Obituário. José da Silva Duarte, engenheiro agrónomo

Faleceu hoje, na Horta, José da Silva Duarte. Natural da freguesia da Ribeirinha, o “Engenheiro Duarte”, assim conhecido na sociedade faialense, formou-se no Instituto Superior de Agronomia.

Residia, há muitos anos, na Rua de São João, na cidade da Horta, numa casa com uma arquitetura singular.

Era uma figura respeitável, cuja atividade profissional esteve intimamente ligada à sua formação académica, tendo dirigido os serviços agrícolas (mais recentemente denominados Serviço de Desenvolvimento Agrário do Faial), instalados na Quinta de São Lourenço e ainda popularmente conhecidos por “Junta”, numa alusão à Junta Geral do Distrito Autónoma da Horta, organismo anterior ao 25 de Abril, que os superintendeu.

Foi presidente da direção do Clube Naval da Horta.

José da Silva Duarte, de trato comedido, deixou um testemunho exemplar enquanto cidadão imbuído de firmes valores morais. Acompanhado, invariavelmente, pela sua mulher, Manuela, enquanto a saúde o permitiu, cruzava os espaços públicos da cidade da Horta transmitindo uma imagem de serenidade e equilíbrio, como quem sabia relacionar-se bem com o que a vida lhe proporcionou ou ele procurou.

Foi um católico praticante com uma atitude equivalente ao que esta condição tem de mais comprometido com a fé que professou.

Na paróquia da Matriz da Horta, podia ser encontrado como simples leigo a cumprir as obrigações religiosas entre os seus iguais, como noutras funções com maior relevo e responsabilidade, não só em organismos caritativos — por exemplo na Conferência de São Vicente de Paula, cujos membros era conhecidos por “vicentinos” —, como também na Confraria do Santíssimo Sacramento, de que foi mordomo, ou ainda como leitor e ministro extraordinário da comunhão.

Oriundo de uma família com algumas dificuldades económicas, ir estudar para fora (expressão que no Faial vulgarmente designa quem parte para o exterior para ingressar na universidade) não estaria, certamente, nos seus planos, ou, pelo menos, nos dos seus pais.

O popular professor Barreiros (pai), que “deu escola” na Ribeirinha, terá estado na origem da formação superior do “Engenheiro Duarte”.

Certamente vendo nele um estudante promissor — quem teve oportunidade de conhecê-lo percebia que era uma pessoa com uma cultura acima da média —, o mestre-escola ter-se-á encarregado de convencer Maria do Socorro e o seu marido a mandarem o filho para o liceu, onde entrou em 1942 e, depois, cursar em Lisboa.

As dificuldades nesse tempo eram, de facto, muitas. A prova disso é apresentada pelo filho do professor Barreiros. Henrique Melo Barreiros recorda-se de a mãe de José da Silva Duarte “vir à cidade”, a pé “possivelmente”, com o cesto da comida, que deixava em casa do professor onde o antigo aluno da escola primária, então já estudante liceal, fazia as refeições. |X|