Sismómetros avaliam crise de São Jorge no fundo do mar

Sismo de grau III/IV sentido na tarde de hoje em Santo Amaro

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Atividade sísmica ao largo do Faial

A meio da tarde deste domingo foram sentidos dois sismos de grau IV na freguesia do Capelo.

Até à hora da redação desta notícia (19h51) e durante este domingo, 10 de julho de 2022, o Centro de Informação e Vigilância Sismovulcânica dos Açores (CIVISA) registou cinco sismos a oeste do Faial, a uma distância aproximada de 30 quilómetros da ilha [na imagem, do CIVISA]. O primeiro evento ocorreu ao fim da manhã, às 11h47 e os quatro seguintes às 15h19, 15h21, 15h52 e 15h55, atingindo a magnitude de 2.1, 3.5, 2.4, 3.0 e 2.3 da Escala de Richter, respetivamente. Os sismos das 15h19 e das 15h52 foram sentidos com a intensidade IV da Escala de Mercalli Modificada na freguesia do Capelo, enquanto o abalo das 15h52 também foi sentido na Feteira e na Praia do Norte com a intensidade III/IV da mesma Escala. A distância apurada foi de 29 quilómetros da costa faialense para o sismo das 15h19 e 32 quilómetros para o das 15h52.

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) assinalou, igualmente, os cinco sismos, embora não dê notícia de que algum tenha sido sentido, referindo, por seu turno, a profundidade em que os mesmos se verificaram: 3, 7, 7, 8 e 3 quilómetros, segundo a ordem cronológica em que aconteceram. A magnitude registada pelo IPMA, como é habitual, difere ligeiramente da magnitude apresentada pelo CIVISA, porque provém de uma rede sismográfica diferente. Para o IPMA o sismos atingiram, respetivamente, os graus 2.3, 3.1, 2.6, 3.6 e 2.1.

Enquanto isto prossegue a crise sísmica de São Jorge, com cinco sismos registados neste domingo até à hora da redação desta notícia (19h51), o maior dos quais atingiu o grau 2.0 das Escala de Richter e nenhum foi sentido.

Os sismos a oeste do Faial inserem-se numa área de atividade sísmica muito frequente, cuja zona epicentral se situa a cerca de 30 ou mais quilómetros a oeste da ponta dos Capelinhos, produzindo, normalmente, eventos que não atingem magnitudes que provoquem efeitos em terra, a não ser pequenos abalos, como os que agora se verificaram.

Recorde-se que a Escala de Richter mede a magnitude do sismo, ou seja, a força com que se manifesta no hipocentro (local de origem), enquanto a Escala de Mercalli Modificada avalia a intensidade, isto é, os efeitos no terreno. Por exemplo: o sismo de hoje que atingiu o grau 3.5 (Richter) se tivesse ocorrido mais perto da costa do Faial, com a mesma magnitude, teria alcançado um registo muito superior a IV na Escala de Mercalli Modificada.

A localização dos sismos reporta-se ao epicentro que é o ponto da superfície terrestre correspondente à projeção, em linha reta, do hipocentro (ponto de libertação da energia do evento). |X|

Sismos ao largo do Faial

A zona oeste dos Capelinhos apresenta instabilidade sísmica frequente fotografia (arquivo) de José Manuel Garcia


Desde a passada terça-feira, até hoje, foi registada pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) a oeste da ilha do Faial uma dezena de eventos sísmicos.

Esta zona está há muitos anos identificada por cientistas, entre os quais os faialenses Frederico Machado e Victor Hugo Forjaz, como geradora de atividade sísmica frequente.

Sismos registados pela rede do IPMA

No conjunto de eventos dos últimos oito dias há a destacar o de maior magnitude, que aconteceu na madrugada de domingo de Carnaval, às 4h47.

A magnitude observada, medida na escala de Richter, apresenta valores entre 2,2 e os referidos 4 graus. No conjunto dos dez sismos quatro atingiram três ou mais graus.

Não há notícia de que os sismos tenham sido sentidos pela população do Faial. |X|

SOUTO GONÇALVES TEXTO