que a regata prestigie os 50 anos da Autonomia. Participantes queixam-se por serem marginalizados.

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Lúcio Rodrigues sucede a José Decq Mota no Clube Naval da Horta

Assembleia geral reuniu-se em duas sessões para encontrar a nova solução diretiva

Formado em educação física, antigo presidente da Junta de Freguesia da Praia do Almoxarife, ex-deputado regional e municipal e diretor regional da Juventude no último governo de Vasco Cordeiro, é-lhe reconhecido “um importante papel na estruturação e consolidação” da Secção de Natação do Clube Naval da Horta (CNH), conforme destaca o portal da internet do próprio clube. Também foi diretor da piscina municipal e esteve à frente do INATEL no Faial.

São estes os tópicos curriculares de Lúcio Rodrigues, que na próxima quarta-feira toma posse como presidente da direção, depois de, a 25 de fevereiro, perante a inexistência de listas concorrentes, ter sido indigitado para constituir novos órgãos sociais do CNH. Na noite de anteontem foi a eleição, por unanimidade, com a participação de quase meia centena de associados [na fotografia, de José Macedo].

Lúcio Rodrigues vinha sendo, há algum tempo, apontado como sucessor de José Decq Mota, que terminou um longo período como presidente da direção. A lista sufragada na noite de ontem é a seguinte:

Mesa da assembleia geral: Eugénio Leal (presidente), Paulo Salvador (vice-presidente), Olga Marques (secretária) e José António Figueiredo (secretário).

Conselho geral: Armando Castro, Carlos Fontes, Fernando Menezes, Hugo Pacheco, João Garcia, Jorge Macedo, José Decq Mota, Luís Decq Mota, Albertina Medeiros e Pedro Garcia.

Conselho fiscal: Luís Lopes (presidente), Ana Paula Azevedo (relatora) e Fernando Nascimento (secretário).

Direção: Lúcio Rodrigues (presidente), Inês Sá (vice-presidente), Frederico Soares (vice-presidente), António Costa (tesoureiro), João Morais (secretário), Joana Bulcão (secretária), Nuno Santos (vogal), Ana Silveira (vogal), Carlos Medeiros (vogal), Carla Martins (vogal), Rute Matos (vogal) e Nuno Melo (vogal).

PROBLEMAS ACUMULADOS

Embora não tenha caído de pára-quedas no clube naval, pois já possui algum conhecimento da casa, conforme se pode concluir pelo que atrás foi dito sobre o seu envolvimento nas atividades da instituição a que agora preside, Lúcio Rodrigues não deixará de encontrar pela frente um desafio difícil que o irá pôr à prova.

A dinâmica da atividade, a projeção interna e externa e o volume de iniciativas em que o CNH está envolvido tornam as respetivas tarefas diretivas muito exigentes. Acresce a inevitável comparação entre o novo presidente da direção e o seu antecessor, cujo carisma, competência, projeção pública e grande capacidade comunicativa elevam à potência máxima a dificuldade de sair em vantagem quando se fizer esse paralelismo.

Lúcio Rodrigues, logo após ser eleito, mostrou ter “absoluta consciência” — segundo a descrição da sessão da assembleia geral feita pelo portal do clube — da missão que abraça quando referiu a “enorme importância desportiva e social, quer a nível local e regional, quer a nível nacional” do CNH, assegurando que “tudo continuará a ser feito para que esse papel seja mantido e aprofundado”.

José Decq Mota, que também falou na sessão de anteontem, explicou bem o que é que os novéis dirigentes vão encontrar: “problemas acumulados, nomeadamente a insuficiência e degradação das instalações, as dificuldades no acesso ao mar, as carências em embarcações desportivas e de apoio, a insuficiência visível e crescente da estrutura de financiamento”. Mas, ressaltou: o CNH “não tem passivos financeiros e tem a sua capacidade de fazer completamente preservada”.

BÓIA DE SALVAÇÃO

Se a tendência para pôr em cada um dos pratos da balança Lúcio Rodrigues e José Decq Mota, como, naturalmente, acontece quando ocorre uma substituição, neste caso há uma similitude que não passa em claro, que tem a particularidade de ocorrer fora do clube mas com ele ter conexão.

Estamos perante dois cidadãos que dedicam à política uma importante parte da sua intervenção pública.

Quando, em 1996, foi eleito, pela primeira vez, presidente do CNH, José Decq Mota estava a um ano de vir a integrar a vereação da Câmara Municipal da Horta — facto político inédito para a força política que representava —, com um resultado eleitoral histórico, a escassos votos de alcançar para a CDU o estatuto de segundo partido mais votado.

