Faleceu Mário Frayão na véspera de atingir 92 anos

Mário Mesquita Frayão, natural da ilha do Faial, nascido a 5 de outubro de 1928, faleceu hoje no Hospital da Horta. Amanhã completaria 92 anos.

Do ponto de vista cultural, social e político, Mário Frayão [na fotografia, com direitos reservados, após a edição de 6 de maio de 2014 do programa “Bate-papo” da Antena Nove, com Margarida Madruga e Souto Gonçalves] foi uma figura de relevo na ilha do Faial, onde cedo se começou a destacar pela sua irrequietude de espírito, que manteve durante uma vida prolongada.

Ator amador de reconhecidos e laureados méritos esteve ligado à época de ouro do teatro no Faial, nas décadas de 40 a 60 do século passado, tendo feito parte mais recentemente do elenco das revistas à portuguesa com que o autor e encenador Sérgio Luís, também já falecido, levou a Horta a reviver os seus tempos áureos da representação teatral.

Exerceu a profissão de bancário, primeiro na Horta e depois em Lisboa, onde fixou residência durante alguns anos, foi regressando a espaços e acabou por voltar à terra natal onde a sua figura de homem culto, popular, interventivo e de um finíssimo trato se tornou uma personalidade estimada e uma referência incontornável.

Conhecedor e ainda melhor contador de histórias antigas, ninguém perdia uma cavaqueira com Mário Frayão, um cidadão do mundo, que aliava, sempre, relatos pitorescos a evocações da História, da Filosofia e de vários campos do saber humano para completar e fazer perdurar o seu gosto por uma boa conversa.

A marcha inexorável do tempo, que, naturalmente, lhe foi imprimindo as marcas venerandas da idade, nunca o impediram, inclusivamente com o auxílio de uma bengala que rejeitou até poder, de manter-se jovial na atitude.

Amante intrépido da sua ilha, da que lhe fica em frente e dos Açores, fervilhavam-lhe ideias em catadupa, o que o levou a dirigir os jornais Tribuna das Ilhas e O Oceânico, este último por ele fundado.

Com uma leve mas indisfarçável inveja por causa do seu inconformismo intelectual, amigos contemporâneos diziam que Mário Frayão era um homem sem fim, que começava mas não acabava.

Já bem entrado em idade, abalançou-se a uma candidatura à Assembleia Municipal da Horta em representação da CDU, tendo sido eleito com outro candidato, pautando a sua ação em nome dos interesses do concelho. É dele uma frase marcante dita num dos plenários daquele órgão autárquico: “O meu partido é a ilha!”

Desafiado pela Antena Nove para um programa semanal sobre as suas memórias e o comentário do dia-a-dia da realidade faialense, foi a figura central do “Bate-papo”, realizado por Souto Gonçalves, ao qual se juntou Margarida de Bem Madruga. Este momento radiofónico atingiu assinalável popularidade em consequência das curiosidades, estórias, reflexões e até declamação de poesia que ali levava com grande paixão. |X|