Ainda enquanto presidente do CNH fez-se eleger, no ano 2000, deputado regional, desta feita pelo Faial — depois de tê-lo sido por São Miguel, em 1984 —, com mais votos do que os que obtivera para a câmara da Horta.

A carreira política de José Decq Mota é sobejamente conhecida e vale por si, sem necessitar de muletas para justificar êxitos obtidos, daí que a associação aqui feita à coincidência temporal dos desempenhos partidário e associativo não seja mais do que uma constatação, que, contudo, pode abrir caminho à interpretação.

José Decq Mota, ao terminar o mandato no clube naval em 2001, logrou mais uma façanha eleitoral ao ultrapassar os 1.000 votos enquanto cabeça-de-lista à Assembleia Municipal da Horta, antecâmara da célebre “maioria plural” — outro feito inédito —, em 2005, quando o PS se viu obrigado a fazer um acordo com a CDU para governar a câmara, isolando o PSD. A consequência, porém, não foi a desejada pois os comunistas na recandidatura, em 2009, saíram da vereação.

Três anos depois o CNH recebeu José Decq Mota para uma longa permanência na presidência da direção, com a sua atividade política em rota descendente e o seu desempenho associativo em fase sublimada.

Fazendo lembrar a personalidade de que toma o lugar, Lúcio Rodrigues aparece, porventura, para juntar à notoriedade que o CNH lhe dará uma componente de (re)afirmação política, pois não há ninguém dentro do PS ou fora do partido a apostar que as suas aspirações políticas estejam adormecidas.

A mudança ocasionada no poder regional acabou por funcionar para Lúcio Rodrigues como terreno fértil para um tirocínio no campo do dirigismo. Além disso, as portas (da câmara e do parlamento) estão fechadas por agora o que orienta o foco para o seu trabalho — se é que não estimula — nas novas funções.

Como tudo isto anda ligado, quer queiramos, quer não, o Clube Naval da Horta poderá ser uma autêntica bóia de salvação, depois de ter sido um farol a chamar a atenção.

LISTA DE PRESIDENTES DA DIREÇÃO

Lúcio Manuel da Silva Rodrigues é o 30.º presidente do CNH, ocupando um cargo que tem a “marca” Decq Mota. O sócio José Eduardo Bicudo Decq Mota detém o recorde de permanência à frente dos destinos da instituição: 14 anos. Embora a uma distância considerável, o sócio que se aproxima mais desta longevidade chama-se Luís Carlos Bicudo Decq Mota, cujo único mandato durou cinco anos consecutivos. Também Luís Fernando Gonçalves da Rosa dirigiu o clube durante cinco anos, mas interpolados. Ou seja, um quarto da vida associativa de um dos principais clubes desportivos do Faial e dos Açores desenrolou-se, até agora, sob a responsabilidade destes dois amantes da atividade náutica, por sinal irmãos.

Foram os seguintes os presidentes da direção do CNH:

​1947-49: Manuel Melo Carvalho (2 anos de mandato); 1949-50: José Augusto Carreiro (1); 1950-52: Manuel Ribeiro da Silva (2); 1952-53: José Estevão da Silva Azevedo (1); 1953-55: Eduíno Labescat da Silva (2); 1955-58: Manuel Ribeiro da Silva (3); 1958-60: José da Silva Duarte (2); 1960-61: Manuel Alexandre Madruga (1); 1961-63: José Pereira de Freitas (2); 1963-65: Ângelo Leal da Costa (2); 1965-67: Eurico Garcia de Castro e Silva (2); 1967-69: Olavo Cardoso Peixoto de Simas (2); 1969-73: António Francisco Lopes da Silva (4); 1973-76: Luís Fernando Gonçalves da Rosa (3); 1976-78: Mário Belchior Ávila Gomes (2); 1978-80: Luís Fernando Gonçalves da Rosa (2); 1980-82: Vítor José de Freitas Azevedo (2); 1982-84: João Resendes Nunes Corvelo (2); 1984-89: Luís Carlos Bicudo Decq Mota (5); 1989-90: Renato Soares de Lacerda Azevedo (1); 1990-92: Aurélio de Freitas Melo (2); 1992-96: Manuel Fernando Ramos Vargas (4); 1996-01: José Eduardo Bicudo Decq Mota (5); 2001-03: Carlos Manuel Castro Goulart (2); 2003-05: Genuíno Alexandre Goulart Madruga (2); 2005-08: João Pedro Terra Garcia (3); 2008-10: Hugo Miguel Ferreira Teixeira Pacheco (2); 2010-12: Fernando Manuel Machado Menezes (2); 2012-2021: José Eduardo Bicudo Decq Mota (9).

|| SOUTO GONÇALVES texto

“Um velejador inteligente”

O Tribuna das Ilhas noticiou hoje a nomeação do comandante Rui Terra para presidir à empresa que gere as infraestruturas portuárias dos Açores

O provimento da presidência da empresa Portos dos Açores, tendo em conta a importância do cargo; os desafios do momento, entre eles o reordenamento do porto da Horta e o facto de o anterior titular ter saído imediatamente a seguir à tomada de posse do novo governo, potenciou um clima de expectativa em torno do nome que seria escolhido.

Na edição desta sexta-feira o semanário faialense contou o segredo: o capitão-tenente Rui Terra será o novo presidente da Portos dos Açores. Só falta acertar o processo da respetiva autorização pela Marinha, confirmou o próprio a ESCREVI.BLOG.

Aos 42 anos, este faialense, nascido na cidade da Horta, vai abraçar a missão difícil de administrar 14 portos nos Açores — Vila do Porto (Santa Maria); Ponta Delgada (São Miguel); Praia da Vitória e Pipas (Terceira); Praia (Graciosa); Velas e Calheta (São Jorge); São Roque, Madalena e Lajes (Pico); Horta (Faial); Lajes e Santa Cruz (Flores) e Casa (Corvo).

Sucede a Miguel Costa, um piocense, cuja ação, ainda que curta no tempo, deixou marcas visíveis.

Rui “Terra”, cujo nome se opõe ao que tem sido todo o seu percurso de vida, sempre ligado ao mar [na fotografia de topo, com direitos reservados, navegando num optimist na sua adolescência], entra agora numa nova ponte de comando, sem velas nem cabos, mas certamente com mar encrespado pela frente, onde se pode descortinar a onda que incha no porto da Horta.

Irá olhar para os portos que já conhece de uma perspectiva diferente. Depois de ter velejado nalguns deles, agora é a vez de preservar, ou melhorar, as condições para que outros o façam, no aspeto desportivo, bem entendido, mas, principalmente, em muitos outros.

O novo presidente da Portos dos Açores [atrás, à direita, com Vítor Medeiros, também atrás, o segundo da esquerda, na fotografia com direitos reservados] possui uma “cultura náutica” originária do porto da Horta e do clube naval desta cidade. Está, assim, incluído entre os que melhor conhecem um dos mais importantes portos do Atlântico Norte.

Basta escutar [ficheiro áudio abaixo] o que diz o seu antigo treinador de vela, que recorda a geração de faialenses que hoje tem a náutica como profissão — onde se encontram comandantes da marinha mercante, de rebocadores e outros em outras funções — e na qual Rui Terra se inclui:

Vítor Medeiros lembra-se do tempo em que Rui Terra entrou para a escola de vela do Clube Naval da Horta, aos sete ou oito anos de idade e se fez um atleta de excelência, a nível local, regional e nacional: “Um velejador inteligente” [ficheiro áudio abaixo]:

Rui Filipe da Silva Pereira da Terra ingressou na Escola Naval,
em 1997 e até hoje prestou serviço na Marinha de Guerra Portuguesa. Presentemente frequenta o doutoramento em Relações Internacionais, no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. Já fez parte da direção da Federação Portuguesa de Vela e é sócio do Clube Naval da Horta. Tem um currículo vasto na Marinha, foi condecorado e distinguido. Comandou, recentemente, a Capitania do Porto de Cascais [na fotografia, da Marinha, abaixo, o segundo a contar da esquerda, na tomada de posse].

Para além da sua ligação ao Faial, atrás referenciada, tomou parte ativa no debate sobre o reordenamento do porto da Horta, que tem sido um dos temas mais discutidos entre nós nos últimos anos. Além disso, foi o primeiro cidadão a participar, à distância, via telefone, numa sessão da Assembleia Municipal da Horta, no caso, a sessão especial em que foi debatido o tema das acessibilidades. Apresentou publicamente o esboço de um projeto para o porto no âmbito dos diversos contributos que têm sido dados sobre esta polémica questão.

Quando chegar ao seu novo gabinete de trabalho, certamente encontrará imensa matéria para despachar, entre ela o controverso processo do porto da Horta, no mínimo, uma questão apaixonante. |X|

| SOUTO GONÇALVES texto